VÍDEO: ‘Água não tem mais por onde escoar’, diz meteorologista sobre enxurrada em Benedito Novo

Pessoas que ficaram ilhadas tiveram que ser resgadas pela aeronave do Arcanjo no município

Redação ND Blumenau

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Algumas cidades do Médio Vale do Itajaí sofreram com uma forte chuva na madrugada desta segunda-feira (5). Uma das cidades mais afetadas é Benedito Novo, que registra a maior cheia da história do município.

Vídeo mostra pessoas ilhadas sendo resgatadas pelo bombeiros em Benedito Novo – Vídeo: Divulgação/Corpo de Bombeiros Militar/ND

A cheia impossibilitou o acesso ao município e algumas pessoas ficaram ilhadas, tendo que ser resgatas pela aeronave do Arcanjo-01. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar, foi acionado o Plano de Chamada da 2ª Companhia de Bombeiros Militar em Timbó, que consiste na mobilização de bombeiros de folga, bem como aqueles que atuam no serviço administrativo para reforço nos atendimentos.

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Também houve mobilização de reforço da sede do 3º Batalhão de Bombeiros Militar em Blumenau, com um caminhão 4×4 da Força-Tarefa, e também do Batalhão de Operações Aéreas, com atendimentos realizados pela equipe da aeronave Arcanjo-01. Até o momento foram registradas 18 ocorrências, atendendo 42 pessoas no município de Benedito Novo, além de 4 famílias desabrigadas. Até o momento não há registros de vítimas.

A prefeita de Benedito Novo, Arrabel Murara, disse que essa é a maior enchente da história da cidade. “A situação de Benedito Novo nesse dia 5 de dezembro é muito crítica. Nós estamos com a cidade alagada ainda, temos muita questão de deslizamento, residências sendo arrastadas pela força da água, animais também. Na história do município esse é um dos piores eventos climáticos que nós estamos sofrendo. Nós tivemos atingida toda a região de Liberdade, São João, Alto Benedito Novo, o Centro, Santa Rosa e uma condição de inundação muito alta, algumas casas só com o telhado fora da água. É uma condição muito delicada que Benedito Novo vive nesse dia”, afirmou.

Barragem da Ceesam

Vale destacar que a barragem da Ceesam (Cooperativa Geradora de Energia Elétrica e Desenvolvimento Santa Maria) localizada em Benedito Novo não rompeu. Essa era umas das hipóteses que chegou a ser levantada para explicar a força com que a água invadiu o município.

Ana Luiza Dors Wilke, meteorologista da equipe da Defesa Civil de SC. – Vídeo: Reprodução/ND

Porém, a meteorologista da equipe da Defesa Civil de Santa Catarina, Ana Luiza Dors Wilke, explica que, na verdade, o fenômeno foi o resultado da combinação da disponibilidade de calor e umidade com um cavado, um  sistema de baixa pressão que atua em níveis médios da atmosfera.

“Esta combinação gerou núcleos de chuva muito intensos, que em algumas áreas mais pontuais geraram chuva muito volumosa em curtos períodos de tempo. Como o solo já se encontra encharcado em função das chuvas da semana passada, isso facilita ainda mais a ocorrência de alagamentos e enxurradas, pois a água não te mais para onde escoar”, explicou

Ela ainda destaca que o que aconteceu em Benedito Novo foi uma enxurrada. “Na estimativa da única estação pluviométrica instalada na cidade o acumulado nas últimas 24h foi em torno de 50mm, mas na estimativa das imagens do radar do Vale do Itajaí, a precipitação acumulada ficou em torno de 100mm em Benedito Novo entre a noite de domingo (04) e a madrugada e manhã da segunda-feira (05). Ainda, temos registros de 159mm de chuva em Papanduva e de 110mm em Itaiópolis no mesmo período. Todo esse volume de chuva escoou para o rio que banha a região, colaborando para a ocorrência de enxurrada”, finalizou Ana.

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