Crises de ansiedade, dificuldade para dormir e o medo agora fazem parte da vida da mãe da pequena Fabíola, sequestrada na noite da última sexta-feira (18) em Palhoça.
Fabíola nos braços da mãe no dia em que foi resgatada do cativeiro – Foto: Reprodução/Redes Sociais/NDO caso, que gerou comoção na região da Grande Florianópolis, teve um desfecho bem sucedido na madrugada de domingo (20), quando a criança foi localizada pela Polícia Civil. Um casal foi preso em flagrante.
O ND+ conversou com Priscila Gonzales, moradora de Palhoça e amiga da família de Fabíola. Ela contou que os familiares da criança ainda estão muito abalados com a situação.
Seguir“Está difícil demais. Estão à base de remédios. Não conseguem dormir. Agora é que está ‘caindo a ficha’ de tudo o que aconteceu. A mãe não consegue nem sair de casa para comprar um pão”, disse Priscila, que é próxima da família há cerca de um ano e meio.
A mãe de Fabíola, que trabalha como doméstica, mudou-se da casa em que a menina foi sequestrada e passou a morar com a filha mais velha. A mãe ainda se recupera de uma pancada que levou na cabeça de um dos sequestradores, no momento do crime.
Já Fabíola, de apenas quatro anos, “está bem e tranquila”, segundo a amiga da família.
Nesta terça-feira (22), a criança tem consulta marcada com um psicólogo para tratar do trauma após o sequestro.
Nas redes sociais, a criança aparece recebendo doações de brinquedos e doces.
Primeiro contato
De acordo com Priscila, o primeiro contato que a mãe da menina teve com o casal teria sido em meados de dezembro. Fabíola tinha o costume de brincar em frente ao apartamento onde moravam em Palhoça.
“A mulher chegou, pegou na mão dela e disse que ia levar ela pra sair. A mãe escutou, desceu do apartamento e perguntou o que eles queriam com a filha dela. Disseram que iam comprar doce, mas a mãe não deixou. Os vizinhos também ouviram. A mulher entrou no carro com o marido e foram embora”, descreveu Priscila.
O casal ainda foi visto mais duas ou três vezes rodeando a casa de Fabíola. A amiga da família conta que a mãe da pequena tentou se mudar, mas teve dificuldade em alugar outro local.
Para Priscila, é possível que a criança tenha se tornado alvo do casal quando a mãe, que vive em uma situação financeira delicada, fez uma postagem nas redes sociais pedindo ajuda. Fotos da menina teriam chamado a atenção do casal.
Desenho de coringa
A amiga da família contou ainda que diversos brinquedos foram encontrados na casa onde Fabíola foi mantida em cativeiro, localizada no bairro Cachoeira do Bom Jesus, Norte da Ilha de Santa Catarina.
A família desconfia que o casal desejava sequestrar outra criança, além de Fabíola, porque havia brinquedos de menino no local.
Conforme Priscila, o homem que sequestrou Fabíola teria feito a menina desenhar o coringa, personagem icônico do quadrinho Batman. Além disso, a pequena teria contado à família que o casal “brigava muito” e que a sequestradora teria falado a ela que “tudo ia passar”.
Durante coletiva de imprensa realizada no dia do resgate de Fabíola, o delegado João Fleury, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado da Capital, relatou que o estado da casa onde a menina foi encontrada chamou a atenção dos policiais.
A situação, segundo ele, era de “bagunça generalizada, sem condições nenhuma de estadia de qualquer ser humano”.
No local havia fezes de animais misturadas com roupas de criança, além de “brinquedos macabros e bonecas pintadas como se fosse filme de terror”.
Casal teria abordado outras famílias
A menina Fabíola não foi o único alvo do casal. Reportagem publicada nesta terça-feira (22) pelo ND+ mostrou o relato de uma mãe de São José que disse que este mesmo casal também teve contato com dois de seus três filhos ao longo do ano.
Em entrevista ao repórter Osvaldo Sagaz, da NDTV, a delegada Eliane Chaves, diretora de polícia da Grande Florianópolis, fez o pedido para que as famílias que tenham tido contato com os sequestradores se desloquem até a Dpcami (Delegacia de Polícia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso) de Palhoça.
Casal que sequestrou Fabíola com uma menina de oito anos na praia – Foto: Reprodução“É muito importante que quem tenha informações realmente procure a polícia. Não precisa ficar assustado, porque isso vai ajudar bastante as nossas investigações”, destacou a delegada.
O intuito agora, além de tomar conhecimento sobre esses novos casos, é aprofundar o histórico do casal. Essa etapa requer uma investigação mais minuciosa.
“Como não há uma vida em risco no momento, conseguimos fazer esse trabalho mais detalhado. Se debruçar sobre todas as provas que estão chegando, e não são poucas”, disse Chaves.
Segundo a delegada, ainda não há como confirmar a motivação do crime. Nenhuma linha de investigação foi descartada. O casal foi preso em flagrante e autuado por sequestro qualificado, tendo em vista que a vítima é menor de 18 anos.
Chaves ressalta, porém, que a autuação pode mudar. “Além desse crime, eles podem responder por outros. Vai depender da trajetória da investigação”.
A Polícia Civil tem 10 dias para concluir o inquérito do caso a partir da data da prisão dos suspeitos, que foi convertida de prisão em flagrante para preventiva.
Caso o delegado responsável pela investigação julgue necessário, ele poderá solicitar à Justiça a extensão do prazo para concluir o inquérito.