Apesar de o sequestro “sapatinho” ser um dos mais utilizados em assaltos a bancos, em Santa Catarina o último registro, anterior ao caso de Santa Cecília, que aconteceu nesta segunda-feira (6), foi registrado em 2015, de acordo com informações da DRAS (Divisão de Roubos e Antissequestro) da DEIC (Diretoria Estadual de Investigações Criminais) da Polícia Civil de Santa Catarina.
Tentativa de assalto ocorreu na tarde da segunda-feira (6). – Foto: Lucimara Nascimento/Divulgação/ND“Em 2015 ocorreram três episódios semelhantes a esse no Estado. Todos foram efetuados por uma mesma quadrilha que acabou sendo presa. Não temos muitos registros de crimes como este em Santa Catarina”, relata o delegado titular da DRAS, Anselmo Cruz.
O delegado detalha como ocorre a atuação dos criminosos nesse tipo de sequestro. Segundo Cruz, o nome “sapatinho” é utilizado porque os assaltantes agem na surdina, “devagar” e sem levantar suspeitas.
Seguir“Em 2012 houve um assalto a um banco em Florianópolis, cometido por uma quadrilha de Minas Gerais, onde os criminosos usaram terno durante a ação. Na ocasião, o gerente do banco também teve artefatos explosivos falsos colocados junto ao corpo”, lembra.
Alvos dos criminosos
Os alvos desses crimes são gerentes ou funcionários de agências bancárias. Os assaltantes abordam a vítima e depois sequestram a família para aterrorizar e pressionar o funcionário a retirar o dinheiro sem que ninguém perceba.
Em Santa Cecília, o gerente do banco foi abordado quando chegava em casa para o almoço. Na sequência, os assaltantes renderam a esposa e as duas filhas e as mantiveram sequestradas enquanto obrigaram o homem ir até a agência retirar o dinheiro solicitado.
No corpo da vítima, colocaram um cinto com artefatos que alegaram ser explosivos para amedrontá-lo. Nenhuma quantia em dinheiro foi levada e os criminosos libertaram a esposa e as filhas do gerente e fugiram.
“Nesses crimes os assaltantes não utilizam armas e agem normalmente, sem chamar a atenção ou levantar suspeitas de quem está próximo”, acrescenta o delegado.
Crime em Santa Cecília
A DEIC segue está investigando a tentativa de assalto a uma agência do Branco do Brasil, que aconteceu no início da tarde de segunda-feira (6) na cidade de Santa Cecília, na região do Meio-Oeste do Estado. Os criminosos ainda não foram localizados.
Cruz relatou que a equipe da DEIC saiu de helicóptero de Florianópolis para averiguar a informação sobre a faixa com suposto artefato explosivo colocada no corpo do homem. Uma equipe especializada foi mobilizada para desmontar o simulacro.
“Num primeiro momento, garantimos a segurança de todas as pessoas, desmontando o artefato e identificando que se tratava de uma falsa bomba, utilizada para aterrorizar as vítimas”, destacou o delegado. A rua do banco precisou ser totalmente fechada. O gerente, a esposa e as duas filhas do casal foram liberados e todos passam bem.
Ainda conforme o delegado, o objetivo do grupo era intimidar o gerente para que voltasse ao banco, abrisse o cofre e entregasse todo o dinheiro aos criminosos. O bando, no entanto, fugiu sem levar nada antes da chegada da polícia.
Cerca de 30 policiais ainda trabalham nas buscas pelos criminosos, segundo o delegado Anselmo Cruz. O ataque ao banco está sendo investigado pela DRAS (Divisão de Roubos e Antissequestro) da DEIC. Dois helicópteros, além de 40 policiais, foram mobilizados na tarde segunda-feira durante a operação.
O que diz o Banco do Brasil?
Em nota, o Banco do Brasil disse que esta colaborando com as investigações da polícia. “A área próxima ao banco foi isolada para garantir a segurança. Verificamos que não era um explosivo verdadeiro, mas sim um simulacro que foi desmontado garantindo a segurança de todos”, detalhou.