‘Tem que ser forte’, pai retorna à creche com gêmeas que sobreviveram a ataque em Blumenau

Irmãs se trancaram em uma lavanderia durante o atentado que chocou o mundo

Foto de Richard Vieira e Lucas Adriano

Richard Vieira e Lucas Adriano Criciúma

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Enquanto prestava homenagem às vítimas do ataque a creche em Blumenau (SC) nesta quinta-feira (6), Alisson de Marco, pai de gêmeas  sobreviventes, relembrou o momento em que descobriu que a instituição, onde as filhas estudam e a esposa é funcionária, foi alvo de um atentado.

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    Pai retorna à creche com gêmeas que sobreviveram a ataque em Blumenau - Lucas Adriano/ND
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    Irmãs se trancaram em uma lavanderia durante o atentado que chocou o mundo - Lucas Adriano/ND
    Irmãs se trancaram em uma lavanderia durante o atentado que chocou o mundo - Lucas Adriano/ND

“Eu cheguei aqui e estava todo mundo em choque”, conta Marco, ao ND+. Ele retornou à frente da Creche Cantinho Bom Pastor nesta quinta-feira, um dia após o atentado. Dessa vez, acompanhado das filhas, para homenagear as quatro crianças que morreram.

Marco relata que, durante o ataque, as gêmeas conseguiram se trancar na lavandeira junto com outros colegas. A esposa, que é funcionária do local,  também foi uma das sobreviventes do atentado brutal.

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“Ela ligou na empresa onde eu trabalho e falou com o meu supervisor: ‘vem aqui no colégio que um homem entrou com um machado'”. Ele disse que a minha esposa estava bem, mas vi que não tinha notícia das minhas filhas”, relembra.

O pai, então, foi até a creche em busca da família. “E a coragem para chegar, um monte de pai gritando, pedindo para ver o filho. Nisso, o meu supervisor conseguiu falar com a minha esposa e que elas estavam bem. Fiquei de lado e deixei os outros pais receberem notícias dos filhos”, diz.

“Mas tu tem que ser forte nessa hora. A espera ali é uma loteria, tu torcer para que o teu filho saia pelo portão”, destaca Marco.

A creche está recebendo diversas visitadas desde o ataque. Funcionários cobriram o portão de entrada com um pano preto, em demonstração de luto pela tragédia.

Flores são deixadas em frente à Creche Cantinho Bom Pastor em Blumenau – Foto: Franciele Cardoso/NDTVFlores são deixadas em frente à Creche Cantinho Bom Pastor em Blumenau – Foto: Franciele Cardoso/NDTV

Vários arranjos de flores, velas e cartazes também continuam sendo colocados na entrada, desde a noite de quarta-feira (5), quando uma vigília foi feita no local.

Relembre o caso

Um criminoso, de 25 anos, pulou o muro da creche e atacou as vítimas, por volta das 9h, com uma machadinha. Ele se entregou à polícia logo após cometer o crime. Três meninos e uma menina com idades entre 4 e 7 anos morreram.

As quatro crianças que morreram estão sendo veladas nesta quinta-feira em cemitérios da região. O ataque também deixou outras cinco crianças feridas. Um foi liberada logo após atendimento médico e o restante retornou para casa nesta quinta-feira (6).

Durante entrevista coletiva, o governo do Estado confirmou que o homem tem outras quatro passagens pela polícia. Uma delas por esfaquear o padrasto. Ele também já foi detido por posse de drogas.

O ND+ não irá publicar os nomes do autor e das vítimas do ataque, assim como imagens explícitas do crime. A decisão editorial foi feita em respeito às famílias e ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), também para não compactuar com o protagonismo de criminosos.