Polícia investiga carta enviada a UFSC com mensagens de ódio contra negros, gays e feministas

Caso está sendo apurado pela mesma delegacia que identificou célula neonazista em SC; UFSC diz que colabora com investigações

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A Polícia Civil de Santa Catarina investiga uma carta enviada à UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) na semana passada contendo mensagens de ódio contra gays, feministas, negros e asiáticos. A polícia verifica a procedência das informações.

Polícia investiga carta enviada a UFSC com mensagens de ódio contra gays, feministas e negros – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDPolícia investiga carta enviada a UFSC com mensagens de ódio contra gays, feministas e negros – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/ND

O caso é apurado pelo delegado Arthur Lopes, da Delegacia de Repressão ao Racismo e a Delitos de Intolerância da DEIC (Diretoria Estadual de Investigações Criminais), que também está à frente da investigação que identificou uma célula neonazista em Santa Catarina.

A carta foi impressa e é assinada como SS, abreviação de Schutzstaffel, que foi a organização policial de proteção do Estado nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

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O texto da carta fala em destruição de “gays, negros, mulheres feministas, gordas, amarelos” e em “limpar a universidade […] fazendo um mundo melhor para os filhos e netos”. A mensagem diz ainda que a polícia não os intimida.

Também na semana passada, uma pichação com símbolo nazista e frase anti-semita foi encontrada dentro de um dos banheiros do campus da UFSC em Joinville.

O que diz a UFSC

Em nota, a UFSC informou que “está encaminhando à Polícia Civil todos os casos de nazismo e racismo que ocorrem nas dependências da instituição, uma vez que se tratam de crimes.”

Ressalta que está colaborando com as investigações e que todos os episódios criminosos são apócrifos (suspeitos) e registrados em locais sem acesso ao monitoramento por câmeras por questões de privacidade, como sanitários.

Reforça ainda que se houver identificação de algum estudante ou servidor envolvido, dispõe de mecanismos para a imposição de penalidades.

Veja a nota da UFSC na íntegra:

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está encaminhando à Polícia Civil todos os casos de nazismo e racismo que ocorrem nas dependências da instituição, uma vez que se tratam de crimes. O procedimento segue orientação do próprio delegado que está investigando o caso da célula neonazista identificada em Santa Catarina, cujo inquérito transcorre em sigilo.

Internamente, a Universidade está registrando e mapeando todos esses episódios e pretende se manifestar no momento em que houver divulgação pela própria Polícia Civil. Ao mesmo tempo, a UFSC está colaborando com as investigações por todos os meios à sua disposição, como imagens de câmeras de circuito interno.

A UFSC ressalta que todos os episódios criminosos são apócrifos e registrados em locais sem acesso ao monitoramento por câmeras por questões de privacidade, como sanitários. No entanto, reforça que se houver identificação de algum estudante ou servidor envolvido, dispõe de mecanismos para a imposição de penalidades.

No caso de estudantes, o Regime Disciplinar do Corpo Discente, contido na Resolução Normativa 17/Cun/97, prevê penalidades que podem chegar ao desligamento do aluno. E no caso de servidor, as punições cabíveis estão na Lei 8.112/90, que institui Regime Jurídico Único dos servidores públicos federais.

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