Após meses de investigações, a PF (Polícia Federal), em parceria com a Receita Federal, deflagrou, na manhã desta quinta-feira, em Santa Catarina, a megaoperação ‘Shipping Box’ contra um grupo criminoso que despachava drogas por navios saídos de portos do Estado. A operação está sendo realizada em cinco estados.
A operação recebeu este nome numa alusão, em inglês, ao método de atuação da organização criminosa que usava o sistema de despacho marítimo de drogas escondidas em contêineres.
Ao todo, estão sendo cumpridos 50 mandados de busca e apreensão e 29 pessoas já foram presas. Outras cinco continuam foragidas. Na região de Joinville foram 12 prisões, enquanto 18 foram feitas em Itajaí. Em um dos mandatos, o suspeito foi encontrado na casa do vizinho, escondido atrás de uma caixa d’água. Em outro, um homem, ao ver os policiais, quebrou um celular.
SeguirO grupo criminoso investigado por tráfico internacional de drogas criou um terminal logístico para ter acesso as informações dos portos e, assim, mandar entorpecentes para a Europa.
Durante o cumprimento de um dos mandados, um homem quebrou um celular com a chegada da polícia – Foto: Polícia Federal/DivulgaçãoAs investigações sobre o caso começaram em janeiro desse ano quando 600kg de cocaína que estavam escondida dentro de uma carga de madeira no Porto de Itapoá foram apreendidos. O destino da droga era a Bélgica.
Segundo a PF, parte da droga vinha da Bolívia e, ao chegar no Brasil, era colocada em containers a bordo de navios que iam para a Europa. Já outra parte era distribuída para organizações criminosas com o intuito de abastecer o tráfico de drogas no país.
Enquanto a droga não era distribuída, ela permanecia escondida em chácaras ou sítios, aguardando o dia para o carregamento.
Carros de luxo dos suspeitos foram apreendidos na operação – Foto: Polícia Federal/DivulgaçãoPor que Santa Catarina?
Um dos motivos para que Santa Catarina se tornasse roteiro para o tráfico de drogas é a facilidade do transporte marítimo. Por conta disso, eles criaram esquemas dentro dos portos para fazer o transporte, inclusive com a ajuda de funcionários.
Segundo a PF, os traficantes tinham comparsas dentro dos portos. Por exemplo, os criminosos entravam dentro dos portos com caminhões que continham as drogas escondidas em fundos falsos. O funcionário envolvido no esquema fazia manobras para que a carga não passasse pelo scanner e chegassem aos containers que já haviam sido fiscalizados.
Outra estratégia adotada foi a criação de um terminal logístico para ter informações privilegiadas, como a rota dos navios e o números dos lacres desses containers. Como eram empresas ‘legais’, não havia desconfiança quanto ao real interesse do transporte de mercadorias.
Criminosos chegaram a criar uma empresa para que pudesse fazer o transporte da droga – Foto: Polícia Federal/Divulgação Durante a operação foram apreendidos carros de luxo, dinheiro -incluindo cédulas estrangeiras -, armas, anotações e lacres de containers de mercadorias. A PF também já pediu o sequestro de 68 veículos, 23 imóveis e duas embarcações, além do bloqueio de 30 contas bancárias dos investigados.
Além do resultado desta quinta-feira, em um ano e meio de investigações já foram apreendidas seis toneladas de cocaína e oito pessoas foram presas. Há a suspeita de que a quadrilha também esteja envolvida em um esquema de lavagem de dinheiro através da aquisição de ouro e criptomoedas.
Eles serão autuados por tráfico de drogas e formação de organização criminosa. As penas ultrapassam 30 anos de prisão.
*Com informações da repórter Kelly Borges, da NDTV
Um celular também foi encontrado dentro de um saco de arroz – Foto: Polícia Federal/Divulgação