Trabalhadores são encontrados em situação de escravidão em Ituporanga

O caso veio à tona na quinta-feira (30) após um dos homens passar mal e precisar chamar o socorro

Redação ND Blumenau

Receba as principais notícias no WhatsApp

Trabalhadores foram encontrados em situação de escravidão em uma propriedade rural de Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí. O caso veio à tona na quinta-feira (30) após um deles passar mal e chamar o Samu. Quando a equipe de socorro chegou à casa, no bairro Bela Vista, percebeu as condições precárias do local e acionou as autoridades.

Autoridades foram chamadas após Samu atender um dos trabalhadores que passou mal – Foto: Divulgação/NDAutoridades foram chamadas após Samu atender um dos trabalhadores que passou mal – Foto: Divulgação/ND

Os 18 homens vieram da cidade de Marco, no Ceará, no início da semana passada. Eles iriam trabalhar na safra da cebola em troca de bons salários, alojamento e roupas para o frio, mas encontraram outro cenário: um casebre sem água potável, banheiro em péssimas condições e camas sem colchões.

Segundo a secretária de Assistência Social, Antoniela Ferreira, os trabalhadores foram acolhidos no Centro Multiuso. Na manhã desta segunda-feira (3) todos eles voltaram ao município de origem, com o transporte até Florianópolis fornecido pela prefeitura de Ituporanga e as passagens aéreas pagas pela prefeitura de Marco.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

O caso será investigado agora pela Polícia Federal, responsável por apurar situações de trabalho análogo à escravidão. Somente este ano, é a terceira situação do gênero registrada na cidade do Alto Vale, aponta Antoniela. “Eles chegam acreditando que vão conseguir juntar um pouco de dinheiro e voltar para casa em condições de melhorar de vida”, lamenta.

Trabalhadores estavam abrigados em casa com condições precárias e sem água potável – Foto: Divulgação/NDTrabalhadores estavam abrigados em casa com condições precárias e sem água potável – Foto: Divulgação/ND

Caso se repete

No dia 27 de julho, outros nove homens foram encontrados nas mesmas condições também na cidade de Ituporanga. Destes, quatro eram moradores da região e cinco de Timbiras, no Maranhão. O Serviço de Inspeção do Trabalho foi quem fez o resgate e garantiu o pagamento dos salários e verbas rescisórias, que somados chegaram a quase R$ 90 mil.

Segundo o coordenador da operação, o auditor-fiscal do trabalho Cláudio Secchin, um carro de som era usado no Nordeste do Brasil para anunciar a oportunidade de trabalho. O aliciador então informava que o trabalho duraria ao menos três meses e a despesa de passagem seria paga pelo fazendeiro.

Para garantir as vagas, cada trabalhador pagou R$ 50. Eles foram embarcados em um ônibus e quase uma semana depois chegaram em Ituporanga, onde os agricultores pegavam os trabalhadores que haviam “encomendado”, pagavam as despesas da viagem ao aliciador para desconto posterior nos salários.

“Constatamos que nenhum trabalhador possuía registro. Entretanto, o pior era a situação em que se encontravam alojados. Viviam em condições precárias, em péssimas condições de higiene, alguns dormindo em colchões no chão, roupas e pertences espalhados no chão por todos os lados, apenas um ponto de luz funcionando no momento da inspeção e as instalações elétricas oferecendo grave e iminente risco de choque. Havia goteiras por toda parte da casa, além do frio intenso em virtude da falta de vedação da casa”, afirma Secchin.

Os cinco trabalhadores aliciados em Timbiras tiveram o retorno à cidade de origem custeado pelo empregador.

Tópicos relacionados