Uma festa em família no final de semana terminou em caso de polícia em Gaspar, no Vale do Itajaí. Isso porque um homem furou o pneu de seis carros que estavam estacionados na rua e que eram convidados de Rogerio Bernardo Silva, o anfitrião da festa. Toda a ação foi gravada por uma câmera de segurança.
Homem furou pneu de seis carros de pessoas que estavam participando de uma festa em Gaspar – Vídeo: Arquivo pessoal/ND
Morador do bairro Figueira, Rogerio conta que estava dando uma festa de Halloween em sua casa e, até então, tudo corria de forma tranquila. Em determinado horário, o cunhado e o pai do homem decidiram ir embora – e foi aí que a surpresa aconteceu.
Seguir“Era por volta de meia noite, mais ou menos, o meu cunhado e o meu pai foram embora. Nós nos despedimos e eles foram para o carro. Dali a pouco meu pai retorna e fala que o pneu do carro do meu cunhado estava murcho. Eu peguei uma bomba de encher pneu e levei para eles, só que o pneu não enchia. Nós colocamos a mão e vimos que estava furado. Nisso, nós olhamos o pneu da frente e vimos que estava furado também”, relata.
Os homens estranharam o fato de o automóvel estar com dois pneus furados e resolveram olhar os outros carros. “Nós desconfiamos que havia algo de errado e conferimos os pneus dos outros carros, que estavam estacionados um atrás do outro da rua, e todos eles estavam com os dois pneus, o da frente e o traseiro do lado do passageiro, furados”, detalha o morador.
Pelas imagens da câmera de segurança é possível ver o momento da ação da pessoa que furou os pneus. O vídeo registra 00h05 do dia 6 de novembro. O homem passa pela rua e volta pelo lado da calçada, se abaixando quando chega nos pneus.
Após conferir as imagens, Rogério acionou a PM (Polícia Militar), que foi ao local. Cada proprietário teve que fazer um boletim de ocorrência. “Muitos acreditam que seja algum vizinho, eu também acredito. Eu tenho desconfiança de quem seja, mas eu não posso afirmar porque a imagem não deixa claro quem é a pessoa. Eu gostaria muito que fosse identificado, que nós tivéssemos certeza de quem é essa pessoa, mas agora é com a polícia, que vai fazer o trabalho dela”, afirma.
O homem ainda garante que a música não estava alta, mas acha que se alguma coisa estava incomodando, a pessoa deveria ter chamado a polícia. “Nada justifica o que foi feito. Se ele estava incomodado com alguma coisa, ele deveria ter chamado a policia e eles fariam na forma correta, porque é um transtorno gigante, sem contar o abalo emocional, porque uma festa onde está todo mundo se divertindo, tudo entre família e acontece isso”, comenta.
O morador de Gaspar ainda conta que no domingo (6), se dedicou a ajudar os amigos com o conserto dos pneus. “Achamos uma borracharia que estava aberta e dois carros tiveram que ir por guincho. Todos eles tiveram de trocar os pneus. O que eu acho pior é que aconteceu com os meus convidados, se fosse com o meu carro seria problema meu, mas foi com os meus convidados”, desabafa.
Perturbação do sossego
O comandante da PM (Polícia Militar) de Gaspar, Alex Matias, informou que a guarnição atendeu o caso. Ele ainda destacou que perturbação do sossego é uma das ocorrências que mais geram demandas à Polícia Militar. “Não apenas na nossa região, mas de forma geral”.
O policial também explicou que perturbar o trabalho e o sossego alheio é uma contravenção penal e as pessoas geralmente se enganam quanto à regra. “Muitos acham que até às 22h pode, mas, na verdade, a restrição não é quanto ao horário e sim quanto aos decibéis, então, essa perturbação do sossego pode acontecer em qualquer horário”, afirma.
Ele ainda destaca que a orientação da PM é de que se tenha bom senso entre as pessoas envolvidas. “Não o bom senso só por parte de quem está fazendo o evento, mas da própria vítima também, porque nem sempre é uma coisa cotidiana”.
Como agir
O comandante da PM deixa claro que a conduta da pessoa que furou o pneu dos carros não foi correta. “Essa não é conduta legal para agir diante de uma situação de perturbação do sossego. É uma contravenção penal e exige que a pessoa faça representação e, quando acionada, a Polícia Militar faz um termo circunstanciado”, diz.
Neste caso, as duas partes, a vítima e o autor, são notificados e devem comparecer ao juizado especial no fórum da comarca para uma audiência de conciliação. “Eles podem fazer essa conciliação, é uma decisão livre, mas, não havendo essa conciliação, o Ministério Público analisa o caso e decide se denuncia o autor ou se determina arquivamento. Esse é o procedimento cabível”, explica Matias.
O comandante ainda ressalta um detalhe importante: “Quando a Polícia Militar é acionada, para que se chegue até o judiciário, necessariamente a vítima tem que comparecer para fazer a representação. Se a vítima não comparecer, é feita apenas a orientação ao dono do imóvel, neste caso dos carros, a residência em que estava tendo a festa, para que ele baixe o som”, finaliza.