Polícia investiga morte de criança em hospital de SC

James Antônio Fucks tinha seis anos e morreu na sexta-feira (16) depois de procurar atendimento por quatro dias seguidos

Foto de Drika Evarini

Drika Evarini Joinville

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A morte do pequeno James Antônio Fucks está sendo investigada pela Polícia Civil de São Francisco do Sul, no Norte de Santa Catarina. O menino de seis anos morreu na sexta-feira (16), depois que a família procurou atendimento durante quatro dias seguidos após sofrer um acidente na escola. De acordo com a família, ele bateu com o peito em uma trave de futebol e ao cair bateu a cabeça. Isto foi na terça-feira (13). No dia 16, morreu no Hospital e Maternidade Municipal Nossa Senhora da Graça.

James Antônio Fucks tinha apenas 6 anos e morreu no final da tarde de sexta-feira (16) – Foto: Reprodução/Redes SociaisJames Antônio Fucks tinha apenas 6 anos e morreu no final da tarde de sexta-feira (16) – Foto: Reprodução/Redes Sociais

Além da investigação da Secretaria de Saúde, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas da morte do garoto. A acusação é de que o hospital tenha negligenciado o atendimento do menino. A causa da morte ainda não foi definida e, de acordo com o delegado Weydson da Silva, o IML (Instituto Médico Legal) deve encaminhar o laudo cadavérico “o mais breve possível”. “Solicitei algumas informações adicionais e espero recebe-las todas em uma mesma oportunidade”, explica.

Além disso, o delegado solicitou o histórico do atendimento e prontuários serão entregues à Delegacia de Polícia até a terça-feira (20). O delegado conta, ainda, que a mãe de James pode ser ouvida na tarde desta segunda-feira se estiver em condições emocionais, caso contrário, ela deve prestar depoimento na terça-feira. A polícia solicitou, ainda, informações ao Conselho Tutelar e à escola em que o menino estudava.

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“O menino poderia estar vivo. Eles nem querem voltar para casa”

As lembranças são de um menino alegre, que corria pelo quintal brincando com o cachorro e com o irmão, de oito anos. James Antônio Fucks completaria sete anos no dia 17 de outubro, mas não teve tempo de comemorar o sétimo aniversário. Caçula de uma família simples, ele morreu na sexta-feira (17), no Hospital e Maternidade Municipal Nossa Senhora da Graça, depois de ser levado outros três dias para ser atendido, com dores no peito.

James faria sete anos no dia 17 de outubro – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação NDJames faria sete anos no dia 17 de outubro – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação ND

Uma vizinha, que prefere não se identificar, conta que a família é simples, não tem sequer energia elétrica em casa e que nem por isso deixava o menino em más condições. “São uma família simples, com uma casa de duas peças e tudo sempre muito limpo, o quintal, tudo. Eles sempre estavam cuidando das crianças, nunca vi brigar, bater, nada”, fala.

Ela conta que, na casa, moravam James, o irmão de oito anos, outro de 14 anos, a mãe e o padrasto. Ele tinha, ainda, um irmão de 16 anos que mora com outra família. O pai de James não mora em São Francisco do Sul.

A vizinha relata que a mãe de James o levou ao hospital já na madrugada de quarta-feira (14), depois que o garoto reclamou de dores no peito. “Não sei porque ela não veio aqui e pediu para levarmos eles, deve ter ficado com vergonha porque era madrugada, ela foi a pé, com ele que mal conseguia andar”, diz.

E a ida ao hospital se repetiu. Na quinta-feira (15), afirma a vizinha, uma radiografia chegou a ser realizada no menino, mas ele foi liberado sem sequer o resultado e com uma receita para medicação.

“Mandaram para casa porque disseram que demoraria muito. Ele tinha que ficar no hospital, em observação. Como o médico não viu isso? Meu marido disse que ele não estava nem branco, estava cinza, não conseguia nem andar. Só deram um remédio. Eles não tinham nem dinheiro para comprar o remédio. Não deram o devido valor. Foi negligência sim e alguém precisa pagar por isso. Sei que o menino não volta, mas isso não pode acontecer com outras crianças.”, ressalta.

Ela conta, ainda, que a família não voltou mais para a casa. “Eles não conseguem, só choram, vieram pedir para dar comida para o cachorro, mas não conseguem voltar para casa, imagina a dor da família”, fala. “Eu quero justiça para o menino, houve negligência e alguém precisa pagar por isso. O menino poderia estar vivo, se o médico tivesse dito que não tinha estrutura, que era melhor levar para Joinville, teríamos levado na hora”, complementa.

James foi sepultado na manhã de domingo (18), em São Francisco do Sul. A comunidade organizou um protesto em frente ao hospital.

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