Sobrevivente de naufrágio em Penha relembra momentos de desespero

Moacir Benevenuti saiu de Indaial para pescar em Penha na última terça-feira (10), mas o barco que ele e mais três estavam naufragou a 3 Km da costa

Kassia Salles Itajaí

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“Um milagre”. É como Moacir Luiz Benevenuti, um dos sobreviventes do naufrágio em Penha na noite desta terça-feira (10), define o próprio salvamento, feito por um maricultor. O barco que ele e mais três estavam naufragou a cerca de 3 Km da costa.

Ele, o tio e dois amigos decidiram sair para pescar pela manhã. Moacir mora em Apiúna, no Médio Vale, e já costuma pescar por lazer há muitos anos. Ele esperava que aquela terça-feira fosse mais uma de muitas, mas ela foi marcada pelo desespero e uma tragédia.

Armadilhas para marisco em PenhaSobrevivente do naufrágio em Penha considera um milagre ter sido salvo – Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação

Eles chegaram a Penha pela manhã. Passou na casa do tio, vítima fatal do naufrágio, e que é de Indaial, também no Vale. Os dois seguiram para Penha, onde se juntaram aos outros dois. Um deles é dono do barco, e outro, um vizinho dele.

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Os quatro passaram o dia no mar, mas por volta das 16h30, o vento ficou mais forte. Com a noite chegando, decidiram voltar para terra firme. No entanto, no meio do caminho, o motor do barco parou de funcionar pela primeira vez.

Moacir Luiz BenevenutiMoacir mora em Apiúna e veio pescar em Penha – Foto: Arquivo pessoal

Eles conseguiram religar o motor, mas logo tiveram outro problema. Uma linha das armadilhas para mariscos acabou enroscando nas hélices do motor, que pifou. “A gente tentou cortar a linha, mas não tinha jeito”, relembra Moacir.

Foi quando o vento virou o barco, que afundou rapidamente. Os quatro ocupantes estavam de colete salva-vidas, e um pneu de socorro do barco também foi usado pelos ocupantes para se manter na superfície.

“Tinha muito vento empurrando para dentro [do mar]. A gente nadava, nadava, mas não saia do lugar”, conta. Moacir lembra que os quatro conseguiram se segurar nas boias da maricultura.

Moacir conta que ficou mais de 12 horas no mar, “lutando para se manter aquecido”, até por volta das 7h da manhã de quarta, quando foi encontrado por um maricultor, que resgatou ele e outro sobrevivente, vizinho do dono do barco.

O tio de Moacir foi encontrado morto pelo Corpo de Bombeiros Militares ainda na quarta-feira (11). Já o dono do barco segue desaparecido.

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