Um suposto sequestro contra duas gerentes de banco em setembro deste ano em Blumenau, no Vale do Itajaí, acabou desvendando um esquema criminoso milionário. E contou com a colaboração de um gerente do banco, colega de trabalho das duas funcionárias tomadas como reféns.
Roubo milionário em Blumenau teve ajuda de gerente de banco e até de ex-jogador de futebol – Foto: Reprodução/NDAs investigações da Polícia Civil apontaram que o objetivo dos envolvidos era roubar os notebooks do banco que estavam com as vítimas para “hackear” contas bancárias. Segundo a Polícia Civil, mais de 2,6 milhões de reais foram roubados de diversas contas bancárias pelos criminosos. Um novo inquérito policial foi aberto para investigar o destino desse dinheiro.
Em coletiva de imprensa, o delegado da Polícia Civil, Rodrigo Raitez, revelou que as investigações iniciaram após algumas imagens serem obtidas pelas equipes de investigação da Polícia Civil.
Seguir“Desde o início das diligências, uma equipe foi até o local, e a partir desse momento, conseguimos obter algumas imagens e de fato, comprovar que, embora tenha sido mencionado de que seria um caso de sequestro, era na verdade um roubo. A partir disso, conseguimos identificar, além dos executores, essa estrutura criminosa e o grupo que orquestrava”, disse.
O inquérito policial revelou ainda que a organização criminosa atua em todo o Brasil. Do Rio de Janeiro, hackers, com a ajuda e aliciamento de colaboradores de instituições financeiras, conseguem transferir valores a contas bancárias.
O sequestro
Na ocasião, três homens, um deles armado, abordaram duas mulheres, ambas funcionárias da instituição financeira, no pátio da Loja Havan, em Indaial.
Imagens mostram o sequestro das duas funcionárias – Vídeo: Reprodução/ND
Diante de ameaças, eles obrigaram as mulheres a entrar no carro de uma delas, fazendo com que ficassem reféns. Destaca-se que uma das vítimas estava grávida. A Polícia Militar conseguiu localizar o veículo roubado na BR-470. Após perseguição, a PM conseguiu libertá-las, após um confronto com com os criminosos.
Policiais perseguiram os criminosos – Foto: Reprodução/NDA Polícia Civil ainda descobriu que, no dia do crime, os assaltantes seguiram as vítimas desde a Avenida Beira Rio, local da agência bancária, até a cidade de Indaial.
Roubo teve ajuda do gerente do banco
O roubo, teve um participante fundamental para que ocorresse: o gerente do banco em que as vítimas trabalhavam.
Ele ficou responsável por repassar informações privilegiadas ao grupo, como as senhas e logins de acesso ao sistema do banco e a rotina pessoal das vítimas, inclusive no dia do crime. Tudo isso com a promessa de recompensa no valor de R$ 500 mil.
Prisões
Na manhã desta quinta-feira (08), a Polícia Civil, através da DIC de Blumenau, deu cumprimento a mandados de prisão preventiva aos indivíduos envolvidos no caso do suposto sequestro.
Três indivíduos que executaram o roubo, um deles morto em confronto com a PM, um que está foragido e o outro um adolescente, que foi apreendido pela DIC na cidade de Itajaí e encaminhado ao Casep.
Também foi dado cumprimento a um mandado de prisão em desfavor de um indivíduo residente na cidade de Santo Ângelo/RS, líder de uma facção criminosa gaúcha e com extensa ficha criminal, que foi o responsável por arquitetar e operacionalizar o crime.
Por fim, a DIC prendeu, na cidade de Blumenau, um empresário e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Paulista de Jundiaí, em São Paulo, e clubes do exterior, que foi a pessoa que intermediou o contato entre os dois investigados acima e instigou o gerente a aceitar a proposta, também com objetivo de ganhar uma porcentagem dos valores subtraídos do banco.
Durante a investigação, a DIC recuperou um telefone celular, apreendeu um dos notebooks roubados, depois que um dos investigados residente em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, remeteu o aparelho via Correios aos demais integrantes da organização criminosa, moradores daquela cidade.
Polícia Civil apreendeu um dos notebooks roubados – Vídeo: Reprodução/ND
Os envolvidos serão indiciados pelo crime de roubo, furto, organização criminosa e corrupção de menores, em razão de que um dos indivíduos identificado como executor do crime, era um adolescente.
Agora, a investigação segue no sentido de identificar todos os integrantes da organização criminosa.