Um crime chocou Florianópolis em julho: o caso da suspeita de maus-tratos na creche particular Bem-me-quer. A novidade do caso é que, na última sexta-feira (29), a Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito policial que apurava a ocorrência de maus-tratos contra várias crianças no local.
A investigação concluiu que as crianças, entre um a seis anos, teriam sido vítimas de cinco crimes no local – Foto: Divulgação/NDSegundo a Polícia Civil, foram ouvidas 35 pessoas, entre responsáveis legais pelas 22 crianças, professoras e outras testemunhas, além de duas pessoas investigadas que foram formalmente indiciadas.
A investigação concluiu que as crianças, entre um a seis anos, teriam sido vítimas de cinco crimes: maus-tratos (art. 136 do Código Penal), exposição a constrangimento (art. 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente), lesão corporal (art. 129 do Código Penal), injúria (art. 140 do Código Penal) e torturas física e psicológica (art. 1° II da lei n° 9.455/1997).
SeguirCriança faz acompanhamento psicológico
Uma das mães que acusa a diretora da creche de maus-tratos contra sua filha de apenas quatro anos diz que a criança está fazendo acompanhamento psicológico.
A mãe, que pediu para não ser identificada, relatou que a filha chegava em casa todos os dias com fome. De início a mãe não desconfiou. “Acreditava que era pelo enorme parque em que corria”, disse. Porém, a situação continuou a se repetir.
A menina relatou então que estava com fome pois “a professora não me deu comida quando eu pedi”. Para a mãe, a situação foi tão estranha que decidiu começar a conversa com a escola, que negou a história.
Um dia, a filha de Jussara (nome fictício), além da fome, chegou em casa com a calça suja de urina. Já desfraldada (quando uma criança não usa mais fralda), a mãe desconfiou da ação. Ao questionar a filha, a criança contou que ficou trancada em uma sala e tinha “gritado muito alto, mas ninguém abriu a porta”.
O relato foi confirmado pela antiga professora da escola, que gravou as imagens para ter provas suficientes para denunciar as situações. De acordo com Jussara, esta professora relatou que sua filha teria ficado trancada pois começou a relatar aos pais os maus-tratos que sofria.
Delegado espera responsabilização
O delegado Luiz Felipe da DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso) explicou com exclusividade ao ND+ que
espera que as pessoas sejam condenadas pelos crimes.
“Se as investigadas respondem presas ou soltas, tenho que respeitar a apreciação da justiça”, explicou.
Delegado Luiz Felipe da DPCAMI espera que investigadas sejam responsabilizadas pelos crimes – Foto: Procon-SC/Divulgação/NDEla será presa?
A pergunta foi feita por uma das mães, que relata dúvida sobre a punição. Em relação à resposta, o delegado explica que a prisão é decida pelo Poder Judiciário, que analisa todo o contexto do processo.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina explicou que foi recebida nesta segunda-feira (1°) a resposta do inquérito policial pela 18ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, que está sob análise.
A promotoria analisa e pode pedir novas diligências à polícia, oferecer denúncia contra o investigado ou pedir o arquivamento.
Até a publicação desta matéria, a defesa da creche, feita pelo escritório Koerich e Santos Associados, não se posicionou sobre o inquérito policial. O espaço segue aberto.