Com a chegada do verão e das altas temperaturas, o mar e os rios são destinos convidativos para quem deseja se refrescar. Porém, o banho também traz o risco dos afogamentos, acidentes que costuma aumentar em Santa Catarina durante a estação mais quente do ano.
Praias e rios são destinos comuns para quem busca se refrescar em SC – Foto: Carlos Jr/NDDe acordo com o Corpo de Bombeiros Militar, apenas no período entre 17 e 25 de dezembro de 2022, quatro pessoas morreram vítimas de afogamento na área de cobertura da corporação – duas em água doce e duas em água salgada. Todas eram homens, com média de 42 anos.
Diante do aumento desse tipo de ocorrência, o melhor cuidado é a prevenção. E por isso, o portal ND+ buscou os bombeiros para entender como os banhistas podem prevenir afogamentos no mar e nos rios, garantindo um verão divertido e sem acidentes.
SeguirComo saber se o mar está seguro para o banho
O capitão Douglas Tomaz Machado, do Corpo de Bombeiros Militar, explica que o número de afogamentos aumenta no verão por causa de fatores como a maior quantidade de banhistas, as condições ruins do mar e a falta de conhecimento das pessoas sobre os riscos desse espaço.
Para evitar os afogamentos, todos os anos os bombeiros capacitam voluntários para fazer o serviço de guarda-vidas. São profissionais que trabalham tanto na prevenção quanto no salvamento de pessoas que acabam se afogando no litoral catarinense.
Guarda-vidas trabalham na prevenção de afogamentos e no salvamento de vítimas – Foto: Carlos Jr/ND“O principal vilão das praias são as correntes de retorno localizadas em alguns pontos e que arrastam o banhista para o fundo, provocando o afogamento”, destaca Machado. Ele reforça que essas correntes são difíceis de identificar por quem é leigo, por isso a necessidade de prestar atenção nas orientações dos guarda-vidas.
“A praia é muito dinâmica, sendo que um dia o mar pode estar propício para o banho e, no outro, perigoso”, fala o capitão. Os guarda-vidas verificam as condições da água todas as manhãs para orientar os banhistas, como ocorre com as bandeiras fixadas nos postos:
- Bandeira verde: praia propícia para banho no dia;
- Bandeira amarela: risco médio de afogamento no dia;
- Bandeira vermelha: alto risco de afogamento no dia;
- Bandeira preta: posto de guarda-vidas desativado.
O capitão Machado reforça que o serviço de guarda-vidas é prestado durante o dia e que não é seguro o banho de mar à noite ou longe da supervisão dos profissionais.
Além de observar as bandeiras, outra forma de ter orientações sobre as condições do mar é por meio do aplicativo CBMSC Cidadão, que mostra onde estão os postos guarda-vidas e as condições do mar em tempo real.
Como evitar o afogamento no mar
Para evitar o afogamento no mar, evite nadar nos locais sinalizados com bandeiras vermelhas, que indicam onde estão as correntes de retorno.
“Geralmente, onde há a corrente a onda não quebra, pois o repuxo é uma corrente forte que arrasta tudo para o fundo, inclusive a areia do fundo. Assim, fica um buraco no local, o que é também uma armadilha para banhista que, ao cair no buraco, ‘não dá mais pé’ e acaba sendo arrastado, ocasionando o afogamento”, explica o capitão Machado.
Bandeiras vermelhas indicam risco de afogamento no mar – Foto: Carlos Jr/NDAo chegar na praia, busque nadar perto de um posto guarda-vidas ativo e tenha atenção redobrada às crianças. “Ao ver alguém se afogando, não se jogue na água. Você pode se tornar outra vítima. Neste caso, chame o socorro ou jogue algo flutuante ou algo a que a vítima possa se agarrar”, orienta o bombeiro militar. Em caso de emergências, ligue 193.
Já se você estiver se afogando, a dica é manter a calma, tentar boiar e chamar por socorro, além de tentar nadar paralelamente à praia, onde pode encontrar uma bancada de areia.
Como evitar o afogamento em rios
Se o mar pode trazer riscos, o mesmo vale para os rios que, aliás, não contam com o serviço de guarda-vidas em muitas cidades.
“Além da correnteza, pedras e buracos são os principais riscos. Nos rios, o que mais causa acidente é a imprudência, pessoas que se jogam e acabam batendo a cabeça em uma pedra, por exemplo”, alerta o capitão.
Para evitar afogamentos no rio, o ideal é tomar banho em locais rasos e sem correnteza. Antes de mergulhar, certifique-se da profundidade do local e evite nadar depois das refeições.
Além disso, o recomendado é ir ao rio com amigos ou familiares e nunca sozinho. Aliás, vale dar preferência a locais em que há guarda-vidas, atentando-se às sinalizações.
Caso esteja se afogando no rio, tente manter a calma e flutuar, mantendo a barriga para cima. Assim, o rosto permanece fora da água e você usa os braços livres para chamar socorro e tentar se aproximar da margem. Se houver correnteza, evite lutar contra ela e proteja a cabeça.
Já se alguém estiver se afogando perto de você, jogue algo que ajude a pessoa a flutuar e acione os guarda-vidas ou os bombeiros pelo 193.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar, a Operação Veraneio conta com 361 postos de guarda-vidas em 141 balneários de 31 cidades. O efetivo de guarda-vidas, por sua vez, será de mais de 1,2 mil por dia, sendo 235 guarda-vidas militares e 1.991 guarda-vidas civis voluntários.