Suástica nazista pichada em placa de igreja em SC gera investigação policial

Inquérito foi instaurado pela Polícia Civil para investigar autor do crime

Redação ND Blumenau

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A placa que sinaliza a localização da Igreja Anglicana Comunidade Bom Jesus, em Pomerode, no Vale do Itajaí, foi alvo de um ataque criminoso. Uma suástica nazista foi pichada em cima da identificação da igreja, em spray preto.  A ação motivou uma investigação da Polícia Civil.

Suástica foi pixada em cima de placa de igreja anglicana em Pomerode; polícia investiga caso – Foto: Reprodução/InternetSuástica foi pixada em cima de placa de igreja anglicana em Pomerode; polícia investiga caso – Foto: Reprodução/Internet

Um inquérito foi instaurado pela Polícia Civil para identificar o autor do crime. O delegado Antônio Godoi, responsável pela investigação, falou que a polícia acredita que a pichação foi feita na madrugada do domingo de Páscoa (17). Detalhes sobre a linha de investigação ou se já existem suspeitos não foram confirmados.

Igreja Anglicana tem mulheres sacerdotes

Quando o rei inglês Henrique 80 quis se divorciar e casar com a amante, criou a Igreja Anglicana. Ao longo dos anos, a religião ganhou adeptos e ficou conhecida por pertencer a uma vertente cristã mais moderna, principalmente por possuir sacerdotes mulheres e permitir o casamento homoafetivo.

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Crime

A apologia ao nazismo  é crime e se enquadra na Lei nº 7.716 de 1989. O texto da lei explica que é crime “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”. A pena é de reclusão de dois a cinco anos e multa.

Além disso, o entendimento jurisprudencial consolidado do Supremo Tribunal Federal entende que o direito à liberdade de expressão não engloba a apologia do nazismo.

Símbolo nazista em mochila

Recentemente um jovem foi flagrado em Blumenau ostentando um símbolo ligado ao nazismo. O rapaz foi visto pela reportagem da NDTV em um dos terminais de ônibus do município com uma mochila com o Sol Negro.

O Sol Negro, uma espécie de roda solar, é um símbolo ligado ao nazismo e utilizado por movimentos neonazistas pós 2ª Guerra Mundial. O desenho do símbolo consiste em doze runas radiais, semelhantes ao que era utilizado pela SS (Polícia do Estado Nazista).

Uma usuária do transporte coletivo foi quem alertou a reportagem sobre a presença do rapaz e afirmou que ele aparece frequentemente utilizando a mochila com o símbolo.

PM (Polícia Militar) foi procurada para tratar sobre o caso, e disse que a situação não gerou ocorrência. Uma guarnição esteve no terminal, mas, a princípio, o homem não foi localizado.

Historiador explica aumento de manifestações nazistas em SC

Outro recente caso de apologia ao nazismo em Santa Catarina, flagrado em um vídeo que mostra um homem balançando a bandeira com a suástica em um apartamento na avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, é um registro que tem se tornado cada vez mais corriqueiro no Estado.

Para o professor de história da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) João Klug, que trabalha com o assunto há mais de 40 anos, é perceptível que o assunto tem se tornado mais frequente de um curto tempo para cá.

Segundo Klug, a alta quantidade de manifestações e movimentos neonazistas em território catarinense – e seu eventual aumento nos últimos anos – tem com base múltiplos fatores. Um deles é a ligação desse crescimento a uma onda que ocorre em todo o mundo desde a metade da última década.

“O que eu percebo é que tem acontecido com muito mais frequência que um tempo atrás, e estou associando isso a uma visão de impunidade em relação a manifestações, atitudes violentas a imigrantes e homofobia”, explica o historiador. “É uma marca que tem acontecido em manifestações de extrema-direita no mundo todo”, diz.

Segundo ele, os casos encorajam outros grupos a se manifestar, e a impunidade dá ainda mais combustível. “Vem no reboque da onda da violência de uma forma geral”, diz.

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