Novos detalhes sobre a execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes foram relevados, na sexta-feira (7). Isso porque, o sigilo de depoimentos prestados pelo ex-policial militar Ronnie Lessa – réu confesso das mortes ocorridas em 2018, no Rio de Janeiro – foram retirados pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Ronnie Lessa é réu confesso da execução de Marielle Franco – Foto: Internet/Arquivo/NDO conteúdo dos depoimentos foram divulgados após o ministro do STF Alexandre de Moraes retirar o sigilo das oitivas, que ainda não tinham sido divulgadas.
Os depoimentos divulgados completam a primeira parte da delação, liberada em março deste ano após a prisão dos envolvidos no crime.
SeguirRonnie Lessa detalha sobre a execução de Marielle
Ronnie Lessa prestou depoimento aos investigadores da PF (Polícia Federal), no ano passado. Antes de cometer o crime, ele revelou que testou a submetralhadora para verificar se o silenciador da arma funcionava corretamente.
O ex-policial contou que os disparos foram feitos em terreno de área dominada por uma milícia. “Eu posicionei a metralhadora, engatilhei e disparei. Fiz esse disparo com uma rajada curta. Acredito que uns cinco ou seis tiros, no máximo, tenham sido disparados. Esses projeteis estão alojados na terra”, afirmou.
Segundo ele, a arma foi jogada em um córrego da região após o assassinato.
Vereadora foi monitorada por três meses
Marielle Franco foi morta em 14 de março de 2018 – Foto: Arquivo/Agência Brasil/Divulgação/NDNos depoimentos Lessa disse que monitorou por três meses a rotina da vereadora. Também que no começo teve dificuldades para realizar o homicídio.
Lessa disse ter seguido Marielle até um bar, mas o local, segundo ele, era de difícil acesso, assim como a residência dela.
“Essas tratativas [em] que nós não conseguimos lograr êxito, levaram a gente a procurar outros meios. Nós tínhamos a informação de um bar que ela frequentava, nós conseguimos localizar esse bar, que é na Praça da Bandeira, ali próximo, só que também [era] outro lugar de difícil. Era uma missão que se tornou difícil”, contou aos investigadores.
Loteamento como pagamento pelo crime
Pela execução de Marielle, Lessa afirmou que receberia um loteamento, conforme consta em outro depoimento. Ele revelou que a promessa foi feita pelo ex-policial Edmilson Macalé, que atuava em conjunto com Robson Calixto, o Peixão, outro investigado pela suposta ligação com os irmãos Brazão. Macalé foi assassinado em 2021.
“A proposta era matar a vereadora Marielle, e a proposta era que nós ganharíamos um loteamento, eram dois loteamentos em questão, um seria deles, dos mandantes”, afirmou.
Após a execução da vereadora foi assistir jogo em um bar
Após executar a vereadora, Lessa contou que foi para um bar assistir a um jogo do Flamengo. “Eu peguei meu carro e fui para o Resenha, que é o restaurante. Nesse dia, era o jogo do Flamengo com o Emelec. Nós paramos para assistir, e estava bem cheio”, completou.
O ex-policial é um dos delatores do caso Marielle. Ele apontou, em outros depoimentos, que os irmãos Brazão foram os mandantes do assassinato. Segundo Lessa, o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro Domingos Brazão e o deputado federal Chiquinho Brazão (União-RJ), atuaram como mandantes do homicídio da vereadora. Todos estão presos.
A defesa dos detidos nega as acusações, segundo informações divulgadas pela Agência Brasil.