Sargento da PM que matou esposa com 51 facadas tenta provar que foi medicado sem saber

Defesa de Samir Carvalho solicitou à Justiça um exame para analisar se o sargento foi medicado sem consentimento

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Kauê Alberguini Florianópolis

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Defesa de sargento da PM que matou esposa pede exame toxicológico para provar que Samir foi medicado sem consentimento. Na imagem, uma foto do casal.Defesa de sargento da PM que matou esposa pede exame toxicológico para provar que Samir foi medicado sem consentimento – Foto: Divulgação/ND

Samir Carvalho, o sargento da Polícia Militar que matou a esposa com 51 facadas e três tiros, vai fazer um exame toxicológico para tentar provar que a vítima lhe deu um calmante sem o seu consentimento. O pedido para realizar o teste foi aceito pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

A data do exame ainda não foi definida. A defesa do sargento pretende aguardar o resultado do teste para definir se vai usá-lo no processo. A esposa de Samir, Amanda Fernandes, enviou uma mensagem a uma amiga em que relata ter dado um calmante para o marido um dia antes do crime.

“Coloquei metade do calmante ontem para ele tomar. Está zonzo, zonzo. Hoje eu vou pôr o resto do vidro… Eu cansei”, disse Amanda horas antes do assassinato.

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Além disso, a vítima descreveu que o marido já apresentava comportamento agressivo e ela buscava formas de denunciá-lo. “Não aguento mais o Samir. Vou denunciar ele. Onde faço isso, amiga? Tenho certeza que ele vai querer me bater hoje, senão tentar me matar”, declarou.

Amanda havia combinado com a amiga para que ambas se encontrassem na clínica. A amiga, porém, demorou a chegar. Nesse período, Samir apareceu e a esposa relatou que as ameaças começaram.

Amanda Fernandes relatou sentir medo do sargento em mensagens enviadas para uma amiga. Na imagem, fotos do casal.Amanda Fernandes relatou sentir medo do sargento em mensagens enviadas para uma amiga – Foto: Divulgação/ND

“Ele está armado. Não responde mais porque vou sair do banheiro. Chama a polícia. Ele está me ameaçando aqui na frente da minha filha”, declarou.

Minutos depois, ela ligou para a amiga, mas não obteve retorno. “Cadê você? A polícia não chegou e nem você. Minha filha está chorando”. A última mensagem na conversa entre as duas foi novamente um questionamento: “Cadê você, amiga?”, disse Amanda.

Samir foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, que solicitou à Justiça uma indenização à família de Amanda e a prisão do sargento. A pena sugerida foi de 70 anos de prisão.

O promotor Fábio Perez, que acompanha o caso, afirma que o crime foi premeditado. Além disso, ele relata que o sargento já apresentava histórico violento, se demonstrando frio e grosseiro.

Promotor do Ministério Público de São Paulo afirma que o crime foi premeditado. Na imagem, fotos do casal.Promotor do Ministério Público de São Paulo afirma que o crime foi premeditado – Foto: Divulgação/ND

Relembre o caso do sargento da PM que matou esposa em SP

Um laudo do IML (Instituto Médico Legal) apontou que Amanda Fernandes levou 51 facadas e três tiros do seu marido, o sargento da Polícia Militar Samir Carvalho. O crime ocorreu no dia 7 de maio, em uma clínica médica de Santos, no litoral de São Paulo. A vítima morreu no local.

Na ocasião, o homem invadiu o estabelecimento e efetuou vários disparos, que atingiram a esposa e a filha. Em seguida, ele aplicou golpes com uma faca em Amanda. A filha, de 10 anos, foi levada a um hospital e ficou internada por seis dias. O sargento foi preso em flagrante.

Sargento da PM que matou esposa foi detido e encaminhado para presídio militarSargento da PM que matou esposa foi detido e encaminhado para presídio militar – Foto: Divulgação/ND

Ele se encontra na condição de “agregado”, medida administrativa aplicada a policiais militares presos. Nessa situação, ele é considerado inativo, não tem direito a salário ou contagem de tempo de serviço.

Samir participou da reconstituição do crime no dia 22 de maio. Ele foi levado até o local do assassinato e, em depoimento às autoridades policiais, relatou não lembrar detalhes do ocorrido.

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