A tentativa de furto de um avião bimotor em Guaramirim, no Norte de Santa Catarina, ganha, cada vez mais, contornos de envolvimento com facções criminosas brasileiras e estrangeiras e o tráfico de drogas.
Homens foram presos após tentarem roubar avião em Guaramirim – Foto: Alcimar Soares/Wikimedia CommonsDe acordo com a Polícia Civil, os dois suspeitos estrangeiros, um mexicano e um boliviano, foram cooptados em uma escola de aviação por integrantes da facção Os Manos, do Rio Grande do Sul, que tem ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Eles teriam sido informados que havia um trabalho no Brasil e foram contratados para transportar o avião. No entanto, segundo a versão dos suspeitos, eles não sabiam que teriam que furtar a aeronave.
Os suspeitos receberiam US$ 25 mil para realizar o transporte e o avião seria levado para a Bolívia e, segundo eles, seria utilizado para o transporte de cocaína. “Na verdade, a investigação se aprofunda para desvendar esses detalhes, tudo isso é com base no que eles disseram, mas ao que tudo indica, esse era o propósito. Talvez, iriam até o Mato Grosso do Sul, antes de atravessar a fronteira para o Paraguai, um deles é de lá. Faria sentido”, fala o delegado Diones de Freitas, responsável pela investigação.
SeguirAinda em depoimento, os suspeitos contaram que são habilitados para pilotar aeronaves e, chegando ao Aeródromo Vale Europeu, o avião era um bimotor e um deles afirmou que usou como “desculpa” o defeito na bomba de abastecimento.
“Vamos ouvir o dono do aeródromo, entender essa questão da bomba, se realmente estava estragada porque um dos conduzidos que não estava, outro que não sabiam pilotar e usaram como desculpa. Precisamos verificar essas informações, esses detalhes e aprofundar a investigação”, salienta o delegado. No aeródromo não há câmeras de segurança.
Além disso, explica o delegado, a polícia já realiza novas diligências e reúne documentos, como as imagens do hotel em que eles ficaram hospedados, horário de chegada, comprovantes de pagamento que apontam que a reserva e o pagamento foram realizados por uma terceira pessoa, imagens de um posto de combustível onde os suspeitos abasteceram no dia 21 de agosto.
Dois brasileiros, um mexicano e um boliviano foram presos e um quinto ainda conseguiu fugir – Foto: Polícia Militar/DivulgaçãoO delegado conta, ainda, que o telefone apreendido com os suspeitos está no IGP (Instituto Geral de Perícias). “O telefone é importante porque há conversas que podem abrir o leque de investigação. Estamos tentando entender a dimensão da situação”, diz.
O quinto suspeito envolvido e que conseguiu fugir é do Rio Grande do Sul e também faz parte da facção gaúcha. “Há imagens dele no hotel”, conta o delegado. Os quatro suspeitos já tiveram a prisão convertida em preventiva, com a embaixada do México e o consulado boliviano comunicados a respeito da prisão.