Polícia encerra aula de Maracatu na UFSC após denúncia de perturbação do sossego; entenda

Grupo argumenta que a aula de Maracatu faz parte de Projeto de Extensão da UFSC e já ocorre há 21 anos no local

Redação ND Florianópolis

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A PM (Polícia Militar) foi chamada para atender um caso de perturbação de sossego público na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em Florianópolis, no domingo (21). Segundo divulgou o grupo Arrasta Ilha em uma rede social, a polícia interrompeu uma aula de Maracatu, um dos ritmos populares e manifestações culturais mais importantes da região Nordeste, que acontece há 21 anos no espaço.

Aula de Maracatu na UFSCAula de Maracatu na UFSC foi encerrada após PM ir ao local atender um chamado de perturbação de sossego – Foto: @fbnbernardes/Twitter/Reprodução/ND

“Polícia Militar SC impedindo a prática de Maracatu que acontece há 21 anos nesse espaço, sendo, inclusive, um Projeto de Extensão dessa Universidade”, publicou o grupo no Instagram.

Aula de Maracatu: a denúncia

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Conforme a PM, os policiais foram ao local para verificar uma denúncia de perturbação, feita pelo 190.

No endereço, os policiais contataram o responsável pela atividade, informaram o motivo da presença da polícia no local e registraram o fato, deixando o espaço na sequência.

Ainda segundo a PM, após os policiais comparecerem ao local não houve novos chamados.

Silêncio respeitado

Um perfil no Twitter destacou que foi interrompida uma aula de Maracatu do grupo Arrasta Ilha. “A atividade de extensão acadêmica, vinculada à universidade federal (UFSC), é realizada das 15h às 17h, aos domingos. Na ocasião participam pessoas da comunidade no geral”, explicou na publicação o perfil @fbnbernardes.

O perfil ainda destacou que após a ação da polícia o silêncio foi respeitado pelo grupo, que encerrou a aula.

UFSC diz que foi surpreendida e viu com estranheza a ação

Por meio de uma nota oficial publicada no site da UFSC, a Universidade afirma que projeto está integrado aos objetivos e atividades-fim da Universidade, já tendo originado artigos científicos (pesquisa), colaborado para formação de estudantes de graduação (ensino) e levado arte e cultura para a comunidade (extensão), além de, segundo a nota, apresentar a Universidade a centenas de pessoas.

“Por isso, a Universidade foi surpreendida e viu com estranheza a ação de policiais militares de interromper a aula de dança do Maracatu Arrasta Ilha que se realizava no domingo, 21 de maio, na área central do campus. A ação da PM, segundo os policiais, teria sido motivada por reclamações de perturbação do sossego feitas por moradores da vizinhança da Universidade”, afirma a publicação da instituição.

Em vista do ocorrido, a UFSC solicitou uma reunião com o comando da Polícia Militar “para que o atendimento dessas ocorrências seja pautado pelo diálogo e busca de equilíbrio entre o direito ao sossego dos cidadãos e o direito coletivo de participar de manifestações culturais”.

“A UFSC reafirma que respeita a comunidade da vizinhança e apoia muitas de suas demandas e interesses, além de seguir as leis. No entanto, defende sua autonomia e liberdade para realização de atividades que também trazem benefícios à sociedade, como a valorização da cultura de matriz africana e da própria cultura brasileira, que é o caso do mencionado projeto de extensão”, finaliza a nota da instituição.

Repercussão

O fato gerou repercussão nas redes sociais. Alguns criticaram o encerramento da atividade, outros destacaram que a prática gera incomodo por conta do barulho.

“Moro aqui perto e eles ficam à tarde toda tocando, fica impossível estudar ou fazer qualquer coisa. Era questão de tempo pra isso acontecer. Precisa achar um local apropriado para isso”, escreveu um perfil no Twitter.

Outra usuária da rede social destacou que também mora perto do local e que é possível escutar as batidas, assim como “é possível escutar os carros correndo, moto, caminhão, ônibus”. Para ela, “a ação da PM era para atender vizinho que odeia qualquer expressão cultural que desgostem”.

Outro usuário das redes classificou a ação como “controversa, pois em outros locais o barulho não é interrompido”.

Outro destacou que é necessário refletir sobre a falta espaços devidamente apropriados para a prática de percussivos.

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