Três meses – é o tempo que Rosângela Xavier aguarda respostas. O marido dela, Jocildo Vieira, de 53 anos, desapareceu do barco pesqueiro que estava no dia 17 de abril.
Três meses depois, buscas por pescador desaparecido em Porto Belo continuam sem respostas – Foto: Arquivo/NDTVO desaparecimento do pescador é envolto por mistérios. O barco saiu do trapiche do Araçá, em Porto Belo, no início da tarde daquele sábado, com destino à Navegantes. Quando voltou, no entanto, Jocildo não estava mais na embarcação.
“A única certeza que eu tenho é que ele não está mais vivo“, afirma Rosângela, com quem Jocildo era casado à cerca de 20 anos. “Meu marido não ia ficar todo esse tempo longe da gente, sem respostas, sem falar comigo, com meus filhos”, conta.
Seguir“Eu tô esperando há três meses”, diz, emocionada. A última camiseta que Jocildo usou em casa é, agora, objeto de recordação e de saudade. “A minha filha chora todos os dias”, conta.
Possível homicídio
A delegada que conduz as investigações, Luana Backes, afirma que, atualmente, segue duas linhas: desaparecimento e homicídio. “Se fosse um simples desaparecimento, que tivéssemos indícios que foi só desaparecimento, não teria feito tanta diligência quanto está sendo feita. Começou com desaparecimento, mas em razão das provas angariadas podemos estar diante de um homicídio”, afirma.
Inquérito policial tem mais de 150 páginas – Foto: Arquivo/NDTVDoze pessoas foram ouvidas, e o inquérito policial já tem mais de 150 páginas, numa tentativa de recriar a linha do tempo do mistério.
Segundo a delegada, os pescadores haviam bebido uma mistura a base de álcool de cozinha, leite condensado e suco em pó, conhecida como “jararaca”. Jocildo, no entanto, não havia bebido muito. Além da bebida, alguns tripulantes haviam usado cocaína.
Por estarem alterados, a briga teria iniciado entre dois tripulantes. Jocildo, no entanto, não teria se envolvido. Ele teria saído de perto da discussão, e não foi mais visto.
Buscas
As buscas por Jocildo começaram quase imediatamente. A Delegacia da Capitania dos Portos deu apoio ao Corpo de Bombeiros Militar nas buscas pelo pescador.
“A gente levanta os dados da embarcação, os dados da pessoa, que roupa ela estava vestindo, nome, idade, e a partir daí começamos a fazer cálculos de deriva de correntes, temperatura da água, ver as condições meteorológicas”, explica Gabriel Santineli, tenente da Capitania Dos Portos.
O barco que Jocildo estava – Foto: PMSC/Arquivo/NDTVAlguns dias depois do desaparecimento, a tempestade Potira chegou ao Litoral catarinense, agitando o mar e chegando a fechar o Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes. Sem condições climáticas favoráveis, as buscas foram interrompidas e nunca mais retornaram.
Novo capítulo
No decorrer das investigações, uma nova questão foi levantada: segundo Rosângela, Jocildo havia embarcado com uma quantia em dinheiro.
“Meu marido tinha um carro que ele vendeu, e ele levou esse dinheiro da venda, porque ele queria, quando chegasse em terra, ‘fazer conta’. Ele ia pedir ao dono do barco para dar uma entrada em um novo carro para ele, inteirando com o dinheiro da venda desse carro. Eu ainda pedi, ‘não leva, não leva’. Ele disse ‘não, eu vou levar, porque eu vou conversar com ele, ele vai dar entrada em um carro para mim'”, relembra.
Quando a família foi buscar os pertences de Jocildo com o dono do barco, no entanto, parte do dinheiro não estava lá. Segundo Rosângela, o chefe da embarcação havia prometido dar um apoio financeiro à família, já que era Jocildo que colocava comida da mesa.
A Polícia Civil, no entanto, afirma que não tem conhecimento do dinheiro que estava com Jocildo. A investigação tem menos de um mês para ser concluída. Uma nova perícia deve ser feita no barco, o que deve dar um rumo ao inquérito.
*Com informações do repórter Paulo Metling, da NDTV