Tio de Lázaro diz que sobrinho recebeu ordens para matar: ‘era carinhoso’

Jorcilei Sales acredita que Lázaro foi contratado para matar a família Vidal; serial killer foi executado na segunda-feira (28) pela polícia de Goiás

Redação ND* Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp

Jorcilei Sales, tio de Lázaro Barbosa, afirmou que o sobrinho “era carinhoso, apesar de ser um pouco sistemático”. Este é um dos motivos que o leva a acreditar que a chacina contra a família Vidal foi encomendada.

Lázaro era considerado carinhoso pela famíliaLázaro era considerado carinhoso pela família – Foto: Reprodução/ND

Jorcilei atua em trabalhos rurais e diz conhecer “praticamente toda região de Goiás com Distrito Federal“, por onde Lázaro teria praticado o crime e fugido da polícia. Graças a esse conhecimento que tem, acredita que Lázaro foi contratado para matar a família Vidal.

Advogados também acreditam que houve “excesso de dolo” na execução do fugitivo. Os agentes que participaram da ação dispararam 125 vezes na ocasião e o secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, disse que o criminoso “não deu nenhum espaço para rendição”.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Lázaro fugiu da polícia por 20 dias, pela área rural de Goiás, após ser apontado como responsável pela morte de quatro pessoas da mesma família, em Ceilândia, na região administrativa do Distrito Federal. Ele foi capturado e morto na última segunda-feira (28), próximo à casa da ex-sogra, no município de Águas Lindas, no interior goiano.

“No meu ponto de vista, não tenho testemunho, mas eu acredito que foi um crime encomendado, porque [a área de divisa entre] Brasília e Goiás é um lugar de gente que não paga a pessoa como deve, e acredito que aquilo não foi da cabeça dele, não”, diz Jorcilei.

O tio de Lázaro lembra que, mesmo após terem ficado distantes por conta das rotinas, eles seguiam sendo amigos, e o sobrinho perguntava sobre Jorcilei toda vez que ligava para a mãe, além de sempre ter sido respeitoso com toda a família.

“Para mim, ele foi e sempre será meu amigo. Se eu te falar que ele já levantou uma voz alta com a gente, eu estou mentindo. Ele era carinhoso, sempre quando vinha em casa, apesar de ser um pouco sistemático, ele beijava no meu rosto, beijava no rosto da tia dele. Nós tínhamos um vínculo muito forte”.

Entrega que não aconteceu

Mas Jorcilei destaca que “toda família tem uma ovelha negra”, e diz que apesar de nenhum familiar de Lázaro, tanto por parte de mãe como por parte de pai, nunca ter tido problemas com a polícia, o sobrinho “trouxe um trauma do passado na vida dele, talvez pela sequela da criação que o pai teve com ele”.

Serial killer foi capturado na manhã desta segunda-feira (28)Serial killer foi capturado na manhã desta segunda-feira (28) – Foto: Reprodução/Internet/ND

Jorcilei conta que a família está abalada, porque esperava que Lázaro se entregasse a pagasse pelos crimes que são atribuídos a ele atrás das grades, mas também lamenta pelas possíveis vítimas de Lázaro. O tio também acredita que, no momento da captura, o sobrinho “revidou e a polícia, que já estava com muita raiva dele, acabou abatendo a vida”.

Fazendeiro preso

Enquanto a polícia ainda buscava por Lázaro na área rural de Goiás, um fazendeiro de 74 anos foi preso, na quinta-feira (24), apontado como facilitador da fuga do homem. Jorcilei afirma que conhece esse idoso que foi preso, pois trabalhou para ele e o considera “um segundo pai”.

Jorcilei afirma que trabalhou por dois anos e meio para o fazendeiro, e diz que o idoso não pagava nada pelos serviços, mas quando saiu do emprego, recebeu o que havia combinado pelo tempo de trabalho.

O tio de Lázaro diz não saber os motivos para um possível envolvimento do idoso, mas acredita que o fazendeiro é “um homem de bom coração”.

Advogados veem “excesso de dolo” em morte de Lázaro Barbosa

Segundo o criminalista Adib Abdouni, a “brutalidade dos crimes cometidos por Lázaro e a caça policial deflagrada contra a sua pessoa mobilizou a imprensa e a sociedade brasileira na espera de sua prisão, dada a repercussão da periculosidade de suas ações delituosas”.

Lázaro morreu em confronto com a políciaLázaro morreu em confronto com a polícia – Foto: Reprodução/ND

Ele afirma, no entanto, que “o desfecho da morte do criminoso não deve servir ao propósito de satisfazer o sentimento de justiça instantânea e afastar o receio da impunidade”. Conforme o advogado, a quantidade de tiros e a localização dos ferimentos no corpo de Lázaro podem indicar um suposto “excesso de dolo”, que deve ser alvo de apuração.

Já o advogado criminalista Daniel Bialski, mestre em Processo Penal pela PUC-SP e membro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCrim, sócio de Bialski Advogados, entende que a polícia agiu “no estrito cumprimento do dever legal”. “Não teve qualquer excesso. Era uma diligência arriscada. Lázaro era um bandido de alta periculosidade, um criminoso contumaz”, diz.

Bialski avalia ainda que, se forem identificadas outras pessoas supostamente envolvidas em crimes passados atribuídos a Lazaro, elas deverão responder por esses atos. “Ou, mesmo se somente deram azo à fuga, respondem pelo crime de favorecimento pessoal. Os suspeitos podem ter a prisão temporária ou preventiva decretada para investigação, inclusive”, diz.

*Com informações do portal R7

Tópicos relacionados