Gabinete de Segurança oficializa estado de guerra em Israel; entenda

País sofreu invasão sem precedentes por terroristas do Hamas; ações já resultaram em mais de 600 israelenses mortos

Foto de R7

R7 Internacional

Receba as principais notícias no WhatsApp

O gabinete de Segurança de Israel autorizou, na noite do sábado (7), o estado de guerra no país. Com a oficialização, o governo poderá realizar “atividades militares significativas”.

Israel amanheceu neste domingo (8) ainda sob ataques do Hamas, que iniciou o conflito na madrugada de sábado (7). Na foto, uma estação policial completamente destruída, na cidade de Sderot, após os ataques que vieram da Faixa de Gaza em estado de guerraIsrael amanheceu neste domingo (8) ainda sob ataques do Hamas, que iniciou o conflito na madrugada de sábado (7). Na foto, uma estação policial completamente destruída, na cidade de Sderot, após os ataques que vieram da Faixa de Gaza – Foto: Ronald Schemidt/AFP/Reprodução/ND

Estado de guerra

O aviso de guerra será apresentado ao Knesset (parlamento israelense), um ato formal. É esperado que após isso, o Exército faça uma incursão terrestre em Gaza, visando principalmente a libertação de cidadãos sequestrados pelos milicianos — estima-se que sejam mais de cem, entre civis e militares.

A decisão ocorre na esteira de uma invasão sem precedentes de Israel pelos terroristas islâmicos do grupo Hamas, que resultou, até o momento, na morte de mais de 600 civis e militares israelenses. Mais de 2.000 pessoas estão feridas.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

O país também foi alvo de milhares de mísseis disparados a partir da Faixa de Gaza.

Domo de Ferro de Israel intercepta mísseis lançados a partir de Gaza em estado de guerraDomo de Ferro de Israel intercepta mísseis lançados a partir de Gaza – Foto: Amir Cohen/AFP/Reprodução/ND

Em nota, o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirma que foi tomada “uma série de decisões operacionais, cujo objetivo é alcançar a destruição das capacidades militares e governamentais do Hamas e da Jihad Islâmica de uma maneira que impeça sua capacidade e disposição de ameaçar e atacar os cidadãos de Israel por muitos anos”.

“Estamos embarcando em uma guerra longa e difícil que nos foi imposta por um ataque assassino do Hamas. A primeira fase está terminando neste momento com a destruição da grande maioria das forças inimigas que se infiltraram em nosso território. Ao mesmo tempo, iniciamos a fase ofensiva, que continuará sem limitações ou descanso até que os objetivos sejam alcançados. Restauraremos a segurança aos cidadãos de Israel e venceremos”, disse o premiê.

Entre as decisões tomadas pelo Gabinete de Segurança está a interrupção do fornecimento de eletricidade, combustível e mercadorias para Gaza.

Prédios foram bombardeados por Israel na Faixa de Gaza em estado de guerraPrédios foram bombardeados por Israel na Faixa de Gaza – Foto: Mahmud Hams/AFP/Reprodução/ND

A retaliação de Israel começou no próprio sábado, enquanto o país ainda era atacado. Mísseis foram lançados em direção a alvos específicos em Gaza, além de ataques aéreos, destruindo edifícios residenciais.

Uma torre de 14 andares que abrigava apartamentos e escritórios do Hamas no centro de Gaza foi completamente destruída.

Segundo o Hamas, 13 prédios foram atingidos. Também há 1.210 unidades residenciais parcialmente danificadas.

A Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras para os Refugiados da Palestina diz que pelo menos 20,3 mil residentes da Faixa de Gaza foram alojados em escolas.

Do lado palestino, foram contabilizadas até o momento 370 mortes e mais de 2.200 pessoas feridas, mas o número deve subir ao longo do dia, com a intensificação dos ataques de Israel.

Neste domingo (8), o Exército começou a retirar cidadãos israelenses que vivem em áreas próximas à fronteira de Gaza.

A remoção desses moradores deve ser realizada com total segurança, após uma minuciosa verificação da área, para garantir que não haja mais milicianos, ressaltou o porta-voz militar de Israel, Daniel Hagari.

Mapa da área do conflito armado entre Hamas e IsraelMapa da área do conflito armado entre Hamas e Israel – Arte: R7/Reprodução/ND

“No momento, estão ocorrendo combates heroicos para libertar os reféns, e também houve combates durante toda a noite”, disse o oficial, referindo-se aos conflitos em Kfar Aza, a 2 km a leste da fronteira com a Faixa de Gaza.

Entenda a guerra

Desde o início da ofensiva contra Israel lançada no sábado (7) pelo grupo islamita palestino Hamas a partir de Gaza, centenas de combatentes morreram e dezenas foram capturados, acrescentou o general Hagari.

Netanyahu prometeu uma contraofensiva jamais vista. Em outra reunião do Gabinete de Segurança, ele listou os três objetivos iniciais no momento:

“Nosso primeiro objetivo é eliminar as forças hostis que se infiltraram em nosso território e restaurar a segurança e a tranquilidade nas comunidades que foram atacadas. O segundo objetivo, ao mesmo tempo, é impor um preço imenso ao inimigo, dentro da Faixa de Gaza também. O terceiro objetivo é reforçar outras frentes para que ninguém se engane ao se juntar a esta guerra”.

Tanque de guerra israelense circula neste domingo (8) na cidade de Sderot, no sul do país, região próxima à Faixa de Gaza – Foto: Menahen Kahana/AFP/Reprodução/NDTanque de guerra israelense circula neste domingo (8) na cidade de Sderot, no sul do país, região próxima à Faixa de Gaza – Foto: Menahen Kahana/AFP/Reprodução/ND

Estima-se que mais de mil radicais do Hamas tenham se infiltrado em território israelense, algo nunca visto.

Eles assassinaram civis e militares, sequestraram pessoas e até corpos de israelenses foram levados para Gaza.

À emissora de TV Al Jazeera, o vice-chefe do Hamas, Saleh al-Arouri, disse que os integrantes do grupo têm em poder um número “suficiente” de israelenses, incluindo “oficiais de alto escalão”, para libertar todos os palestinos presos.

“Conseguimos matar e capturar muitos soldados israelenses. A luta ainda está acontecendo. Quanto aos nossos prisioneiros, digo que a liberdade deles está se aproximando. O que temos em mãos os verá libertados. Quanto mais a luta continuar, maior será o número de prisioneiros.”

Tópicos relacionados