‘Sexo explícito’: homem é flagrado com jogo pornográfico em ônibus de Florianópolis

Caso aconteceu às 7h25, horário com grande fluxo de pessoas, em bairro residencial da Capital; homem estava em local visível, sem esconder material pornográfico

Foto de Ada Bahl

Ada Bahl Florianópolis

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Um homem foi flagrado jogando um jogo pornográfico em um ônibus em Florianópolis, na última quinta-feira (19). Caso foi registrado por volta das 7h25, no ônibus Coloninha, no bairro residencial Canto, na Capital.

Homem joga jogo pornô em ônibus de Florianópolis – Foto: Arquivo pessoal/NDHomem joga jogo pornô em ônibus de Florianópolis – Foto: Arquivo pessoal/ND

O homem, que aparentava ter 30 anos, foi avistado sentado no assento destinado a cadeirantes. O fato foi presenciado por duas mulheres no transporte público.

Desde as 7h20, quando foi avistado, até as 7h35, quando o ônibus parou no terminal central, ele permaneceu entretido no conteúdo. O jogo aparentava ser uma “visual novel”, gênero de história com envolvimento romântico. Neste caso, o objetivo do jogador é “conquistar” a garota.

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Durante o percurso, o homem respondia uma série de perguntas dentro do jogo, afim de conquistar a mulher e ter relações com ela. Cada pergunta respondida de forma “errada” levava a um fim.

Constantemente o cidadão voltava ao salvamento anterior para que pudesse corrigir a resposta e obter a cena de sexo. As imagens do jogo iam de semi-nudez e sexo explícito. Em determinado momento, pôde ser observada uma cena de sexo oral com todos os detalhes.

Confira o vídeo:

Jogo adulto continha cenas de sexo explícito – Vídeo: Divulgação/ND

O que assustou os presentes foi que o horário, se em período normal de aula, é o momento em que muitas crianças e adolescentes usam o transporte público para ir até a escola, e eventualmente poderiam se deparar com a cena, visto que o homem não fez questão de disfarçar.

O que dizem as autoridades?

A advogada Gabriela Souza, especializada em Direito da Mulher, comenta sobre o ocorrido. “Há condutas muito machistas e misóginas que, pelo plano de fundo do patriarcado, não são consideradas crimes específicos. Como: não é crime olhar pornografia em público”, explica.

Ela segue dizendo que há contravenções, ou seja, crimes de menor potencial ofensivo, como “ato de atentado ao pudor”. “Dessa forma, se uma mulher estivesse do lado dele, e ele tocou nela ou se tocou, algo assim, poderia ser tipificado como importunação sexual”, diz.

“Se isso também abala a psiquê dela, poderíamos pensar em violência psicológica, enfim. Entendo, inclusive, que pode ser punível como uma ação coletiva, que atinge todos que andam de ônibus e que trabalham em coletivo, e que são expostos a esse tipo de situação”, finaliza.

Ver pornografia em público não é considerado crime, segundo legislação – Foto: Polícia Civil/Divulgação/NDVer pornografia em público não é considerado crime, segundo legislação – Foto: Polícia Civil/Divulgação/ND

A delegada da DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso), Gisele Jerônimo, diz que, situações nesse sentido são “bastantes delicadas”.

“Não seria nada adequada essa conduta, mas uma situação dessas deve ser avaliada atentamente. De forma superficial, fica difícil criminalizar ou não a conduta, mas penso que não deve ser tratado como uma coisa banal”, exprime.

Nesse sentido, ela segue dizendo que a principal opção é o Boletim de Ocorrência. “Penso que deve ser formalizada uma denúncia junto a delegacia da mulher de Florianópolis. Ainda que de forma anônima. Nesse sentido, a polícia pode avaliar a imagem, o contexto, tentar identificar as pessoas, entre outras questões”, explica.

Ela pontua o os canais de atendimento oferecidos pela Polícia Civil:

  • Disque Denúncia – 181
  • Denúncia pelo Whatsapp, no número (48)988440011
  • Denúncia pelo Telegram, também no número (48)988440011
  • Denúncia pela Delegacia Virtual de Polícia

“Se a pessoa preferir, pode procurar a Delegacia da Mulher da Capital, na agronômica, ou a Central de Plantão Policial, na Trindade”, finaliza.

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