Polícia Civil interdita casa noturna após chão ‘ceder’ durante festa em Florianópolis

Interdição aconteceu após confusão na inauguração da casa noturna na Capital; Ministério Público também solicitou esclarecimentos ao Corpo de Bombeiros, que atendeu a ocorrência

Daniela Ceccon Florianópolis

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A Polícia Civil de Santa Catarina interditou a casa noturna UNDR Porão, em Florianópolis, após o chão da balada ceder durante a festa de inauguração, na madrugada do último sábado (5).

A interdição aconteceu nesta terça (8), e acompanha um despacho do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), que pediu formalmente explicações à administração do espaço. O texto questiona as condições estruturais da UNDR, além da lotação do ambiente e da conduta do Corpo de Bombeiros Militar, que atendeu a ocorrência e liberou a continuidade da festa.

Parte do chão de madeira cedeu no terraço da casa noturna após um vazamento de água – Vídeo: Janaína Ribeiro/Reprodução/ND

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De acordo com o delegado Gustavo Kremer, responsável pela Gerência de Fiscalização de Jogos, Diversões Públicas e Produtos Controlados da Polícia Civil, a interdição da balada se deu pela falta de alvarás de funcionamento, após a confusão do último sábado (5).

“O estabelecimento estava em regularização, mas teve um problema com o Corpo de Bombeiros quando o alvará foi cassado durante o evento da semana passada, por superlotação. Pra garantir a integridade física de todos, decidimos pela interdição até que seja regularizada toda a segurança do local” afirmou o delegado.

Despacho questiona casa noturna e entidades

O MPSC também tomou providências por conta da situação. Um despacho publicado nesta quarta-feira (9) pela 29ª promotoria de Justiça da Capital, solicita informações sobre o ocorrido durante a inauguração do estabelecimento. Além disso, pede à administração da balada, a apresentação de documentos que atestem a regularidade no local.

Trecho do despacho publicado pelo Ministério Público – Foto: MPSC/Reprodução/NDTrecho do despacho publicado pelo Ministério Público – Foto: MPSC/Reprodução/ND

No texto, o promotor Wilson Paulo Mendonça Neto, titular da pasta, determina o prazo de 15 dias para que a casa noturna se pronuncie à Justiça, encaminhando esclarecimentos sobre o rompimento do deck de madeira, e informando qual foi o protocolo de evacuação adotado na ocasião.

O despacho ainda determina a realização de uma vistoria da vigilância sanitária, “verificando se o ambiente está dentro de todas as normas de segurança exigidas, evitando uma situação de crise”.

A promotoria também enviou um ofício ao Corpo de Bombeiros Militar solicitando, em até 20 dias, um relatório completo do atendimento prestado na noite da ocorrência. Além disso, o MP questiona se os agentes tomaram as medidas de segurança cabíveis no local do vazamento.

Ofícios similares foram enviados à Polícia Militar, Vigilância Sanitária e ao Procon de Florianópolis,  que informou que vai realizar nos próximos dias, junto ao MP, uma fiscalização na casa noturna.

Deck de madeira que cedeu na madrugada de sábado já foi reformado pela casa noturna - Foto: UNDR Porão/Divulgação/NDDeck de madeira que cedeu na madrugada de sábado (5) já foi reformado pela casa noturna – Foto: UNDR Porão/Divulgação/ND

O que diz a UNDR

A administração da UNDR Porão afirmou à equipe do ND+ que, na última terça-feira (8), teve a casa interditada por conta da diminuição da lotação máxima da casa, solicitada pelo Corpo de Bombeiros.

“A mudança do número de pessoas permitidas (antes, 666) implica a necessidade da expedição de um novo alvará, mas hoje (09/08), já tivemos nosso alvará liberado com a atualização da lotação máxima. Portanto, com isso atualizado e o Habite-se aprovado pelo Corpo de Bombeiros, nossas atividades seguem normalmente” afirmou o gerente de Produções e Marketing da UNDR, Diego Quadros.

Além disso, a administração enviou uma nota oficial. Leia na íntegra abaixo:

“O despacho foi emitido devido à noticia divulgada no portal ND+ em relação ao incidente de sexta passada (04/08) em nosso terraço, afim de informar a necessidade de uma visita da agência sanitária para reafirmar o cumprimento das normas de segurança, evitando situações de crise e, também, solicitando esclarecimentos acerca do atendimento prestado no dia, assim como identificação dos bombeiros presentes, conferencia da regularidade das documentações referente às normas de segurança a serem respeitadas, especificando saídas de emergência e afins.

Prestaremos todos os esclarecimentos necessários ao Ministério Público de Santa Catarina, assim como fora feito com os órgãos de fiscalização e regulamentação que estiveram presentes no dia 04/08 após o ocorrido.

A nova visita da vigilância sanitária será bem-vinda para descartar qualquer indício de irregularidade e problemas de infraestrutura para o nosso funcionamento, afinal contamos alvará atualizado e Habite-se aprovado pelo Corpo de Bombeiros para que nossas atividades sigam normalmente.”

Já o delegado da Polícia Civil disse que a casa segue interditada até a apresentação completa dos documentos, o que ainda não teria acontecido.

“Ainda nos falta o alvará da Floram. Os documentos já foram enviados na semana passada, mas eles tem um prazo para emissão. Iremos até lá nesta quinta para verificar o motivo da demora” respondeu a administração da balada.

Relembre o caso

A confusão aconteceu já na madrugada de sábado (5). Segundo a administração da UNDR Porão, nova balada no centro de Florianópolis, parte do deck do terraço cedeu após um cano de água, até então desativado, estourar.

De acordo com presentes na festa, o evento seguiu normalmente após o local afetado ser isolado pela organização.

Festa de inauguração da nova balada ocorreu na última sexta (4), em Florianópolis – Foto: UNDR Porão/Facebook/Divulgação/NDFesta de inauguração da nova balada ocorreu na última sexta (4), em Florianópolis – Foto: UNDR Porão/Facebook/Divulgação/ND

De acordo com o 4º BPM (Batalhão de Polícia Militar), que atendeu a ocorrência após denúncias de superlotação, todo o local foi vistoriado pelos policiais e agentes do Corpo de Bombeiros, que não encontraram nenhuma irregularidade nos alvarás de funcionamento.

Não houve feridos. O terraço passou por reformas e foi liberado ainda no sábado (5).

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