A Polícia Civil de Balneário Camboriú investiga a ameaça sofrida pelo jornalista Leandro Demori, editor-executivo do The Intercept Brasil. Ele denunciou que foi perseguido e ameaçado por um homem em Balneário Camboriú, enquanto passava férias com a família, no último domingo (9).
Polícia investiga ameaça contra jornalista do The Intercept Brasil e família em passeio em SC – Foto: Alice Vergueiro/Abraji/Divulgação/NDO delegado responsável pelo caso, David Queiroz, não deu detalhes da investigação, que poderiam “atrapalhar” o processo. A Polícia Militar identificou o suspeito de fazer a ameaça, usando imagens das câmeras de segurança do comércio onde o caso aconteceu.
Demori comentou sobre o caso nas redes sociais. Ele contou que estava passeando distraído com o filho, de 3 anos, e esposa no último domingo (9). Quando estava saindo de um comércio, um homem que também estava no local, o seguiu, tocou o ombro do jornalista e disse: “se liga que a vida do teu filho depende de ti”.
Seguir“Estou em férias. O meliante, um clássico ‘cidadão de bem’, achou por bem perseguir e intimidar um pai e uma mãe que passeavam distraídos com uma criança de 3 anos em um carrinho de bebê. Estamos bem, depois do susto”, comentou Demori.
Leandro Demori denunciou perseguição em Balneário Camboriú – Foto: Reprodução/InternetO jornalista coordenou a série de reportagens chamada “Vaza Jato”, que repercutiu internacionalmente. Ele é catarinense, natural de São Miguel do Oeste.
Esta não é a primeira vez que o jornalista é ameaçado. Desde 2019, Demori anda com seguranças e a ONU (Organização das Nações Unidas) recomendou ao governo brasileiro que ofereça medidas protetivas ao jornalista depois da publicação da série de reportagens da “Vaza Jato”
Repúdio
A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) emitiu uma nota repudiando a ameaça sofrida pelo jornalista. “O trabalho jornalístico está sujeito ao escrutínio da sociedade, mas é preocupante a escalada da agressividade direcionada aos profissionais em razão do trabalho que realizam de informar, apurar e fiscalizar o poder público, as figuras de interesse público e as instituições”, cita a nota.
A associação ainda comentou sobre a rapidez na localização do suspeito e informou que monitora essas ameaças e ofensas em todo o país. “A PM foi rápida em identificar o suspeito e a Abraji espera que todo o caso seja apurado com rigor e rapidez em Santa Catarina. A entidade se solidariza com Demori e sua família e com os profissionais de imprensa que têm sofrido ataques por seu trabalho, sejam eles desferidos por agentes públicos do alto escalão ou por anônimos nas ruas. A Abraji acompanha e monitora essas ameaças e ofensas em todo o país”, finaliza.