R$ 50 mil e chácara: o que está por trás de caso de empresário morto a mando do filho em SC

Empresário foi morto a mando do filho em Indaial na última segunda-feira (29); Polícia Civil revelou toda a dinâmica do caso em coletiva de imprensa

Foto de Lucas Adriano

Lucas Adriano Blumenau

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Em uma coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (2), a Polícia Civil esclareceu detalhes sobre o assassinato do empresário Márcio Elizeu Melo, de 45 anos, esfaqueado e morto a mando do próprio filho, de 18 anos em Indaial, no Vale do Itajaí. O fato aconteceu na casa da família, na madrugada de segunda-feira (29), no bairro Estrada das Areias.

Empresário Márcio Elizeu Melo foi morto a mando do filho enquanto dormia em Indaial - Foto: Redes Sociais/Reprodução/NDEmpresário Márcio Elizeu Melo foi morto a mando do filho enquanto dormia em Indaial – Foto: Redes Sociais/Reprodução/ND

Além do filho do casal, um amigo dele também foi preso de forma temporária, por suspeita de envolvimento no assassinato brutal.

Na coletiva de imprensa, o delegado Filipe Martins, ao lado de um agente de Polícia Civil de Indaial e da Delegada Regional de Polícia de Blumenau, Juliana Tridapalli, revelou que o outro suspeito do assassinato recebeu uma proposta do filho que orquestrou a execução do pai.

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Polícia revela detalhes do caso de filho que matou o pai em Indaial – Foto: Isabella Dotta/NDTVPolícia revela detalhes do caso de filho que matou o pai em Indaial – Foto: Isabella Dotta/NDTV

O filho trabalhava em uma pequena metalúrgica que os pais tinham em Indaial e não aceitava ser tratado ‘como mero funcionário’, nas palavras do delegado. Até o momento, esta seria uma das razões que a Polícia Civil acredita que foram o estopim da morte brutal do pai e da tentativa de assassinato da mãe.

Há pelo menos dois meses, o suspeito confidenciou que orquestrava o assassinato do pai a este amigo. Horas antes do crime, na noite de domingo (28), o filho saiu da casa dos pais, deixando uma janela da casa propositalmente aberta.

Na noite de domingo (28), o filho foi para a casa do amigo, trocou de roupa, voltou para a casa, onde ele e o amigo entraram por uma janela. Os suspeitos entraram na casa por uma área de mata. Antes de entrar, o filho perdeu a faca com a qual planejava matar o pai.

Câmeras ajudaram na identificação do filho do casal, em um momento que ele foi até a cozinha, tentando encobrir o rosto com uma camisa, para pegar uma outra faca para praticar o assassinato dentro de casa. A forma dele de andar foi reconhecida por familiares do filho de Márcio, em depoimentos colhidos pela Polícia Civil.

Os policiais descobriram que o filho do empresário combinou com o amigo que ele iria matar o próprio pai e que o amigo do suspeito avançaria contra a mãe.

Contudo, o filho não contava que o pai ouviria o barulho de pessoas dentro da casa e sairia do quarto do casal. No momento em que deixa o cômodo, o pai dá de cara com o amigo do suspeito dentro da casa e o amigo esfaqueia Márcio no pescoço.

Ambos entram em luta corporal e Márcio perde a vida. Ao mesmo tempo, o filho vai até a mãe e a ataca dentro do quarto. A mulher, ouvida em depoimento pelos policiais, não sabia que seu algoz era justamente o filho.

A mulher tentou se defender sozinha, mas acabou golpeada na região do tórax, seis a sete vezes. Na sequência, o amigo do suspeito avança novamente na direção dela e dá facadas na região das têmporas, entre o olho, a orelha e a bochecha.

O pai do suspeito continuou deitado e não teve mais reação. Da mesma forma, a mulher continuou desacordada no imóvel e a dupla achou que ambos estavam mortos. Após isso, eles vão embora da casa.

Em sequência, a Polícia Civil conseguiu fazer a busca e apreensão dos celulares do filho do casal e, convocado para prestar depoimento, o principal suspeito deu versões contraditórias.

Percebendo que não conseguiria se livrar das responsabilizações que lhe caberiam e das provas que haviam contra ele, depois de duas horas de interrogatório, o filho de Márcio Elizeu Melo confessou que era o mentor intelectual do assassinato do pai e que participou da ação.

Morte de empresário foi alvo de ‘proposta’ do filho para amigo

Interrogado, o amigo do filho do empresário contou aos policiais que recebeu uma proposta de R$ 50 mil e de um carro da família, uma Chevrolet Montana, para colaborar na ação e que resolveu aceitá-la. Ao amigo, o filho do empresário repassou detalhes de todo o layout da casa e da dinâmica das câmeras de segurança.

Esposa da vítima também foi atacada mas sobreviveu, durante ação que ocorreu na madrugada desta segunda-feira (29) – Foto: Google Street View/Divulgação/NDEsposa da vítima também foi atacada mas sobreviveu, durante ação que ocorreu na madrugada desta segunda-feira (29) – Foto: Google Street View/Divulgação/ND

A narrativa dele era que, com o crime consumado e sem resolução, o carro seria vendido, a empresa do pai, uma pequena metalúrgica, poderia ser vendida também e ambos poderiam comprar uma chácara para cultivar drogas.

Havia até uma suposta parceria que ambos, filho do empresário e o amigo, repartiriam a “iniciativa criminosa” em 50%, disse o delegado Filipe Martins Alves Pereira.

Ao longo da coletiva, o delegado revelou que o amigo do filho do empresário poderia ter envolvimento com o tráfico de drogas pois encontrou vídeos suspeitos no celular apreendido.

A namorada do filho do empresário também foi ouvida e confirmou a veracidade da gravação, de autoria do amigo do principal suspeito de arquitetar o crime. Na gravação, que é curta, drogas aparecem sendo pesadas em uma balança de precisão.

Filhou foi preso e confessou o crime em Indaial – Foto: Redes Sociais/Reprodução/NDFilhou foi preso e confessou o crime em Indaial – Foto: Redes Sociais/Reprodução/ND

Em meio a um depoimento contraditório do principal suspeito, o agente de Polícia Civil que conversou com ele disse que estranhou o ‘susto’ que o jovem de 18 anos tomou ao ser comunicado que a mãe estava viva.

A Polícia Civil confirmou que o casal não teria seguro de vida, seguro de patrimônio, da empresa, ou de nada além do que pudesse ser ofertado, como o foi, pelo principal suspeito.

Após ser desmascarado, o filho não chorou e sequer demonstrou qualquer reação pela perda do pai. Em interrogatório, ele disse que não faria aquilo de novo, sinalizando que em tese possa estar arrependido.

O inquérito policial que conduz o caso deve ser fechado em 30 dias, estimam os investigadores. Algo que chamou a atenção ao longo do processo, segundo o delegado que conduz o inquérito, é que o filho confirmou que fez ‘manobras cibernéticas’ para dificultar a investigação.

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