A Defesa Civil de Santa Catarina pretende utilizar estudos japoneses feitos no Vale do Itajaí para estruturar um programa anti-desastre para o Estado, o Proteção Levada à Sério.
A informação foi confirmada pelo novo secretário da pasta, o coronel do CBMSC (Corpo de Bombeiros Militar), Fabiano de Souza, em entrevista ao Grupo ND nesta quarta-feira (10).
Imagens áreas mostram estragos da maior enchente da história de Pouso Redondo, em 2023 – Foto: Divulgação/Reprodução/NDSegundo Souza, a gestão pretende colocar em prática os estudos feitos no Vale do Itajaí pelo Jica (Agência de Cooperação Internacional do Japão) e implementar medidas em todo o Estado.
Seguir“[O objetivo é] tirar do papel obras de mitigação de cheias no Vale do Itajaí e instituir o programa ‘Proteção Levada a Sério’: pegar algo parecido com o que foi feito no Vale do Itajaí, que já tem estudos de mitigação de desastres, e levar para outras regiões do Estado”, explicou.
Conforme o secretário da Defesa Civil, os estudos serão convertidos em medidas práticas para prevenção de desastres em Santa Catarina.
“A gente precisa alertar e fazer com que a população se prepare com um alerta mais preciso. É preciso expandir a nossa rede de monitoramento e a nossa expertise para o monitoramento hidrometeorológico, e fazer, por fim, um atendimento mais sério, mais rápido e mais presente para a população que é afetada por esses desastres”, pontuou Souza.
Novo secretário da Defesa Civil, Fabiano de Souza, concedeu entrevista ao Grupo ND nesta quarta-feira (10) – Foto: Leo Munhoz/NDRegiões que nunca sofreram também devem se preparar para desastres, diz secretário
Apesar de ter recém-assumido o comando da Defesa Civil nesta quarta-feira (10), Fabiano de Souza trabalhou durante sete anos na pasta, atuando, inclusive, como secretário adjunto.
De acordo com o secretário, Santa Catarina está suscetível a eventos extremos, pois, em sua visão, os desastres não dependem de fenômenos como o El Niño e o La Niña. Segundo ele, o problema acontece se o volume de chuva previsto para um mês cai em dias.
“Tem um estudo de um instituto oceanográfico americano que aponta que um terço dos desastres de inundação acontecem durante é El Niño, um terço durante o La Niña e um terço em períodos neutros. A grande diferença é a concentração do volume”, pontua.
Para Souza, é preciso que moradores de regiões que não costumam ser afetadas por eventos extremos se preparem para desastres.
“O adulto que não sofre, que não vive o problema na pele, tem mais dificuldade de aceitar que aquilo pode acontecer. É preciso divulgar informação, falar dos riscos o tempo inteiro e treinar”, afirmou.
Prevenção de desastres não é só assunto da Defesa Civil
De acordo com o secretário, a prevenção de desastres não pode ser apenas papel da Defesa Civil. Ele ressalta que, além da noção estar incluída no planejamento de todas as pastas, a população precisa se conscientizar.
“Mudança climática existe, eventos extremos existem e cada vez a gente vai ter mais desastre, tudo isso é verdade. Mas o ser humano precisa começar a entender essas mudanças e começar a se adaptar a elas e fazer uma gestão de risco no dia-a-dia dele.”
Segundo ele, um dos fatores que contribuem para desastres como deslizamentos e alagamentos é a ocupação territorial desenfreada e sem planejamento.
“A população aumenta de maneira muito acentuada. O crescimento populacional é geométrico. E a ocupação dessas pessoas não é precedida de análise de risco ou de qualquer tipo de planejamento de ocupação territorial. Então, é onde os eventos vão afetar”, conclui.