A creche particular Bem-Me-Quer Desenvolvimento e Movimento, de Florianópolis, amanheceu pichada com a palavra “abusadora”, nesta quarta-feira (6), após surgirem denúncias de maus-tratos praticados pela proprietária contra crianças e bebês.
Creche amanhece pichada após denúncias de maus-tratos em Florianópolis – Foto: Divulgação/NDSegundo uma fonte do Conselho Tutelar, um vizinho que mora ali há bastante tempo informou que nunca suspeitou nem ouviu gritos na instituição, mas revelou que a suspeita Twuisa Alexandre Marcelino “estava mais nervosa ultimamente, porque não tinha mais gente querendo trabalhar”.
De acordo com uma ex-professora, a maioria dos funcionários eram maltratados constantemente e o ambiente era de gritos e de humilhações.
SeguirO órgão visitou a creche na manhã desta quarta, tocou a campainha, mas ninguém atendeu. A equipe da Secretaria Municipal de Educação foi ao local nesta terça (5) e também encontrou os portões fechados. Na segunda (4), a creche havia comunicado que suspenderia as atividades por tempo indeterminado.
A Polícia Civil segue ouvindo pais e professores. Conforme o delegado da Dpcami (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso) Luis Felipe Fuentes, há detalhes parecidos e outros específicos em cada depoimento, e algumas reclamações variam de criança para criança.
“Mas de modo geral, as principais reclamações são maus-tratos (trato brusco) e má alimentação, repercutindo no comportamento das crianças”, destaca o delegado.
Creche amanhece pichada após denúncias de maus-tratos em Florianópolis – Foto: Divulgação/NDO inquérito policial foi instaurado e há 30 dias para concluir a investigação, sendo possível prorrogá-lo por mais 90 dias, mas a chefe da diretoria de Polícia da Grande Florianópolis, Michele Correa Rebelo, afirma que o processo deve ser concluído antes disso.
Uma nota enviada pelo escritório de advocacia Koerich & Santos Advogados, que defende a creche, nega as acusações. Diz, ainda, que em razão das “fake news” as atividades da escola foram suspensas temporariamente.
Relembre as denúncias
Ao menos dez famílias registraram boletim de ocorrência até o momento. De acordo com uma mãe, que pediu para não ser identificada, seu filho de apenas 3 anos tem deficiência auditiva. A criança utiliza aparelho auditivo, que era supostamente retirado pela diretora da creche particular Bem-me-quer. Além de negar o tratamento escolhido pelos pais, a diretora, supostamente, o xingava de diversas palavras.
“Fui informada pela ex-professora que meu filho era chamado de sujo, porcalhão, burro e imbecil”, comenta a mãe, aos prantos.
A mãe explica que por muitas vezes a criança aparecia com a orelha vermelha, segundo ela, motivada por tirar e colocar o aparelho “de qualquer jeito”.
Ao menos dez famílias relataram maus-tratos contra crianças praticados por diretora de creche em Florianópolis – Foto: Divulgação/NDA mãe conta ainda que um dia seu filho fez fezes nas calças e a professora teria batido nele com uma sandália como punição. Os relatos, segundo ela, foram passados pela ex-professora que fez a denúncia para os pais. A criança não fala direito ainda, fato que dificultou para que a mãe soubesse dos acontecimentos.
Entre as outras acusações estão castigos, deixar as crianças com fome e até hipotermia. Uma das mães relatou que a filha não era agasalhada na escola, porque “não queriam que as crianças ficassem com calor para não suarem e, assim, não precisarem ser trocadas”.
O Ministério Público diz que recebeu uma representação e a partir dela instaurou uma notícia de fato, e agora vai apurar os fatos. Mais detalhes sobre os depoimentos não foram divulgados para não atrapalhar a investigação.