Foram identificados como João Carlos dos Santos e Carlos Argino Monteiro Junior as duas vítimas do incêndio na embarcação Caetano 1. Os catarinenses morreram na tarde desta segunda-feira (5), na casa de máquinas do barco, que havia encalhado um dia antes na praia do Cassino, no Rio Grande do Sul.
João Carlos e Carlos Júnior morreram em um incêndio na embarcação, que havia encalhado em uma praia do RS – Foto: Arquivo pessoal/Reprodução/NDA informação foi confirmada pelo Sindipi (Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região), ao qual os dois armadores eram associados. Uma cerimônia de despedida aos dois deve acontecer na Igreja Santa Terezinha, na comunidade do Araçá, em Porto Belo. O horário ainda não foi definido.
Nas redes sociais, amigos lamentaram a morte dos armadores. “Eles sempre serão lembrados no Araçá como pessoas humildes de um coração gigantesco”. O prefeito interino de Porto Belo, Joel Lucinda (PTB), lamentou a morte. “É realmente uma tragédia sem fim”, escreveu.
SeguirAlém de armadores, ambas as vítimas eram empresários e conhecidos no bairro Araçá, em Porto Belo. João deixa a esposa e um filho. Carlos deixa esposa, dois filhos e dois netos.
O incêndio
De acordo com testemunhas, a embarcação estava encalhada na praia desde o último sábado (3), a Capitania dos Portos foi auxiliar os armadores para retirar o óleo diesel da embarcação, afim de evitar vazamento de combustível, o que resultaria em um crime ambiental.
A embarcação pesqueira ficou encalhada perto dos destroços do navio Altair. De acordo com o coordenador da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, Rudimar Machado, havia cerca de 500 litros de combustível na embarcação quando os dois tentaram tirar o diesel, o que deve ter provocado a explosão.
Imagens mostram o desespero de pescadores tentando combater o incêndio no barco – Vídeo: Reprodução/ND
Para a retirada, os profissionais colocaram uma bomba de gasolina no intuito de esgotar o óleo diesel da embarcação, mas o procedimento acabou gerando uma explosão e incêndio na embarcação.
Quando o incêndio começou, dois tripulantes estavam na casa de máquinas da embarcação onde ficaram presos e acabaram mortos por conta do incêndio. A Marinha ainda não confirmou a identidade e causa da morte dos dois tripulantes.
O incêndio foi controlado pelos próprios pescadores da praia. A embarcação é chamada de Caetano I e inscrita na Delegacia da Capitania dos Portos de Itajaí.
Áudios do dono da embarcação, identificado como Janga, circulam nas redes sociais, nas falas ele parece desesperado com o incêndio e indignado com o procedimento da capitania dos portos.
“Ao invés de fazerem a coisa certa, colocaram fogo no barco com uma bomba tirando diesel”, desesperado, o homem pede ajuda do Corpo de Bombeiros na praia do Cassino.
Dois tripulantes morrerem combatendo incêndio em praia do RS – Vídeo: Reprodução/ND
Ainda de acordo com informações preliminares, as vítimas fatais que trabalhavam para salvar a embarcação eram de Porto Belo, no Litoral Norte de Santa Catarina.
A embarcação, pertence à família de pescadores do Araçá, de Porto Belo, e está inscrita na delegacia dos Portos de Itajaí. Imagens do barco pegando fogo também viralizaram nas redes sociais e mostram o desespero dos pescadores.
O que diz a Capitania dos Portos do RS
Por meio de nota, a Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul confirmou as mortes dos dois pescadores e destacou que investiga as causas do acidente. Confira a nota completa:
A Marinha do Brasil informa que, durante a tarde do dia 05 dedezembro, por volta das 15h45min, ocorreu um incêndio no barco pesqueiro CAETANO I durante o procedimento de retirada do óleo para prevenção da poluição hídrica, realizado por empresa especializada.
O referido barco, inscrito na Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí, está encalhado na Praia do Cassino, no município de Rio Grande-RS, desde a madrugada de sábado, 03 de dezembro. Durante o acidente, dois pescadores, ainda por motivos desconhecidos, não conseguiram desembarcar e vieram a óbito.
A Marinha do Brasil lamenta o ocorrido e se solidariza com os familiares das vítimas. As causas, circunstâncias e possíveis responsáveis pelo encalhe, bem como pelo incêndio do barco pesqueiro CAETANO I serão averiguados e minuciosamente apurados por intermédio de inquérito administrativo, já instaurado pela Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul (CPRS) e que tem prazo de cerca de 90 dias prorrogáveis.
*Com informações da Record RS