PRF pede demissão de agente de SC por aula sobre ‘câmara de gás’

Técnica descrita pelo agente de SC em aula de 2016 é semelhante à que vitimou Genivaldo de Jesus Santos; pedido está sendo avaliado pelo Ministério da Justiça

Foto de Felipe Bottamedi

Felipe Bottamedi Florianópolis

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A Corregedoria da PRF (Polícia Rodoviária Federal) pediu a demissão do agente Ronaldo Bandeira, lotado em Santa Catarina, ao Ministério da Justiça. O pivô do processo é um vídeo no qual Bandeira, também professor de cursos preparatórios para provas de ingresso na corporação, ensina técnicas para simular uma câmara de gás em uma viatura.

PRF de SC é alvo de processo administrativoPivô do processo administrativo foi o vídeo de uma aula ministrada pelo agente – Foto: Reprodução/ND

A corporação informou em nota que a corporação instaurou um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) “em que foi garantida a ampla defesa” e, como resultado, pediu a demissão do servidor. “Tal despacho foi encaminhado para o Ministério da Justiça e Segurança Pública a fim de subsidiar a decisão final da autoridade competente”, destacou.

Na aula, Bandeira descreve aos alunos uma suposta abordagem. “[O suspeito] estava na parte de trás da viatura, ele tentou quebrar o vidro com um chute. Ficou batendo o tempo todo. O que a polícia faz?”, questionou. A aula foi ministrada em 2016, segundo o PRF.

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Ele então simula o lançamento de gás de pimenta dentro do veículo, momento em que os alunos riem. “É bom pra c…. A pessoa fica mansinha! Daí escutei ‘eu vou morrer, vou morrer’. Daí olhei e [falei]: ‘tortura'”, diz Bandeira.

Descrição se assemelha à morte de homem pela PRF

As imagens em questão passaram a repercutir nas redes sociais seis anos depois, em maio de 2022, após a morte de Genivaldo de Jesus Santos – o caso não tem relação direta com Bandeira. Ele morreu asfixiado durante uma abordagem da PRF em Sergipe.

As técnicas ensinadas pelo professor se assemelham às empregadas pelos agentes envolvidos na abordagem. Santos, que era esquizofrênico, foi abordado em uma blitz policial. Após o contato com os policiais, ele foi colocado à força no porta-malas da viatura onde o gás foi jogado.

O vídeo divulgado na internet com a cena capta os gritos da vítima dentro da viatura teve ampla repercussão. O homem morreu dentro do carro da PRF. Antes de ser colocado na viatura, ele havia sido algemado pelos agentes. Os três policiais envolvidos na ocorrência foram demitidos pela corporação.

Decisão é abusiva, aponta defesa

A advogada de Bandeira, Mariana Lixa, informou ao ND+ que irá recorrer da decisão da PRF bem como irá interpor instrumento judicial contra ela. “No olhar da defesa, [o pedido] tem vários erros formais e materiais e em alguns aspectos é abusiva”, destacou.

“O Ronaldo é um profissional exemplar que está sofrendo com uma ação descabida, desproporcional e sem justa causa alguma. Tenho certeza que se lerem as razões de defesa, nossos fundamentos serão acatados”, afimou.

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