Polícia detalha operação contra fraude que gerou prejuízo milionário ao Samae Blumenau

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (5) a "Operação Limpeza Geral", que investiga uma organização criminosa especializada em fraudes de licitação; Samae Blumenau se manifestou por meio de nota

Foto de Redação ND

Redação ND Blumenau

Receba as principais notícias no WhatsApp

Uma investigação da Polícia Civil revelou um prejuízo milionário aos cofres do Samae Blumenau (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto).

A “Operação Limpeza Geral” mirou nesta terça-feira (5) uma suposta organização criminosa especializada em fraudes de licitação e desvio de dinheiro público. Em nota, a autarquia afirmou que todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas.

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (5) a "Operação Limpeza Geral", que investiga uma fraude em licitação no Samae BlumenauFraude de licitação pode ter gerado prejuízo milionário ao Samae Blumenau, diz polícia – Foto: Moisés Stuker/NDTV

Agentes das Unidades da DEIC (Divisão Estadual de Investigação Criminal), CECOR (Coordenadoria das Delegacias de Combate à Corrupção) e a 3ª Delegacia Regional de Polícia Civil, esclareceram o andamento da investigação em uma coletiva de imprensa nesta manhã.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

A investigação teve início a partir de um inquérito civil público, recebido pela polícia com informações sobre um possível superfaturamento nos serviços de limpeza e roçada.

Conforme a Polícia Civil, em março de 2021, o Samae de Blumenau fez uma licitação para contratar uma empresa especializada em roçada e limpeza geral de áreas externas dos imóveis da autarquia em Blumenau.

“A gente percebeu que além dessa empresa, outras duas apresentaram propostas muito próximas uma das outras. A partir do momento que essas empresas passaram para a segunda fase dessa licitação, ambas desistiram, favorecendo essa empresa que agora está sendo investigada. As duas empresas que desistiram não reuniam condições técnicas para atender o edital. Elas entraram na licitação sabendo que iam perder. Ou seja, elas só apresentaram as propostas muito baixas, desclassificaram todas as outras e deram então o início de contratação da empresa, que depois começou esse esquema de superfaturamento”, explicou o delegado André Beckman.

A companhia teria superfaturado o valor dos serviços prestados, conforme o delegado André Beckman, informando a metragem maior do que a realidade de cada terreno em que os serviços eram prestados.

“O imóvel foi medido por uma arquiteta da Polícia Civil. O terreno tinha no máximo 832 m², sendo que o Samae pagava 1500 m², chegou a pagar 3 mil m² nesse terreno, então é um incremento que não tem como explicar. A gente entendeu que houve o superfaturamento, desvio de dinheiro público com participação do servidor que expede a ordem de serviço e do servidor que deveria fiscalizar e não fiscalizou”, disse.

Desta forma, as vantagens supostamente ilícitas recebidas pela empresa prestadora de serviço ultrapassam R$ 100 mil por mês. O superfaturamento teria começado em setembro de 2021, quando houve a troca do fiscal da execução do serviço. “A gente entendeu que essa empresa tinha faturamento médio, pelo menos até setembro de 2021, entre R$ 130 mil a R$ 220 mil. Só que antes da entrada do fiscal, que agora se encontra preso temporariamente, esse rendimento era de no máximo R$ 80 mil”.

Mandados de prisão temporária foram cumpridos

Ao longo da operação, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e 22 mandados de busca e apreensão domiciliar. As autoridades ainda fizeram o sequestro de veículos e imóveis no valor aproximado de R$ 1,9 milhões.

Um servidor responsável pela fiscalização e quatro empresários foram presos. A Polícia Civil informou que três servidores da autarquia foram afastados até o fim da investigação de forma cautelar pela Justiça, incluindo o diretor-presidente. De acordo com o Delegado André Beckman, não existem elementos de que o diretor-presidente tinha conhecimento sobre o esquema criminoso. A investigação segue em andamento pela Polícia Civil.

O que diz o Samae Blumenau?

Procurada pela reportagem do Portal ND+, a assessoria de comunicação do Samae Blumenau afirmou por meio de nota que a administração municipal acatou o pedido da Polícia Civil de suspensão temporária da função do diretor-presidente do Samae. Além disso, determinou a abertura de um procedimento interno para esclarecer todos os fatos.

Confira a nota na íntegra:

“Com relação a operação realizada na manhã desta terça-feira, dia 9, pela Polícia Civil, a Prefeitura de Blumenau, por meio do Samae, informa que todas as medidas cabíveis para esclarecer as notícias estão sendo tomadas.

A Prefeitura ainda não recebeu nenhuma informação oficial sobre os fatos investigados. Mesmo sem decisão judicial de afastamento, acata-se o pedido da Polícia Civil de suspensão temporária da função do diretor-presidente do Samae.

Com a suspensão da função do diretor-presidente, o diretor administrativo-financeiro, Henrique Carlini, assume interinamente o comando do Samae. Ainda nesta terça-feira os serviços com a empresa investigada serão suspensos. Além disso, determinou-se um procedimento interno no âmbito do Samae, com apoio da Controladoria do Município, para esclarecer todos os fatos quando estes forem recebidos de forma oficial”. 

Tópicos relacionados