Uma reviravolta marcou a morte de Uthra, jovem de 25 anos que foi picada por uma cobra o estado de Kerala, Sul da Índia. O marido, Suraj Kumar, de 27 anos, foi acusado de tramar sua morte durante meses.
Marido dopou mulher para forçar cobra a picá-la, na Índia – Foto: Freepik/Divulgação/NDSegundo os documentos judiciais, uma autópsia em 7 de maio de 2020 confirmou que, horas antes, ela havia sido picada por uma naja indiana altamente venenosa, apontou a CNN Brasil.
No entanto, a família da jovem não acreditou. De acordo com o julgamento, Kumar se casou com Uthra “com o objetivo de obter ganhos financeiros”.
SeguirO assassino foi considerado culpado e condenado à prisão perpétua por um crime que o juiz chamou de “diabólico e medonho”. Ele fez a cobra picar a esposa mais de uma vez para matá-la sem levantar suspeitas.
Tentativas de assassinato
No fim de 2019, Kumar passava horas na internet assistindo a vídeos no YouTube do programa com o renomado especialista em cobras Vava Suresh.
No dia 26 de fevereiro de 2020, Kumar comprou uma víbora de Russell do apanhador de cobras Chavarukavu Suresh por 10 mil rúpias (cerca de R$ 756), segundo os promotores do caso.
No dia seguinte, ele deixou a cobra na escada de casa e esperou que a cobra a picasse. Mas a tentantiva não deu certo porque a jovem viu o animal e gritou por socorro.
Kumar então, na noite de 2 de março, tentou novamente. Ele misturou sedativos em uma comida para que Uthra ficasse sonolenta. Enquanto a mulher dormia, Kumar forçou a víbora a mordê-la. A segunda tentativa não deu certo e Uthra foi levada ao hospital.
Segundo o processo, enquanto a esposa ainda se recuperava, Kumar pesquisou sobre “najas” no celular.
Entenda o crime
Uthra passou 52 dias no Hospital Pushpagiri na cidade de Thiruvalla, em Kerala, se recuperando.
No dia 6 de maio, apenas 15 dias após a jovem deixar o hospital e estar de cama, sem poder andar, ele foi para a casa dos sogros com outra cobra escondida, que comprou do mesmo apanhador de cobras Chavarukavu Suresh. Desta vez era uma naja.
Segundo o julgamento, Kumar ofereceu a Uthra um copo de suco misturado com sedativos e repetiu o esquema. Enquanto ela dormia, Kumar jogou a serpente nela, mas o réptil não a mordeu. O acusado forçou as presas da cobra no braço esquerdo de Uthra – duas vezes.
Mesmo que Kumar tenha tentado fazer com que tudo parecesse um acidente, a polícia apurou uma série de pistas que apontavam que a morte não teria sido natural, como a largura das marcas das presas, a posição das mordidas, e a impossibilidade de a cobra ter entrado na sala sozinha.
Conforme documentos judiciais, Kumar ficou acordado durante as horas seguintes para esconder as provas. O caso ganhou grande repercussão em todo o país.