Foi desmontada nesta sexta-feira (24) parte da estrutura da ponte pênsil que caiu e causou a morte um jovem na madrugada de segunda-feira (20), no município de Passo de Torres, Sul catarinense. A ponte faz divisa com o Rio Grande do Sul.
Momento em que estrados da ponte são desmontados – Foto: Divulgação/NDConforme a prefeitura da cidade, foram retirados os estrados de madeira da ponte. Os cabos de aço não removidos, pois devem passar por uma nova perícia.
A retirada de parte da estrutura foi realizada após pedidos dos pescadores. A prefeitura informou que os estrados de madeira que estavam caindo atrapalhavam o fluxo de embarcações, portanto, foi retirada.
SeguirAtualmente, a cidade possui uma outra ponte que dá acesso ao outro lado do Rio Mampituba, na cidade de Torres (RS). Esta, porém, é destinada à circulação de veículos.
Momento em que estrados da ponte são desmontados – Foto: Divulgação/NDReconstrução
A prefeitura afirma que há interesse em construir ou reconstruir a estrutura no local. Porém, o trabalho ainda não foi definido e não há informações sobre formato da ponte ou datas.
O governo municipal comenta que, caso seja de fato realizada a reconstrução da ponte, os trabalhos devem ser feitos após as investigações sobre o acidente, que estão sendo realizadas pelas polícias Civil e Científica.
Acidente com queda da ponte
O incidente ocorreu na madrugada de segunda-feira (20), por volta das 2h50, quando um dos cabos de sustentação da ponte pênsil cedeu, enquanto um grupo atravessava a estrutura.
Imagens que flagraram o momento sugerem que havia aglomeração no local. Além disso, jovens aparecem se balançando e pulando sobre a ponte, o que é proibido por placas. Conforme apurado, alguns deles retornavam de uma festa de Carnaval, em Passo de Torres.
Momento em que a ponte entre SC e RS se rompe – Vídeo: Internet/Reprodução/ND
O jovem Brian Grandi, de 20 anos, caiu da ponte pênsil e morreu vítima de asfixia por afogamento. O corpo do jovem foi encontrado na quinta-feira (23), na orla da Praia Azul, no município catarinense.
“Ponte deveria estar interditada”
O delegado listou uma série de irregularidades observadas na ponte que podem ter provocado o acidente, como corrosão excessiva, diferença de ancoragem entre os lados, falta de controle de pessoas, entre outros.
“Conversando com os peritos, já percebemos diversos problemas estruturais que indicam que a ponte não deveria estar operando, porque o risco de queda, independentemente, do excesso de pessoas ou mau uso era iminente. A ponte deveria ter sido interditada”, afirmou.
Ainda segundo ele, há cerca de 60 dias houve um outro incidente no local: um barco de pesca ficou preso na estrutura da ponte. “Isso deve ter gerado alguma abalo estrutural, mas foi liberada. É prudente que tivesse sido interditada. Poderia ter sido bem pior”, explicou.
Segundo a Prefeitura de Passo de Torres, serviços de manutenção dos cabos de sustentação das cabeceiras e a troca de pranchas de madeira eram feitos com frequência.
A administração municipal também informou que houve uma manutenção preventiva três dias antes do ocorrido, com reparo nos cabos, tirantes, tela e estrados.
“Não tínhamos relatos nem sinal que houvesse algum tipo de dano na estrutura que gerasse um acidente dessa natureza. O que se percebe é que foi uma sobrecarga no número de pessoas”, disse, em entrevista, o prefeito de Torres, Carlos Souza, no dia do acidente.
Os bombeiros estimam que mais de 50 pessoas passavam pela ponte quando um dos cabos rompeu, porém, conforme a prefeitura, a capacidade máxima era de 20 pessoas por vez.