O ataque aéreo que bombardeou um hospital na Faixa de Gaza nesta terça-feira (17) deixou ao menos 471 mortos, de acordo com autoridades palestinas. Mais de 24 horas depois, ainda não há consenso sobre a responsabilidade do incidente.
Pessoas se reúnem na manha desta quarta-feira (18) em torno dos corpos das vítimas o ataque – Foto: AFP/Divulgação/NDO Ministério da Saúde de Gaza afirma que a explosão foi causada por um ataque aéreo israelense. Já Israel diz que a explosão foi provocada por um foguete que falhou, lançado pelo grupo armado Jihad Islâmica Palestina (PIJ). O grupo nega a acusação.
Segundo a Al Jazeera, o Ministério da Saúde de Gaza informou que ao menos 471 pessoas foram mortas no ataque ao hospital. A Reuteurs afirma que outros 314 ficaram feridos no local.
SeguirO número de mortos faz deste incidente o mais mortal na Faixa de Gaza desde o início da atual guerra entre Israel e Hamas. Centenas de outras vítimas ainda estariam sob os escombros.
O Hospital Árabe Al-Ahli, localizado na Faixa de Gaza, é administrado pela Diocese Episcopal de Jerusalém. O espaço foi atingido enquanto abrigava milhares de palestinos que procuravam por um local seguro em meio aos bombardeios israelenses.
O que diz Israel?
As autoridades do país afirmaram que um foguete disparado pela Jihad Islâmica Palestina teria provocado a explosão no hospital.
“Uma análise dos sistemas operacionais das FDI [exército de Israel] indica que uma barragem de foguetes foi disparada por terroristas em Gaza, passando nas proximidades do hospital Al Ahli em Gaza no momento em que foi atingido”, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em uma postagem nas redes sociais.
“A informação de múltiplas fontes que temos em mãos indica que a Jihad Islâmica é responsável pelo lançamento fracassado do foguete que atingiu o hospital em Gaza”, completou.
O porta-voz militar israelense, contra-almirante Daniel Hagari, teria relatado a imprensa que foguetes disparados pelo grupo passaram pelo local no momento do ataque.
Criança atingida durante ataque a hospital no sul de Gaza – Foto: Mahmud HAMS/AFP/Divulgação/NDUma operação da Força Aérea Israelense estaria acontecendo no momento da explosão no hospital, “mas foi com um tipo diferente de munição que não cabe nas imagens que temos [do] hospital”, afirmou o porta-voz.
O que diz a Jihad Islâmica?
A Jihad Islâmica negou a acusação de que foi o responsável pelo ataque.
“O inimigo sionista está a esforçar-se por fugir à sua responsabilidade pelo massacre brutal que cometeu ao bombardear o Hospital Nacional Árabe Baptista em Gaza através da sua habitual fabricação de mentiras e ao apontar o dedo culpado ao movimento da Jihad Islâmica na Palestina”, afirmou o grupo em um comunicado.
“Afirmamos, portanto, que as acusações apresentadas pelo inimigo são falsas e infundadas”, acrescentou.
O que diz o Hamas?
Tanto o Hamas quanto a Autoridade Palestina acusaram Israel de ser o responsável pelo ataque aéreo contra o hospital na Faixa de Gaza. O Hamas considera o ato como “genocídio”, e afirmou que a explosão matou em sua maioria mulheres e crianças.
Como o mundo reagiu ao ataque a hospital em Gaza?
A notícia do bombardeio foi seguida de protestos que eclodiram em países do Oriente Médio como a Jordânia, e na região da Cisjordânia, ocupada por Israel, onde manifestantes confrontaram as forças de segurança da Autoridade Palestina.
A Jordânia cancelou a reunião planejada com o presidente dos Estados Unidos Joe Biden e outras lideranças árabes.
O presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi, que estaria presente no evento, disse que condenava “nos termos mais fortes possíveis o bombardeamento de Israel” ao hospital de Gaza.
A Arábia Saudita condenou “nos termos mais fortes possíveis o crime hediondo cometido pelas forças de ocupação israelitas ao bombardearem o Hospital Baptista Al Ahli em Gaza”.
O presidente francês Emmanuel Macron afirmou em uma publicação nas redes sociais que “nada pode justificar um ataque contra um hospital” e acrescentou que “toda a luz deve ser lançada sobre as circunstâncias”.
Nothing can justify striking a hospital.
Nothing can justify targeting civilians.France condemns the attack on the Al-Ahli Arab hospital in Gaza, which made so many Palestinian victims. Our thoughts are with them. All the light must be shed on the circumstances.
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) October 17, 2023
Biden, num comunicado, ofereceu “as mais profundas condolências pelas vidas inocentes perdidas na explosão do hospital em Gaza”. Já na quarta-feira (18), Biden declarou que a inteligência americana reafirmou a versão de Israel, e apontou que a explosão teria sido causada por um foguete disparado a partir de Gaza, disse o The New York Times.
*Com informações da Al Jazeera e do Portal UOL