Rodrigo Djarma de Assunção, ex-secretário-adjunto de Desenvolvimento Urbano da Capital, e Fernando Berthier da Silva, ex-assessor jurídico da mesma pasta, são os nomes dos investigados que tiveram a casa revistada pela Polícia na manhã desta terça-feira (14), em Florianópolis.
Servidor da Floram aparece em vídeo recebendo propina – Foto: Divulgação/NDOs mandados fazem parte da Operação Mão Grande, da Polícia Civil de Santa Catarina, que investiga uma série de propinas no poder público municipal. Em tese, os investigados supostamente aceitavam propina para fornecer alvarás e licenças ambientais para as empresas parceiras da prefeitura.
No processo, conseguido com exclusividade pelo portal ND+, mensagens trocadas mostram um dos membros do esquema chamando a propina de “papelada”.
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Imagem mostra suposto esquema de propina – Foto: Arquivo Pessoal/NDA quantia de R$ 105 mil, pertencente aos servidores envolvidos, já foi bloqueada pela Vara Criminal da Região Metropolitana de Florianópolis. A mesma Vara também emitiu dois mandados de busca e apreensão, os quais foram cumpridos em residências na capital catarinense.
Durante a operação, foram apreendidos dinheiro em espécie, aparelhos eletrônicos e documentos, os quais passarão por análise para identificar todos os envolvidos.
Em nota, a Prefeitura de Florianópolis informou que nenhum dos alvos dessa segunda fase da operação são servidores do município atualmente. A operação, via Polícia Civil, segue recebendo apoio da Prefeitura, através da Controladoria-Geral, com auditoria em todos os processos que tenham passado por algum dos envolvidos.
Extrato mostra suposto pix de propina – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/NDA defesa
Questionada, a defesa de Rodrigo Djarma de Assunção, ex-secretário-adjunto de Desenvolvimento Urbano da Capital, disse que ainda não é possível se posicionar sobre o assunto. Isso porque, segundo eles, os advogados não tiveram acesso à motivação desta nova fase de busca e apreensão pois o processo está em segredo de justiça.
Imagem mostra Rodrigo e Fernando – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/NDJá a defesa de Fernando Berthier da Silva, ex-assessor jurídico da mesma pasta, declarou que:
Vou pedir a instalação de inquérito para apurar quem quebrou o sigilo dos autos, fornecendo informações a terceiros cujo conteúdo nem a defesa teve acesso ainda.
Quanto ao celular apreendido, com certeza nada será encontrado que possa comprometer a dignidade, a honra e a conduta ilibada do meu cliente.
Essa é mais uma aventura do Ministério Público que terá o mesmo destino da outra: será rechaçada pelo Judiciário.
Uma prova eloquente de que não existem indícios sérios de conduta criminosa é o fato de o juiz ter negado pedido de prisão.
Estamos aguardando para os próximos dias a rejeição da outra denúncia oferecida contra o Fernando, que não tem a menor base fática e narra circunstâncias que beiram o absurdo.
Relembre o caso de propina em Florianópolis
O servidor da Floram, Felipe Pereira, foi flagrado em vídeo recebendo propina de um construtor para fazer a liberação de uma obra irregular, em Florianópolis.
Ele foi preso no dia 15 de setembro, durante uma operação da Polícia Civil, e a prefeitura informou que teve conhecimento do caso na mesma noite.
Conforme a investigação, Felipe Pereira, que atuava como servidor público no município há oito anos, teria abordado um construtor envolvido em obras irregulares na área do Ribeirão da Ilha, na região Sul da Ilha de Santa Catarina.
O ND+ teve acesso ao vídeo do momento em que Felipe recebe a propina. O servidor afirma que o valor acertado seria de R$ 90 mil caso o pagamento fosse realizado à vista, ou R$ 110 mil se fosse parcelado.
O ND+ teve acesso ao vídeo do momento em que Felipe recebe a propina. O servidor afirma que o valor acertado seria de R$ 90 mil caso o pagamento fosse realizado à vista, ou R$ 110 mil se fosse parcelado – Vídeo: Divulgação/ND
Durante a conversa, o construtor rebate que o valor acertado seria de R$ 30 mil à vista para cada unidade ou R$ 35 mil parcelado. O dinheiro em conversa, segundo a Polícia Civil, seria para a liberação de uma construção sem licença.
Nei João da Silva, outro investigado pelo esquema de pagamento de propina, era nomeado pelo Governo de Santa Catarina como diretor de tecnologia e inovação do Detran.
Ele foi exonerado do cargo com salário de R$ 8 mil. O decreto, assinado pelo governador Jorginho Mello (PL), foi publicado na segunda-feira (18) no Diário Oficial do Estado.
O advogado Eduardo Herculano, que representa Felipe Pereira, informou que não irá se manifestar sobre o caso.
A defesa de Nei João da Silva emitiu uma nota de resposta às acusações de corrupção.
“Vamos colaborar com a investigação. A gente pretende provar a inocência dele e mostrar a verdadeira intenção por trás dessa notícia”, afirmou o advogado André Kinchescki, que representa Nei.