O inquérito policial que apurava as circunstâncias da queda da ponte pênsil foi concluído sem indiciamentos. A estrutura, que ligava Passo de Torres (SC) a Torres (RS), caiu e resultou na morte de Brian Grandi.
Uma série de irregularidades foram encontradas na estrutura da ponte- Foto: Divulgação/NDO acidente aconteceu durante o Carnaval, na madrugada do dia 20 de fevereiro deste ano. O jovem voltava de uma festa no lado catarinense quando um dos cabos de sustentação da ponte se rompeu.
Segundo a polícia, nos arredores da estrutura havia placas informando a capacidade máxima de 20 pessoas. Porém, no momento da queda, estima-se que mais de 35 pessoas estavam passando pelo local e pulando sobre a ponte.
Seguir“A Polícia Civil não identificou responsabilidade subjetiva por parte de algum agente público ou particular na queda da ponte e que, através de sua conduta ou omissão, por si só, tivesse dado causa ao acidente, encaminhamos o inquérito policial a juízo, sem indiciamento”, apontou o documento.
Irregularidades na estrutura
A investigação apontou que o cabo principal rompeu na margem sul (Torres), junto ao pilar esquerdo. A análise visual mostrou ainda que o cabo estava em um estado avançado de corrosão ou oxidação.
“Foi possível observar o adelgaçamento de arames que o compõem, inclusive com ruptura de arames externos. Também foi observado o afastamento entre as pernas do cabo, reduzindo a capacidade de sustentação de carga na ponte”, apontou o inquérito.
Além disso, os grampos leves de fixação dos cabos estavam corroídos, incompatíveis com a norma, que exige grampos pesados. O inquérito concluiu que não havia devida manutenção na estrutura.
Um laudo pericial, confeccionado pela delegacia do Rio Grande do Sul, evidenciou os mesmos problemas estruturais encontrados pelos profissionais do Estado.
Porém, não foi possível afirmar que o acidente teria acontecido caso tivesse apenas 20 pessoas no local, mesmo com irregularidades na estrutura.
Já a administração municipal afirma que fazia apenas manutenções corretivas, porém em 2015 e 2021, houve tentativas de revitalizar a estrutura, por meio de convênio, mas sem sucesso.
Jovem morreu afogado
Natural de Caxias do Sul, Brian Grandi, de 20 anos, morava em Torres há poucos meses e foi até Santa Catarina passar o Carnaval com amigos na noite de domingo (19).
O jovem não sabia nadar- Foto: Internet/Reprodução/NDEle transitava pela ponte no momento em que o cabo se rompeu, outras pessoas que estavam no local tiveram ferimentos leves. O jovem não sabia nadar.
O corpo de Brian foi encontrado na manhã de quinta-feira (23), na orla da Praia Azul, em Passo de Torres. A Polícia Científica confirmou a morte como asfixia por afogamento.
Durante a investigação, 35 pessoas que estavam na ponte no momento do acidente foram ouvidas. Elas sofreram ferimentos leves.
Ponte será reconstruída
Em maio deste ano, foi anunciada a liberação de recursos a Passo de Torres para a reconstrução da ponte. O valor estimado para a obra é de R$ 750 mil e a prefeitura acredita que ela possa estar pronta até o verão.
“A expectativa é de que, com a conclusão das obras, vamos recuperar a mobilidade e possamos retomar suas atividades de forma plena e segura. Estou muito feliz com esta conquista, lutei muito por isso, quero que a comunidade volte a se beneficiar com a ponte”, disse o prefeito Valmir Rodrigues.