Após a prisão de sete integrantes de uma quadrilha suspeita de sequestrar caminhoneiros em Santa Catarina, na última sexta-feira, dia 27, o Grupo ND conversou com exclusividade com um dos caminhoneiros sequestrados. Ele contou o que passou nas mãos dos criminosos. A identidade da vítima será preservada.
Momento da prisão dos integrantes da quadrilha suspeita de sequestrar caminhoneiros – Foto: Reprodução imagens de vídeo/Divulgação ND“A oferta de frete era de Florianópolis para Cuiabá. Tudo passado por aplicativo. A carga era para ser produto de limpeza. Me passaram o endereço e por GPS cheguei no destino (para carregar e seguir viagem). Tinha um rapaz que fazia vistoria no caminhão e quando ele estava fazendo a vistoria chegou um outro rapaz dizendo que era inspetor que controlava as cargas. Perguntou da ordem para carregar. Eu disse que não tinha, mas que tinha conversado com ele”, lembra o caminhoneiro.
Neste momento, o suposto inspetor falou que era para seguirem até o escritório pegar a “ordem” para carregar.
Seguir“Nesse momento imaginei que tinha entrado em uma cilada.”
Os dois saíram, entraram em um carro e foram até o cativeiro, em Florianópolis.
“No cativeiro já havia dois homens. Não deu tempo para nada. Foi encostar o caminhão, entrar no carro e parar no cativeiro”, relembra a vítima.
Chegando no cativeiro, o caminhoneiro foi vendado e teve os pés e mãos amarrados.
“Eles davam comida e água. Para ir no banheiro, tinha de avisar. A gente tinha de ficar deitado o tempo todo. Não podia levantar. Ficamos ali dois dias. Eu cheguei na quarta-feira à tarde e saímos na sexta-feira à noite”, conta o caminhoneiro.
Os criminosos, então, falaram que dariam um remédio para “a segurança”.
“Eu dormi uma noite inteira. Na sexta-feira, alguém viu a gente ali e avisou a polícia. Daí, vamos levados para o pronto-atendimento, depois ficamos em um hotel. Ainda estava dopado e alguém me ajudou a tomar banho.”
Segundo a vítima, o cativeiro era uma chácara e havia muito barro. Ele, claro, só percebeu após ser libertado. Estava muito sujo de barro. No cativeiro, quando chegavam mensagens de familiares nos celulares dos caminhoneiros, os criminosos pediam que eles respondessem e instruíam as respostas. “Até som eles simulavam de empilhadeira”, lamentou.
Na noite de sexta-feira (27), após a liberação dos caminhoneiros, a Polícia Civil localizou os criminosos em Itapema, onde passariam mais um tempo para praticar outros sequestros.
Ao todo, sete pessoas foram presas. Veja o momento da prisão dos integrantes da quadrilha suspeita de praticar os sequestros de caminhoneiros. A investigação e prisão foi comandada pelo delegado Murilo Batalha, da DIC Joinville.
Quadrilha é suspeita de praticar, pelo menos, 14 sequestros – Vídeo: PC/Divulgação
* Com informações de Gabriela Milanezi, repórter da NDTV Florianópolis