VÍDEO: Confusão em consultório médico de Joinville acaba na polícia

Homem disse que médica o agrediu; já a médica fala que foi a vítima e teve o consultório invadido por ele; entenda

Redação ND Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp

Uma confusão dentro de um consultório médico de Joinville acabou na polícia.

No meio da tarde desta quinta-feira, dia 4, Jhon Freddy Bermudez, 34 anos, colombiano, acompanhou seu pai – Norbey – em um atendimento na Vila Nova Clínica Médica de Trânsito. A clínica é credenciada pelo Detran e faz perícias de trânsito.

homem colombiano e médica Jhon alega que foi agredido pela médica Silvana Mitie Nishimura. A médica, no entanto, disse que foi o contrário. Ela teria sido agredida, após invasão no consultório. Foto: montagem a partir de fotos

Segundo Jhon, ao chegar na clínica presenciou uma discussão entre uma mulher (Juliana Sufredini), a secretária da clínica e a médica Silvana Mitie Nishimura. Juliana estava com o filho de 4 anos e foi impedida de entrar no consultório porque estava acompanhada do filho.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

A clínica não permite acompanhante no consultório que realiza as perícias. No entanto, a mulher não tinha com quem deixar o filho e teria sido orientada pela secretária a deixar o menino no carro. Juliana se negou e pediu à médica que escrevesse uma carta com o motivo pelo qual foi impedida de fazer o exame. A médica respondeu dizendo que não faria o documento e que sua palavra seria suficiente, já que a lei determina que exames de perícia devem ser feitos apenas entre paciente e médico.

Boletim de Ocorrência

Indignada com a situação, Juliana Sufredini ameaçou denunciar o caso e disse que iria fazer um Boletim de Ocorrência. Jhon Freddy Bermudez, que estava próximo e presenciou toda a cena, se prontificou a testemunhar se precisasse e deu o telefone para a mulher.

Chegou, então, a vez do pai de Jhon ser atendido. Ele entrou no consultório sozinho para fazer o exame para obter a carteira de motorista no Brasil, já que, por enquanto, só possui habilitação na Colômbia. Norbey mora em Joinville há um ano. Já o filho mora há cerca de oito anos.

Norbey saiu do consultório com o resultado “inapto temporário” porque não conseguiu falar nem entender português no momento do exame. A médica sugeriu que ele retornasse em 90 dias, tempo para aprender o básico da língua portuguesa para poder ganhar a habilitação.

documento que diz que o pai é inapto para dirigir

“Meu pai dirige há 40 anos. Como assim inapto”, estranhou o filho Jhon, que tentou conversar com a médica para que ela explicasse melhor o porquê o pai não “passou no exame”.

A médica disse que já estava escrito no exame e que não precisaria mais explicar.

Inconformado com a resposta, Jhon aproveitou que outra pessoa foi chamada para entrar no consultório e foi atrás para tentar mais uma vez falar com a médica.

De acordo com Jhon, a médica empurrou a porta para cima dele e, quando ele passou a filmar a cena, ela teria o arranhado no rosto. “Ela me avançou, arrancou minha máscara”, relatou Jhon Freddy Bermudez, que fez exame de corpo de delito na tarde desta sexta-feira, dia 5.

“Somos comerciantes e precisamos habilitação para dirigir aqui no Brasil”, continuou.

VEJA VÍDEOS:

Vídeos: Arquivo pessoal/Divulgação ND

A reportagem do Portal ND+ conversou com Juliana Sufredini, que confirmou que foi impedida de entrar no consultório e formalizou uma reclamação da clínica na internet, denunciou a médica no Conselho Regional de Medicina e também protocolou uma denúncia junto ao Detran de Joinville, tendo em vista que a clínica é credenciada ao órgão.

“A secretária sugeriu deixar o filho no carro. Como vou deixar meu filho de 4 anos dentro do carro sozinho. Isso não existe. Eu fico com o meu filho à tarde. Precisei trazer comigo. Poderiam ter me avisado antes. Isso é um absurdo”, reclamou Juliana Sufredini.

