Revelado mistério sobre Clarinha, em coma há 21 anos, e bebê desaparecida em 1976

Exame com papiloscopistas - identificação através das papilas dérmicas nas palmas da mão e na sola dos pés, deu fim às dúvidas

Redação ND Florianópolis

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A Polícia Civil de Minas Gerais deu fim ao mistério envolvendo Clarinha, em coma há 21 anos, e a bebê desaparecida Cecília, em 1976, no Espírito Santo, após ser levantada a suspeita de que as duas poderiam ser a mesma pessoa.

Polícia Civil confirmou que Clarinha e Cecília não são a mesma pessoa – Foto: Reprodução/NDPolícia Civil confirmou que Clarinha e Cecília não são a mesma pessoa – Foto: Reprodução/ND

Um exame com papiloscopistas – identificação através das papilas dérmicas presentes nas palmas da mão e na sola dos pés, realizado pela Força Nacional de Segurança Pública, comprovou a incompatibilidade entre as mulheres.

Segundo a polícia civil, o material genético de Clarinha já estava inserido no Banco de Dados de Perfis Genéticos desde abril de 2015 –  o que significaria que se fossem compatíveis, já teria sido confirmado.

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“Assim, caso a paciente fosse filha do casal mineiro, a maternidade/paternidade dessa teria sido confirmada em novembro de 2015”, disse a nota. A polícia chegou a comparar os perfis novamente, mas o resultado foi negativo.

Entenda o caso

A prosopográfica é uma espécie de tecnologia de reconhecimento facial que compara informações do rosto com dados de pessoas desaparecidas. A técnica apontou a possibilidade de a mulher internada ser Cecília, a criança mineira desaparecida no Espírito Santo – um dos casos mais antigos investigados pela polícia de Minas Gerais.

Primeiro, especialistas do Laboratório de Arte da Polícia Civil de São Paulo fizeram uma reconstituição do rosto de Clarinha a partir de fotos dela com os olhos fechados no hospital.

As imagens foram usadas na investigação e levaram ao caso da menina Cecília. Diante da suspeita, os peritos enviaram então um pedido para a Delegacia de Desaparecidos de Belo Horizonte para que fosse realizada uma comparação do perfil genético de Clarinha com os dos pais de Cecília.

Entretanto, comparações genéticas entre as duas colocaram fim ao mistério, concluindo a incompatibilidade.

Desaparecimentos e buscas

Cecília desapareceu em fevereiro de 1976, quando tinha um ano e nove meses. Ela passava férias com a família em Guarapari, Espírito Santo. Eles estavam hospedados em um chalé dentro de um condomínio fechado.

A menina sumiu um dia após a chegada na cidade, enquanto brincava de bola com o irmão. Desde então, é procurada, e cerca de 20 pessoas que poderiam ser, mas não eram Cecília, já apareceram.

A irmã de Cecília, Débora São José de Faria, de 50 anos, começou a pesquisar sobre a nova possibilidade quando recebeu a ligação de um homem que se identificou como policial do Paraná, que levantou a possibilidade de Clarinha ser a menina desaparecida.

“Ele me deixou com a pulga atrás da orelha. Eu olhei na internet, verifiquei que realmente existia essa pessoa [internada no Espírito Santo], pedi para a delegacia daqui entrar em contato com o pessoal do Espírito Santo e pedir o material genético.”

Já Clarinha, uma mulher de cerca de 40 anos, que recebeu esse nome pela equipe médica, está em estado vegetativo desde que foi atropelada em junho de 2000 por um ônibus. O acidente aconteceu enquanto supostamente fugia de um perseguidor não identificado.

A mulher foi socorrida por uma ambulância e encaminhada ao Hospital São Lucas, e um ano depois, transferida para o Hospital da Polícia Civil. Sem documentos no momento da internação, e com as digitais desgastadas, ela permanece sem conseguir ser identificada.

Em todos esses anos, nenhum parente ou amigo de Clarinha apareceu em busca de notícias. O Hospital da Polícia Militar foi quem acionou o MPES (Ministério Público do Espírito Santos), para pedir apoio na identificação da paciente.

Em 2016, 108 pessoas procuraram o MPES na tentativa de identificá-la, e após uma triagem, 18 delas foram apresentadas como possíveis familiares da mulher. Apesar disso, os exames de DNA se mostraram incompatíveis.

*Com informações do portal UOL e Metrópoles.