‘Precaução’: palestinos em Gaza usam pulseiras para identificar parentes no meio dos mortos

Famílias adotaram o uso de pulseiras em Gaza para evitar que parentes sejam enterrados em valas comuns; conflito entre Hamas e Israel já matou mais de 6,5 mil pessoas

Daniela Ceccon Florianópolis

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No meio do desespero, vale de tudo para evitar o esquecimento. Pelo menos é isso que famílias de palestinos na Faixa de Gaza estão fazendo.

Eles adotaram o uso de pulseiras com nomes para identificar parentes e evitar que, em caso de bombardeios, os familiares sejam enterrados em valas comuns.

Famílias reconhecem corpos de parentes mortos na Faixa de Gaza após conflitos - Foto: AFP/Divulgação/NDFamílias reconhecem corpos de parentes mortos na Faixa de Gaza após conflitos – Foto: AFP/Divulgação/ND

Os bombardeios na região já causaram a morte de mais de 6.500 pessoas desde o início da contraofensiva israelense. As informações são do portal R7.

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‘Desespero’

Com tantos cadáveres, os palestinos em Gaza estão enterrando os mortos não identificados em valas comuns, com um número em vez de um nome, segundo os moradores.

Agora, algumas famílias apelaram ao uso de pulseiras de identificação, na esperança de encontrar entes queridos caso eles sejam mortos.

Um homem contou que decidiu dividir sua família para evitar que todos morressem em um único ataque.

A esposa manteve dois filhos e duas filhas na cidade de Gaza, no norte, enquanto ele se mudou para Khan Younis, no sul, com três filhos.

Ele também comprou pulseiras de cordão azul para os membros da família e amarrou-as em ambos os pulsos.

“Se algo acontecer”, disse ele, “dessa forma eu os reconhecerei”.

Outras famílias palestinas também estavam comprando ou fazendo pulseiras para os filhos ou escrevendo o nome deles nos braços.

Enterros em massa em Gaza

Os enterros em massa foram autorizados por clérigos muçulmanos locais.

Antes do sepultamento, os médicos guardam fotos e amostras de sangue dos mortos e lhes dão números.

756 palestinos, incluindo 344 crianças, foram mortos nas últimas 24 horas, informou o Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo grupo terrorista Hamas.

Criança atingida durante ataque a hospital no sul de Gaza – Foto: Mahmud HAMS/AFP/Divulgação/NDCriança atingida durante ataque a hospital no sul de Gaza – Foto: Mahmud HAMS/AFP/Divulgação/ND

O órgão acrescentou que pelo menos 6.546 palestinos foram mortos pelos bombardeios israelenses desde 7 de outubro, entre eles 2.704 crianças.

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