Filmagens de uma suposta agressão de um lutador de muay thai contra um idoso, em Tubarão, no Sul catarinense, têm repercutido no Estado. O caso teria acontecido nas proximidades de uma mecânica, na última quinta-feira (23).
Idoso teria sido agredido por lutador de muay thai em Tubarão – Foto: Divulgação/NDSegundo os familiares da vítima, Mário Cesar Brasil, de 60 anos, foi espancado e ameaçado pelo atleta e sofreu traumatismo craniano, fratura em quatro ossos da face esquerda e também não estaria enxergando do lado esquerdo.
Além disso, teria ficado internado em UTI (unidade de terapia intensiva) por dias e agora segue em estado grave no hospital. “O médico disse que a recuperação dele será bem lenta e não é garantido que vai voltar as funções 100%”, conta o filho Yuri Brasil.
SeguirO caso já está sendo apurado pelo delegado William Teotti. Em contato com a reportagem do ND+, ele informou apenas que foi instaurado um inquérito policial.
Motivação
A situação teria começado quando Mário chegou próximo a uma mecânica de Tubarão e viu um homem cavando um buraco no seu terreno, acompanhado de outros dois. Ele, então, solicitou que parassem com os serviços e a confusão teve início.
“Não houve discussão. Houve um pedido do meu pai para que eles não fizessem a obra que estavam fazendo em cima do terreno dele. E a partir disso começou uma série de ofensas partindo dos caras. E nisso o filho do dono do terreno, vizinho do meu pai, mostrou uma arma e disse ‘é isso que tu merece’. Meu pai pegou e foi saindo, e disse ‘para’, ‘deixa disso’. E aconteceu aquela cena que está gravada”, revela o filho de Mário.
Imagens de uma câmera de segurança mostram a situação – Vídeo: Divulgação/ND
Segundo ele, quando o pai percebeu a situação, começou a gravar um áudio para a filha. “Esse áudio já está com a polícia e coincide bem com o horário e dia da gravação da câmera de segurança”, informa Yuri.
A reportagem teve acesso a alguns trechos do material que consta no depoimento da irmã de Yuri ao delegado William Teotti.
“Yngrid, bom dia! O pai tá aqui no sítio e tem um probleminha aqui. Aqueles cara daquela vez tão botando um poste, um relógio, tudo em cima aqui da estrada. Se tu puder, dá uma chegadinha aqui pra nós ver”, diz o idoso num primeiro momento.
Depois ele diz para uma pessoa parar e não fazer isso, chamando-a pelo nome. Segundo a filha, Mário se referia ao pai do acusado de agressão e dono do galpão onde fica a mecânica.
Após esse momento, a gravação é interrompida e, de acordo com o depoimento, inicia-se a agressão do pai e filho contra Mário.
Segundo os filhos da vítima, pelas imagens da câmera de segurança, é possível ver o pai correndo e apanhando da dupla, e também o momento em que é atingido por um soco do lutador que o faz cair no chão.
Mesmo no chão, de acordo com eles, o suposto agressor, que seria faixa preta em muay thai, continua realizando agressões e depois foge do local, sem prestar atendimento.
“Perguntamos ao médico se as lesões que ele havia sofrido eram decorrentes de uma queda acidental, e o médico respondeu que não, que era compatível a uma ‘forte pancada”, revela Yuri.
Segundo a família, em 2017, o idoso já havia registrado um boletim de ocorrência contra o lutador, após sofrer ameaças em razão de um desentendimento novamente causado por uma suposta invasão de propriedade.
Defesa do acusado relata versão diferente
Procurado pela reportagem, o advogado Thiago Torpato Viana, responsável pela defesa do suspeito, informou que o acusado tentou impedir o idoso de pegar uma arma, quando aconteceu o acidente.
“Não houve soco ou agressão por parte do meu cliente ao idoso. Aconteceu que o Mário empurrou o pai dele ameaçou de pegar uma arma. Então, ele tentou impedir e acabou desferindo um tapa na corrida, mas quando viu que o idoso havia se machucado iniciou massagem cardíaca e prestou todo o suporte”, comenta.
Pelas imagens é possível ver o momento em que idoso cai – Vídeo: Divulgação/ND
Segundo o advogado, Mário tentou impedir mais uma vez a colocação do equipamento. “É uma discussão que já acontece há muito tempo. Tem pelo menos 10 anos. A instalação do poste, o projeto em si, tudo estava autorizado pela Celesc“, afirma.