Vereador flagrado apalpando nádegas de empresária em SC é indiciado pela polícia

Caso ocorreu em Caibi, no Extremo-Oeste do Estado; inquérito policial foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina

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Redação ND Chapecó

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O vereador Senor Anselmini do PP (Partido Progressista), do município de Caibi, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, foi indiciado pela Polícia Civil pelo crime de importunação sexual durante um evento público. Ele foi flagrado em um vídeo apalpando as nádegas da empresária Luciane Carvalho.

vereadorSituação ocorreu durante festividade de Natal. — Foto: Reprodução/Internet

O caso ocorreu durante festividades do “Doce Natal” de 2021 no Centro da cidade. O delegado Lucas Almeida explica que o ato foi registrado em vídeo e, tanto a filmagem quanto o relato de testemunhas, confirmaram que o vereador teria apalpado a vítima após a entrega de uma premiação. “O crime de importunação sexual tem pena de até 5 anos de prisão”, informou o delegado.

De acordo com Almeida, durante o interrogatório à Polícia Civil, o vereador ficou calado. O inquérito policial foi encaminhado ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) que avaliará o documento e definirá se apresentará a denúncia contra o vereador. Caso seja denunciado pelo MPSC, a investigação ficará a cargo do Poder Judiciário. 

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Contrapontos

O ND+ ligou para o vereador afastado, Senor Anselmini, na semana passada, mas ele não nos atendeu. Ligamos novamente nesta segunda-feira (16) e novamente não conseguimos contato.

Também entramos em contato com o escritório do PP (Partido Progressista) em Santa Catarina, mas ninguém estava autorizado a falar em nome do partido. O último presidente da sigla no município de Caibi informou que não faz mais parte da gestão. O espaço segue aberto para a manifestação.

Afastamento administrativo

O parlamentar também foi afastado de suas atividades na Câmara de Vereadores de Caibi após votação em sessão extraordinária no dia 26 de abril. Na decisão, a comissão de julgamento estipulou três opções de punição ao vereador: afastamento das atividades por 10 meses, 12 meses ou no máximo 15 meses.  Por 5 votos a 4, foi definida a pena média de um ano, o que começou em 1º de maio.

Veja como votou cada vereador

  • Edimara Conte Portes (PP) – Pena Média de 12 meses;
  • Gilmar Carlesso (MDB) – Pena Máxima de 15 meses;
  • Viviane Vockes (PP) – Pena Média de 12 meses;
  • Neocir Parizotti (MDB) – Pena Máxima de 15 meses;
  • Carme Vitsrki (PP) – Pena Média de 12 meses;
  • Diogo Valdemeri (PT) – Pena Média de 12 meses;
  • Julio Urqueta (MDB) – Pena Máxima de 15 meses;
  • Raimundo Ambrosio (PP) – Pena Média de 12 meses;
  • Jair Di Domenico (MDB) – Pena Máxima de 15 meses.

Em decorrência da exposição constrangedora que passou, a empresária defende estar insatisfeita com a punição administrativa e com a decisão dos demais vereadores, principalmente as mulheres. Em sua avaliação, Luciane considera que “a pena de 12 meses foi insuficiente uma vez que Anselmini poderá voltar à Câmara como se nada tivesse acontecido”.

“Está uma situação bem complicada. Nós, mulheres, somos totalmente desvalorizadas com essa situação. Estou insatisfeita com o resultado porque é nítido no vídeo que ele coloca a mão nas minhas costas, depois nas nádegas e aperta. Tive que tirar a mão dele. Foi humilhante”, acrescenta a vítima. Luciane relata que sofreu humilhações e ameaças, por isso, registrou mais um boletim de ocorrência.

Moacir João Hantt, advogado que representa a empresária, avalia que o vereador deveria ter o mandato cassado ou renunciado ao cargo, para, segundo ele, “não manchar mais ainda o respeito das mulheres de Caibi, bem como, não denegrir a população, os eleitores e principalmente todas as famílias que representam o município”.

“Os vereadores são representantes do povo e devem defender os interesses do povo e não o interesse pessoal de um vereador. Foi uma atitude desaprovada pela população, que envergonhou o povo trabalhador e hospitaleiro do município de Caibi”, ressalta o advogado.

Veja o vídeo:

Caso ocorreu no fim de 2021. – Vídeo: Reprodução/Internet

Relembre o caso

À época, a Câmara de Vereadores de Caibi recebeu, de forma anônima, uma denúncia sobre o caso. Os vereadores abriram uma sindicância para apurar a informação e três vereadoras foram designadas a ouvir a empresária. As parlamentares entenderam que houve indícios de importunação sexual praticado pelo vereador.

Uma comissão especial de investigação foi montada e a vítima voltou à Câmara de Vereadores para ser ouvida pelos demais representantes do Poder Legislativo. Acusação e defesa apresentaram suas respectivas provas testemunhais. O vereador Anselmini também prestou depoimento.

Por 3 votos a 0, a comissão especial de investigação entendeu por comprovado o ato de importunação sexual praticado pelo investigado e, conforme provas juntadas aos autos, recomendou o afastamento do vereador. A partir disso, o processo administrativo foi enviado para votação.

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