Tentativa de estupro foi estopim para internação de pessoas em situação de rua em Florianópolis

Quatro dias após um homem em situação de rua tentar roubar e estuprar uma mulher à luz do dia no Centro de Florianópolis, a prefeitura propõe projeto de lei para internação compulsória

Foto de Gabriela Ferrarez

Gabriela Ferrarez Florianópolis

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Uma tentativa de estupro à luz do dia no Centro de Florianópolis foi o estopim para a Prefeitura de Florianópolis propôr, nesta quarta-feira (17), um projeto de lei para internar compulsoriamente pessoas em situação de rua dependentes químicas.

Tentativa de estupro foi estopim para internação de pessoas em situação de rua em FlorianópolisVídeos mostram momentos antes do homem tentar estuprar e roubar mulher que ia para o trabalho – Foto: PMSC/Divulgação/ND

O caso aconteceu no sábado (13), por volta das 7h, quando a vítima foi agarrada por um homem em situação de rua após virar a esquina da rua Trajano para a Vidal Ramos, no Centro da Capital, para ir ao trabalho.

Vídeos flagraram o crime e a fuga do suspeito, que ainda é procurado pela polícia.

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Em uma publicação nas redes sociais que falava sobre o caso, o prefeito Topázio Neto adiantou que a prefeitura formalizava um pedido para internação compulsória com autorização familiar.

Ele afirmou que,  nos próximos dias, novos agentes serão chamados para abordar as pessoas em situação de rua no Centro. Em seguida, falou sobre a internação compulsória.

“Também estou formalizando pedido de internação por autorização familiar, sem precisar do aceite da pessoa”, escreveu o prefeito.

Comentário foi feito em publicação que denunciava crime em Florianópolis – Foto: Reprodução/NDComentário foi feito em publicação que denunciava crime em Florianópolis – Foto: Reprodução/ND

A informação foi adiantada pela coluna do Diogo de Souza, assumida interinamente pelo jornalista Danilo Duarte.

O projeto de lei prevê que o município possa internar o dependente mesmo contra a sua vontade. Estão previstas no projeto duas situações: no primeiro caso, com autorização da família. No segundo caso, com pedido de curatela provisória pelo município.

MPSC mira em saúde mental para reduzir violência

Na segunda-feira (15), o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) instaurou um inquérito justamente para questionar o que está sendo feito na cidade para encarar o problema de segurança pública.

A notícia de fato pede que as secretarias de saúde e de assistência social do município listem clínicas ou comunidades terapêuticas que possam atender os dependentes químicos que vivem na rua.

Além disso, o pedido quer que a PMSC relate as ocorrências dos últimos seis meses que envolveram pessoas em situação de rua em Florianópolis.

“Está na hora de a gente poder colocar e discutir seriamente essa questão, não só do ponto de vista assistencial. Porque só se fala a questão da segurança alimentar e Florianópolis tem bons equipamentos que garantem isso. Porém, o nível de violência e tensionamento nas ruas está muito grande e isso precisa ser discutido”, disse promotor Daniel Paladino para a coluna.

Dois crimes com pessoas em situação de rua em 15 dias

Em 9 de janeiro, uma mulher de 31 anos foi roubada e espancada por uma pessoa em situação de rua no Centro de Florianópolis.

Thainá Dalmagro conta que, por volta das 22h de terça, saía da manicure a caminho do Ticen (Terminal de Integração do Centro), quando foi abordada por uma mulher em situação de rua, que pediu um cigarro. Ela estava acompanhada de um homem, também em situação de rua.

A vítima relata que falou para a mulher que não fumava, mas que podia comprar um cigarro para ela. Foi quando as agressões começaram.

“Quando eu virei pra pegar minha mochila, ela me empurrou, eu caí no chão, e foi aí que ela começou a me dar diversos golpes na cabeça. Eu estava com rabo, ela [pegou o cabelo amarrado e] começou a socar a minha cabeça no chão”, lembra Dalmagro.

A suspeita foi encontrada usando os chinelos da vítima e presa por roubo e lesão corporal grave.

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