Os prontuários de mais de 20 mulheres atendidas em diferentes hospitais do Rio de Janeiro pelo médico Giovanni Quintella Bezerra foram solicitados pela Polícia Civil. O anestesista foi preso pelo estupro de uma paciente que passava por uma cesariana.
Momento da prisão em de Giovanni – Foto: Reprodução Vídeo/NDDe acordo com a delegada Bárbara Lomba, além de atuar no Hospital da Mulher, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde o crime foi filmado por profissionais da enfermagem, Quintella prestava serviços no Hospital da Mãe, em Mesquita, e no estadual Getúlio Vargas, na Penha, zona Norte da capital.
Nesta quarta-feira (13), a polícia entregou o celular utilizado para flagrar o estupro e pedaços de gaze que podem conter material genético do médico ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli, para a realização de perícia.
SeguirApós a primeira denúncia, feita por funcionários do hospital que desconfiavam da conduta de Giovanni, a Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher) passou a apurar outros cinco casos de possíveis crimes cometidos pelo anestesista contra outras pacientes.
Até o momento, a polícia já ouviu três mulheres que foram atendidas por Giovanni. Ao menos duas declararam ter sido dopadas durante o procedimento. Os agentes investigam se o médico usava quantidade excessiva ou até desnecessária de anestesia para cometer os abusos.
Lomba espera colher, ainda, os depoimentos da vítima que teve o estupro filmado e de seu marido. A mulher já teve alta e está ciente do que ocorreu, de acordo com a polícia.
Sedações “excessivas e desnecessárias”
A delegada Bárbara Lomba disse na terça, que a sedação que o médico aplicava nas parturientes era “excessiva e desnecessária”. De acordo com a delegada “muito provavelmente” Quintella aplicava sedação em excesso nas pacientes para poder abusar delas.
“A sedação pareceu desnecessária, ao final do procedimento. A vítima não estava nervosa nem agitada. Tudo indica que era feita para a prática do estupro”, afirmou.
Bárbara investiga se as sedações desnecessárias, ou em doses excessivas que possam ter causado prejuízo às vítimas, foi praticada outras vezes. Caso isso fique constatado, Quintella será responsabilizado por outros crimes. “Aí vamos avaliar qual seria o tipo penal”, disse a delegada.
A delegada voltou a afirmar que, pelo método utilizado por Quintella para abusar das mulheres na mesa de cirurgia, ele pode ser classificado como um criminoso em série. “Pela repetição das ações criminosas podemos dizer, por que não?, que ele é um criminoso em série”, afirmou.
Paciente sedada não conheceu bebê
No dia 5 deste mês, pouco depois das 16h, uma vendedora de 23 anos saiu da Posse, em Nova Iguaçu, em direção ao Hospital da Mulher Heloneida Studart, em Vilar dos Teles, em São João de Meriti, onde daria luz aos filhos gêmeos.
Horas depois de chegar à unidade de saúde, nasceu um dos bebês, Daniel, de parto normal. No entanto, ela teve que fazer uma cesariana para o nascimento do outro filho.
Ela conta que o anestesista da cirurgia foi o médico Giovanni Quintella Bezerra. A jovem diz que foi tão dopada que não conseguiu assistir ao parto do filho nem conhecer o bebê, que morreria um dia depois.
A mulher registrou um boletim de ocorrência na Deam contra o médico. A família afirma que a vendedora saiu da sala de parto com o rosto branco, e acredita que tratava de sêmen que pode ser de Giovanni. Nesta terça-feira (12), ela resolveu quebrar o silêncio e mostrar o rosto. Ela acredita que com isso outras pessoas virão a público e denunciarão o médico.
“Eu estava grávida de gêmeos. Entrei em trabalho de parto por volta das 17h. Lá eles me disseram que eu estava em trabalho de parto e não viria mais embora. Como os bebês eram prematuros, me deram um remédio. Às 23h, o médico viu que o bebê estava coroando. O meu primeiro filho nasceu normal e foi bem tranquilo. Quando era para o segundo bebê nascer, eles disseram que não tinha condições de ele nascer de parto normal e teria que ser cesária. Eles disseram que a gente corria risco de vida”, conta a mulher, que completa:
“Fui levada para uma outra sala, e os funcionários ficaram desesperados. Pelo tempo de demora, eles ligaram para o anestesia, esse monstro, para que ele viesse me dar a anestesia. Isso já era mais de 1h do dia 6. Eu fiquei sentido dor e eles disseram que o bebê não nasceria. Ele veio, me deu uma RAC na coluna e um remédio no braço. Em seguida, comecei a sentir muito sono. Ele sempre atrás da minha cabeça, com o pano, e eles tentando achar a criança. Ninguém achava a criança. Eles me cortaram de todas as formas.”
Prisão
Giovanni foi preso no domingo (10), após a polícia ser acionada pela direção do Hospital da Mulher, que teve acesso ao vídeo gravado pelas funcionárias.
Nesta terça, ele teve a prisão em flagrante convertida para preventiva durante audiência de custódia e foi transferido para a cadeia de Bangu 8, na zona oeste do Rio, onde teria sido hostilizado pelos outros detentos. No momento, ele está sozinho em uma cela, de acordo com a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária). Com informações do R7, Correio Braziliense e portal Extra.