Santa Catarina tem o menor número de homicídios em 12 anos

Dados da Secretaria de Segurança Pública apontam redução na maioria dos índices de criminalidade em 2020; 154 cidades do Estado não registraram nenhum homicídio

Maria Fernanda Salinet Florianópolis

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Os homicídios de Terezinha do Carmo de Avila Baccin, de 62 anos, e Priscila de Avila Baccin, de 36 anos, chocaram Lages, na Serra. As duas foram mortas a facadas pelo filho de Terezinha e irmão de Priscila, de 31 anos. Elas integram as 690 vítimas de 2020 desse tipo de crime em Santa Catarina, considerado o número mais baixo em 12 anos. 

Os dados da SSP-SC (Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina), divulgados na última terça-feira (5), demonstram que houve queda nos índices de criminalidade. Em 2019, por exemplo, foram registrados 698 homicídios, 1,1% a mais em relação ao último ano.

Mãe e filha sorriem para foto, abraçadasTerezinha do Carmo de Ávila Baccin, de 62 anos e Priscila de Ávila Baccin, de 36 anos foram mortas em Lages, na Serra – Foto: Reprodução/Redes Sociais/ND

O crime aconteceu na última quarta-feira do ano, em 31 de dezembro. Mãe e filha foram encontradas mortas dentro da própria casa, no bairro Universitário.

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Inicialmente o crime foi considerado como feminicídio, mas ao longo da investigação, perdeu a tipificação e foi alterado para homicídio. Assim, com um caso a menos do que 2019, Santa Catarina fecha o ano com 57 feminicídios e registra redução de 1,7%.

Tabela mostra a redução de feminicídios no EstadoEm 2020, o número de feminicídios caiu 1,7%  em relação ao ano anterior – Foto: Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina/Dilvugação/ND

Para o delegado-geral da Polícia Civil Paulo Norberto Koerich, que ficou à frente do Colegiado de Segurança Pública de Santa Catarina ao longo de 2020, afirmou, em entrevista ao Grupo ND, que toda a sociedade deve se responsabilizar por crimes contra a mulher.

“A questão é interpretada como uma responsabilidade somente da Segurança Pública e não é. É uma responsabilidade de toda a sociedade, de toda família, de todo cidadão e cidadã. Não temos como ser onipresentes. Precisamos que a sociedade acorde e crie uma cultura de respeito, porque somente dessa forma conseguiremos alterar esse quadro”, ressalta.

Mesmo com a diminuição de um caso, os feminicídios dispararam no segundo semestre deste ano. A última vítima de 2020 foi Rosângela Aparecida de Oliveira, de 34 anos, mãe de dois filhos. Ela foi morta pelo namorado, em Brusque. O filho de 14 anos presenciou as agressões contra a mãe.

Rosângela olha para a câmera e sorri em uma selfieRosângela Aparecida de Oliveira, 34 anos, foi morta a facadas pelo namorado – Foto: Reprodução/Redes Sociais

Como ocorre o feminicídio

Feminicídio é o termo usado para denominar assassinatos de mulheres cometidos por causa do gênero. Ou seja, a vítima morre simplesmente por ser mulher. A maioria dos crimes são praticados por ex-companheiros ou companheiros das vítimas.

Redução de crimes no Estado

Mais da metade dos municípios de Santa Catarina não registraram nenhum homicídio durante todo o ano. Foram 154 cidades sem a ocorrência deste tipo de crime.

Koerich reitera que “além da redução de 1,1% em comparação a 2019, houve a diminuição de um terço das mortes em comparação a 2017, quando houve o pico, o que significa cerca de 300 vidas poupadas. Foi também o melhor ano de toda série histórica desde 2008”, afirmou.

Índice de homicídios no estado é o menor em 12 anos – Foto: Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina/Dilvugação/NDÍndice de homicídios no estado é o menor em 12 anos – Foto: Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina/Dilvugação/ND

O latrocínio também é outro crime que teve a maior redução nos últimos 12 anos. De 51 registros em 2008, chegou a 19 em 2020. Em comparação a 2019, a queda é de 32%.

A tipificação por roubo e furto à instituições financeiras também registrou queda expressiva. Em 2014 foram registados 548 roubos e furtos a banco. Em 2020, a marca ficou em 63. Em 2019, o Estado registrou 131 crimes, uma queda de 51,9%.

“O ano de 2020 teve apenas uma ocorrência que utilizou explosivos. O pico foi em em 2015, quando tivemos 79 crimes com utilização de artefatos”, aponta o delegado Koerich.

Roubo em Criciúma

O delegado classifica o assalto a banco em Criciúma, em que bandidos explodiram caixas e fizeram reféns na madrugada do dia 1º de dezembro, como algo muito fora do comum.

“Tivemos esse fato de Criciúma que foi um ponto fora da curva. Mas já tivemos pessoas identificadas, presas e outras que serão presas também. As investigações continuam, assim como o caso (do roubo no aeroporto Quero Quero) de Blumenau.”

Ele aponta que não houve falha de nenhum órgão de inteligência no Brasil, pois nenhum deles tinha qualquer informação. “A legislação não permite que a gente faça abordagem sem haver uma fundada suspeita. Então, não tinha como (saber)”, explica.

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