Denúncia formalizada no CRM

denúncia ao conselho regional de medicina

ND+ também conversou com outra cliente que estava na clínica no momento da discussão.

“Meu filho presenciou e achou que a médica foi errada por não ajudá-lo (Jhon) pacificamente. Há mais pessoas que foram destratadas nessa clínica pelo que soube. Não deixavam entrar com celular e eu não podia ficar com meu filho nem na recepção…achei estranho”, conta testemunha.

O que diz a médica

A médica e proprietária da clínica, Silvana Mitie Nishimura, disse que foi agredida por Jhon, que ele o prensou na porta, que ele invadiu seu consultório e a insultou.

“Ele nem era paciente, invadiu meu consultório e me agrediu. Estou com marcas. Ele me pressionou tentando abrir a porta. Eu tenho 1,5 metro. Você acha que tenho forças para empurrá-lo e pressioná-lo contra a porta?, questiona Silvana, que procurou advogado, fez Boletim de Ocorrência na Delegacia de Proteção a Criança, Adolescente, Mulher e Idoso de Joinville (Depcami) e fez corpo de delito na tarde desta sexta-feira, dia 5.

A médica disse, ainda, que teme pela vida porque Jhon já teria passagens policiais por agressão à mulher.

“Eu corro risco de vida. Este homem tem antecedentes criminais por agressão à mulher”, frisa Silvana, dizendo que irá também procurar a Polícia Federal já que Jhon é estrangeiro.

Para a médica, Jhon fez uma montagem nos vídeos. “Já veio combinado.”.

Quanto ao resultado da perícia ter dado inapto temporariamente para habilitação, a médica explica que, pelo Código de Trânsito Brasileiro, é preciso saber ler e entender a língua para poder dirigir.

“Ele não conseguiu responder nem a anamnese. Não está apto a dirigir no Brasil”, reforça.

Quanto ao fato de não permitir criança nem acompanhante no consultório, Silvana Mitie Nishimura fez questão de destacar que o procedimento deve ser feito apenas entre paciente e médico e que todos os avisos estão nas paredes da clínica. “Eu segui o procedimento, a legislação.”

“Como vou fazer uma perícia com uma criança no colo da mãe ou junto no consultório”, acrescenta.

Além do mais, pontuou ela, “estamos em época de pandemia e a clínica segue todas as normas da Vigilância Sanitária.”

Ainda segundo a médica, a secretária se propôs a ficar com a criança durante o tempo do exame, mas a mãe Juliana Sufredini não teria permitido.

ND+ voltou a procurar Juliana Sufredini para ouvir sua versão. Ela nega que a secretária tenha sugerido ficar com o filho dela. “Em nenhum momento. Isso é mentida.”

O que diz a Polícia Militar

A Polícia Militar foi chamada e esteve na clínica por causa da confusão. Quanto chegou, os ânimos já estavam mais calmos. Todos foram ouvidos e foi proposto um termo circunstanciado. Os envolvidos assinaram e ninguém foi conduzido à Delegacia de Polícia, pelo menos naquele momento.

O que diz a Polícia Civil

A delegada Claudia Cristiane Gonçalves de Lima, titular da Dpcami, confirmou que a médica Silvana Mitie Nishimura registrou Boletim de Ocorrência contra Jhon Freddy Bermudez. Em seguida, a médica fez exame de corpo de delito no IGP.

De acordo com a delegada, foi feito um termo circunstanciado da ocorrência.

“Vamos apurar inicialmente em termo circunstanciado. Se do relato aparecer algo mais grave, vamos instaurar um inquérito policial para investigar”, conclui a delegada Claudia.

O que diz o Detran

Como a clínica é credenciada ao Detran, o Portal ND+ ouviu o órgão, que entendeu que não deveria se manifestar sobre o caso.

Tópicos relacionados