SC já registrou 220 casos de ‘sextorsão’ em 2021; entenda como o golpe faz vítimas

Migrando de uma rede social para outra, conversas entre vítima e golpista tendem a extorquir principalmente os homens

Letícia Coutinho Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Um crime cibernético vem crescendo ao longo dos anos em Santa Catarina. Através das redes sociais, principalmente o Facebook, golpistas criam perfis falsos e utilizam fotos de mulheres jovens para atrair homens, geralmente mais velhos, para iniciar uma conversa.

WhatsApp e o principal meio por onde o crime acontece – Foto: Reprodução/Pixabay/NDWhatsApp e o principal meio por onde o crime acontece – Foto: Reprodução/Pixabay/ND

Em Santa Catarina, só nos primeiros sete meses de 2021, foram estimados 220 registros deste crime pela Diretoria de Inteligência da PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina).

Todas as regiões catarinenses já registraram ao menos um caso. A cidade de Joinville, no Norte do Estado, lidera o ranking, com 14 denúncias já realizadas.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

O segundo município com mais ocorrências é Maravilha, no Extremo-Oeste, com nove denúncias. Em seguida, aparecem São José, na Grande Florianópolis, com oito, e Lages, na Serra, com sete.

Em comparação aos anos de 2020 e 2019, o número de denúncias disparou. Em 2019, foram 41 registros. No ano seguinte, em 2020, já eram 286 ocorrências relatadas, número quase sete vezes maior do que os estimados no ano anterior.

Confira as 10 cidades com mais casos de ‘sextorsão’ em 2021:

  • Joinville – 14 casos;
  • Maravilha – 9 casos;
  • São José – 8 casos;
  • Lages – 7 casos;
  • Chapecó – 6 casos;
  • Florianópolis – 6 casos;
  • Brusque – 4 casos;
  • Indaial – 4 casos;
  • Itajaí – 4 casos;
  • Itapema – 4 casos.

Casos reais

Um destes crimes extrapolou os R$ 80 mil arrebatados pelos golpistas. A investigação abordou casos em Criciúma e Içara, cidades no Sul do Estado. A investigação resultou em 12 pessoas indiciadas por organização criminosa, nove prisões preventivas decretadas e oito mandados de busca.

Na ocasião, os crimes de extorsão sexual aconteciam em série, fazendo diversas vítimas. A DRR/DIC (Divisão de Repressão à Roubos da Polícia Civil de Criciúma) encerrou a ocorrência em março de 2021, após dois anos de investigação.

A abordagem dos golpista parece seguir o mesmo padrão, segundo informações da DDR/DIC. “A organização criminosa executava uma complexa articulação para extorsão de vítimas, intimamente expostas, em trocas enganosas de mensagens por aplicativos. A atuação dos criminosos tinha início com a criação de perfis falsos de mulheres jovens em redes sociais”.

Além disso, o grupo detido também praticava extorsões qualificadas, lavagem de dinheiro, corrupção de menores, falsa identidade, uso de documento falso, falsidade documental, posse de arma de fogo e receptação.

Execução do golpe

A partir da conversa que começa no Facebook, os golpistas levam suas vítimas para uma nova rede. Dali em diante, a conversa chega no WhatsApp, onde o crime começa, de fato. No aplicativo, trocas de fotos íntimas, conhecidas como “nudes”, começam a pautar o assunto.

Após um período de troca de mensagens e fotos, um terceiro indivíduo, se passando por pai ou padrasto da “jovem”,  entra em cena. Ele aborda a vítima, informa que ela está conversando com uma adolescente e pede dinheiro para que o caso não seja levado a polícia, ou até mesmo para preservar a identidade de quem compartilhou as fotos, que sofre ameaças dos criminosos.

A Polícia Civil também informa que há casos em que os golpistas se passam por supostos advogados e policiais. Nessas situações, eles afirmam que as fotos fazem parte de uma investigação policial e solicitam dinheiro para que o “caso” seja arquivado.

Como se prevenir

O primeiro passo é não compartilhar fotos íntimas na internet, além de buscar saber quem são as pessoas que mandam solicitações de amizade. Não é recomendado aceitar desconhecidos nas redes sociais, e muito menos compartilhar dados pessoais, principalmente bancários.

Também é importante cuidar com pedidos de dinheiro pelas redes sociais, mesmo quando solicitado por amigos ou familiares. A instrução nestes casos é que se faça uma ligação para a pessoa quando receber este tipo de pedido.

Tópicos relacionados