Doze dias depois, ainda não são claras as circunstâncias do homicídio de Claudio Cesar da Rosa, morto no último dia 12 no Terminal Urbano Cidade de Florianópolis – o Terminal Velho. O local não tem câmeras internas e, para as externas, o local do crime é um “ponto cego”. Até então, a Polícia Civil não conseguiu imagens que captem o momento do homicídio.
Câmeras mostram momento que corpo de Cesar é retirado do Terminal – Vídeo: Arquivo/ND
Agora as investigações querem entender onde o morador em situação de rua sofreu a única facada que o vitimou, explica o delegado Ênio Matos, titular da DH (Delegacia de Homicídios de Florianópolis). No caso, se ele foi atacado dentro do terminal ou se caminhou até lá após ser golpeado. A motivação e a autoria do crime permanecem desconhecidas.
SeguirCésar, de 50 anos e ex-professor de matemática, recentemente voltou a viver em situação de rua. Na última semana de vida realizou exames de tuberculose para voltar a morar no abrigo municipal e planejava retomar a carreira de professor.
A morte foi sentida pelos feirantes da praça da Alfândega, onde ele trabalhava na montagem das barracas.
Os policiais e bombeiros chegaram ao local por volta das 8h, quando o professor ainda estava consciente – ele estava estirado no terceiro corredor do Terminal. A vítima, natural de Bom Retiro, relatou que tinham roubado o celular dele e que não conhecia os criminosos. A morte ocorreu horas depois, no Hospital Governador Celso Ramos.
Claudio foi assassinado com um golpe de faca no peito. Motivação e autoria ainda são desconhecidas – Foto: Reprodução/Redes SociaisTerminal Velho não tem câmeras internas
A estrutura do antigo terminal de ônibus é administrada pela Prefeitura de Florianópolis e utilizada apenas para a baldeação de algumas linhas de ônibus.
Não há monitoramento dentro do prédio: as câmeras estão instaladas na parte externa do local. São dois equipamentos, operados pela Polícia Militar e postos na entrada e na saída – próximo à praça Fernando Machado.
“O local onde o corpo foi encontrado é um ‘ponto cego’, fica bem na parte central. Então não tem como observar pelas imagens quem supostamente cometeu o crime. Elas estão à disposição para a investigação da Polícia Civil”, afirma o tenente-coronel Dhiogo Cidral, comandante do 4º BPM (Batalhão da Polícia Militar).
O ND+ verificou imagens captadas por câmeras de algumas lojas e prédios comerciais localizadas no entorno do Terminal Cidade de Florianópolis. Entretanto o local onde Cláudio Cesar foi encontrado e atendido está distante do raio da gravação.
O monitoramento do local atualmente fica a cargo da SSP (Secretaria Estadual de Segurança Pública). A pasta não retornou ao ND+ até o fechamento da reportagem.
Por que falta videomonitoramento?
Nos demais terminais da Capital – os chamados Terminais Integrados – os equipamentos e a vigilância são operados como parte do contrato de concessão. Ou seja, a Consórcio Fênix é a responsável por garantir a realização do serviço.
Contudo, o Terminal Velho não tem concessão. “O espaço é publico, como uma praça. Não é todo espaço público que recebe câmeras”, justifica o secretário municipal de Segurança Pública, Araújo Gomes. A Guarda Municipal e a Polícia Militar são responsáveis pelo monitoramento.
Gomes afirma há bastante frequência de viaturas justamente por conta da localização estratégica do terminal. “A Guarda Municipal realizou quase duas mil intervenções relacionadas a pessoas em situação de rua no Centro, durante o último ano”, afirma.
Hoje, a região enfrenta baixa ocupação por conta da degradação urbana, que se intensificou após a desativação do Terminal. A revitalização do local seria uma alternativa mais robusta para fortalecer a segurança, conclui o secretário.