Uma grande quantidade de remédios foi apreendida na casa onde Bianca Mendonça de Castro sofreu um suposto mal súbito, em Palhoça, na Grande Florianópolis. A morte da jovem de 25 anos, no dia 29 de agosto de 2019, foi registrada, inicialmente, como morte natural.
Bianca Mendonça de Castro – Foto: Facebook/Reprodução/NDOs remédios foram apreendidos durante a investigação da DIC (Divisão de Investigação Criminal) de Palhoça, que levou à prisão temporária do companheiro dela, de 52 anos, pelo crime de feminicídio, no dia 25 de setembro. Ele não teve o nome divulgado.
Os medicamentos foram catalogados e serão comparados ao laudo toxicológico, que poderá apontar a presença de substâncias tóxicas no corpo da vítima, que passou por autópsia no IML (Instituto Médico Legal).
SeguirO laudo cadavérico ainda não foi finalizado, pois aguarda a conclusão de exames complementares, entre eles o toxicológico.
O resultado deste laudo, segundo a delegada Raquel Freire, que está à frente das investigações, é essencial para indicar as substâncias presentes no corpo de Bianca.
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“Esse laudo pode trazer indícios relevantes, pois ainda que a morte tenha sido causada por uma parada cardíaca ou respiratória, é necessário que a gente saiba qual a origem disso, e o toxicológico trará essa informação”, diz a delegada.
O corpo de Bianca já foi liberado para a família. O IGP (Instituto Geral de Perícias) não soube informar quando os laudos serão finalizados.
Morte ‘natural’
O registro como morte natural partiu do próprio companheiro da vítima, de 52 anos, que está preso temporariamente na Penitenciária de Florianópolis. Ele, inclusive, foi quem acionou o Samu e informou o caso à polícia e aos familiares.
Segundo o companheiro, Bianca teria espumado pela boca e sofrido uma convulsão durante a madrugada. Equipe do Samu constatou a morte dela no local da ocorrência.
Segundo a delegada Raquel, a polícia iniciou a investigação com o objetivo de esclarecer o que teria acontecido.
Além disso, o primeiro depoimento do companheiro de Bianca teria apresentado inconsistências com relação ao depoimento de outras testemunhas.
Familiares relataram à delegada que havia a intenção da vítima de se separar do marido, por conta de discussões e brigas. O casal estava junto há seis anos e não tinha filhos.
Investigação
A DIC espera finalizar o inquérito antes do término do prazo da prisão temporária do companheiro de Bianca. A conclusão do inquérito depende, ainda, da finalização dos laudos.
Na delegacia após a prisão, o marido da vítima teria dado uma versão diferente do primeiro depoimento, ainda como testemunha.
Ele narrou que, na noite da morte de Bianca, houve uma discussão e que o desentendimento entre eles durava já algumas semanas.
Agentes do Samu que atenderam a ocorrência também compareceram à delegacia. Detalhes dos depoimentos não foram divulgados pela polícia.
Durante as diligências, além da apreensão na casa do casal e a coleta de depoimentos, foi solicitada à Justiça a quebra do sigilo telefônico, imagens e gravações que possam auxiliar no caso.
Conforme o decorrer das investigações e a finalização do inquérito policial, a prisão temporária do companheiro da vítima poderá ser convertida para prisão preventiva.