Polícia investiga possível alteração em laudos da água de Itajaí

OAB solicitou que a distribuição de água em pontos da cidade fosse parada depois de um laudo acusar que havia "gordura humana" na água. Segundo a autarquia, a análise foi manipulada

Kassia Salles Itajaí

Receba as principais notícias no WhatsApp

A Polícia Civil de Itajaí investiga uma possível alteração em um laudo usado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), subseção de Itajaí, para ordenar que o Semasa (Serviço Municipal de Água, Saneamento Básico e Infraestrutura) cessasse a distribuição de água de poços. O laudo aponta que a água estava contaminada por “restos mortais”.

Segundo o delegado Sergio Roberto de Sousa, o inquérito policial foi instaurado e todos os envolvidos serão ouvidos. O IGP (Instituto Geral de Perícia) vai fazer a coleta da água para a perícia, que será anexada no processo. “Nós temos aqui, a princípio, um crime de falsidade ideológica”, aponta o delegado.

Semasa distribui a água de poços desde que a barragem rompeu, causando altos níveis de salinidade. – Foto: Divulgação/SemasaSemasa distribui a água de poços desde que a barragem rompeu, causando altos níveis de salinidade. – Foto: Divulgação/Semasa

Ao delegado, o responsável pelo laboratório contratado confirmou que algumas pessoas pediram para inserir informações falsas no laudo da água.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Três pessoas já foram ouvidas, e na segunda-feira (9) mais envolvidos e suspeitos devem ser ouvidos. O inquérito policial deve ser concluído em até 30 dias.

O laudo alega que a água distribuída nos pontos do Semasa, depois que a barragem Rio Itajaí-Mirim foi rompida e a água da rede passou a vir salgada, estava contaminada por “restos mortais de seres humanos”. A água distribuída nestes pontos vinha de um poço na Praia Brava, próximo a um cemitério. “Por si só, leva a uma conclusão sumária de que o lençol freático está contaminado”, alega o ofício da OAB.

Na última sexta-feira (30), a instituição encaminhou um ofício ao diretor geral da autarquia, Diego da Silva, solicitando que a distribuição da água fosse cessada.

O laudo anexado no ofício foi solicitado por populares e a amostra foi coletada pelo próprio solicitante e não pelo laboratório contratado.

Trecho da notícia-crime protocolada na Polícia Civil. – Foto: Reprodução/NDTrecho da notícia-crime protocolada na Polícia Civil. – Foto: Reprodução/ND

Na notícia-crime protocolada na Polícia Civil, a autarquia alega que o proprietário do laboratório informou que as amostras de água chegaram em dois recipientes: um com um litro de água e outro com 150 ml.

O recipiente menor, rotulado “caixa nossa senhora das graças”, passou por análise e estaria potável. Depois, o solicitante pediu que a água potável não seja incluída no laudo, apenas a do outro recipiente.

“O Semasa está firme contra as notícias falsas levantadas”, alega o diretor geral da autarquia, Diego da Silva. Em resposta à OAB, o Semasa enviou relatórios de ensaio que mostram que a água estaria dentro dos padrões exigidos pelo Conama.

Em nota, a OAB alega que cumpre seu papel institucional e que recebe frequentemente denúncias da comunidade sobre diversos assuntos.

Confira a nota da OAB na íntegra:

“A Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção de Itajaí, informa que tomou conhecimento das acusações infundadas contra a instituição e seu presidente através da imprensa. Repudia veementemente todas as acusações e informa que cumpriu o seu dever de levar ao conhecimento dos órgãos competentes a denúncia recebida para apuração.

A OAB Subseção de Itajaí não tem qualquer interesse em prejudicar quem quer que seja, não conhece as pessoas citadas nas acusações, apenas comunicou os interessados (Semasa, Ministério Público, Instituto Itajaí Sustentável e Prefeitura) sobre os fatos.

É de conhecimento de todos, que a OAB não efetuou nenhum julgamento prévio. A OAB Subseção informa que continuará defendendo os interesses da comunidade e será a porta-voz da sociedade quando for provocada.

Da mesma forma, a OAB tomará as medidas necessárias administrativas e judiciais cabíveis contra os fatos a ela imputados.”

Tópicos relacionados