Área de desembarque do Floripa Airport – Foto: Arquivo/Flavio Tin/ND“Prezado Cacau, com relação à sua coluna que destacou que um turista estrangeiro pagou US$ 500 para ir de um ponto de Floripa ao Aeroporto Hercílio Luz, cabe um esclarecimento: na realidade o turista lesado pagou esse valor entre o Aeroporto e o Campeche, corrida essa que custa no máximo R$ 45 a R$ 50 no táxi e uns R$ 25 a R$ 30 no aplicativo.
Esse motorista, dentre dezenas fazendo serviço clandestino de transporte no aeroporto, cobrou R$ 100 ao Campeche e, lá chegando, passou R$ 2.500,00 no cartão do turista. Ontem mesmo surgiram mais dois casos destes mesmos motoristas, que cobraram R$ 800 em dois carros para o Norte da Ilha e o fizeram sob ameaça aos passageiros. Isso tudo ocorre sob as bênçãos, olhos e câmeras da Zurich, concessionária do aeroporto, omissão absoluta das autoridades, sejam estaduais ou municipais. Se você quiser constatar in loco tal ilegalidade, podemos lhes mostrar o modus operandi dessa quadrilha que está se apossando aos poucos do serviço de transporte no aeroporto, que poderei, se desejar, adicionar algo mais em informações”.
O nome do leitor, por questão de segurança, fica à disposição apenas das autoridades, se houver interesse.
SeguirDelegado afirma que investigam todos os crimes notificados, independentemente da nacionalidade da vítima ou do valor do prejuízo
Por meio de nota enviada para a redação, às 20h52 desta terça-feira (31), Renan Scandolara, Delegado de Polícia da Delegacia de Proteção ao Turista (DPTUR) da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina, afirmou que investigam todos os crimes notificados.
“Antes mesmo do início da atual temporada de verão, somamos forças com representantes do Ministério Público de Santa Catarina, dos PROCONs, da Floripa Airport, das empresas gestoras de aplicativos de transporte, da Polícia Militar, da Guarda Municipal e de diversas outras entidades que buscam o mesmo objetivo: garantir a segurança turística e a incolumidade de nossos visitantes”, garantiu.
Confira na íntegra a manifestação enviada pelo delegado:
“Sobre a coluna do dia 31/01/2023, em que cita que turistas pagam valores muito acima dos usuais para corridas partindo do Aeroporto Internacional Hercílio Luz, na Capital, exerço o direito de resposta representando a Polícia Civil de Santa Catarina, no que diz respeito à alegada ‘omissão absoluta das autoridades, sejam estaduais e municipais’.
A Delegacia de Proteção ao Turista (DPTUR), fisicamente localizada no aeroporto de Florianópolis, recebe denúncias de casos como o trazido em sua coluna desde o arrefecimento da pandemia e a retomada das viagens turísticas em nosso Estado. Aqui, investigamos todos os crimes que nos são notificados, independentemente da nacionalidade da vítima ou do valor do prejuízo que nossos visitantes tenham sofrido. Em razão dessas investigações, duas pessoas já foram presas e diversas medidas cautelares foram judicialmente concedidas.
E não estamos sozinhos. Antes mesmo do início da atual temporada de verão, somamos forças com representantes do Ministério Público de Santa Catarina, dos PROCONs, da Floripa Airport, das empresas gestoras de aplicativos de transporte, da Polícia Militar, da Guarda Municipal e de diversas outras entidades que buscam o mesmo objetivo: garantir a segurança turística e a incolumidade de nossos visitantes. Basta uma pequena busca para encontrar notícias referentes a tais reuniões e a operações realizadas no terminal aeroportuário.
Como exemplo, cito que, apenas na última semana, em três dias consecutivos — quinta-feira, sexta-feira e sábado —, foram realizadas barreiras policiais pela Polícia Militar e Polícia Militar Rodoviária, juntamente com equipes da Delegacia de Proteção ao Turista e da Coordenadoria de Operações com Cães da Polícia Civil, fiscalizando todos os veículos que adentravam no terminal. Ou seja, há atuação em ambas as frentes policiais: fiscalização e investigação.
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Tais ações, ainda, visam além da coibição desse tipo de transporte. Em parceria com o PROCON municipal, orientamos os passageiros que aqui desembarcavam sobre boas práticas de segurança, como o uso de aplicativos regulamentados ou os táxis credenciados.
Por fim, reforçamos o papel da Polícia Civil na investigação desses delitos — inclusive o trazido na coluna —, aproveitando o espaço para conscientizar quem já se viu vítima de algum crime dessa natureza a registrar um boletim de ocorrência, que pode ser feito até mesmo virtualmente. Por ser um delito que ocorre clandestinamente — longe das “bênçãos, olhos e câmeras” mencionados, já que os valores exorbitantes somente são exigidos no destino final do passageiro —, reiteramos a importância de comunicar às autoridades competentes qualquer ocorrência, inclusive de forma anônima.
Atenciosamente,
Renan Scandolara, Delegado de Polícia, Delegacia de Proteção ao Turista (DPTUR) da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina”.