Com a participação de bombeiros militares de Santa Catarina, a tragédia em Petrópolis (RJ) causada pelas chuvas resultou na maior operação canina do Brasil. Ao todo, 68 cães de resgate foram deslocados de diferentes Estados para o município fluminense.
A maior operação canina até então havia sido em Brumadinho (MG), para onde 64 cães foram deslocados.
Duas equipes catarinenses atuaram em Petrópolis – Foto: CBMSC/Divulgação/NDEm coletiva de imprensa realizada pelo CBMSC (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina) na manhã desta terça-feira (15), o tenente-coronel Walter Parizotto, coordenador da atividade cinotécnica da corporação, discorreu sobre as características da operação em Petrópolis.
Seguir“A operação foi produto do apoio de diversos Estados. Foi segura, com menos maquinário, mais barata, mais rápida e eficiente para as famílias das vítimas. Foi a operação dessa magnitude que se resolveu mais rapidamente”, afirmou.
Duas equipes e 16 vítimas encontradas
O CBMSC foi acionado no dia 18 de fevereiro para prestar apoio aos trabalhos dos bombeiros em Petrópolis. O município fluminense vinha sendo castigado por fortes chuvas que provocaram enxurradas e deslizamentos. O deslocamento foi autorizado pelo governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (Republicanos).
Duas equipes de força-tarefa foram montadas com uma estratégia de revezamento. A primeira delas foi composta por 9 bombeiros e 6 cães de busca e resgate. Esse grupo atuou no município de 19 a 27 de fevereiro.
A segunda equipe trabalhou em Petrópolis do dia 27 de fevereiro a 6 de março e contou com 8 bombeiros e 6 cães.
Os grupos catarinenses apontaram 16 vítimas, que foram retiradas dos escombros. Ao todo, mais de 230 pessoas morreram no desastre.
Veja o vídeo da operação:
Experiência das equipes
O comandante da primeira equipe catarinense em Petrópolis, capitão Alan, contou que o trabalho de localização e indicação das vítimas soterradas foi árduo e intenso. Ele também mencionou o impacto que a tragédia causou na corporação.
“Inevitável dizer que foi bastante impactante a primeira impressão tendo em vista a proporção do desastre, que foi muito grande. Já tínhamos visto algo assim no Estado, mas talvez não naquelas proporções”, pontuou.
A experiência, segundo o capitão, foi interessante, pois pode contribuir para a localização das vítimas e trazer alento aos familiares.
O major Clemente Michels, que comandou a segunda equipe, disse que a cada nova operação, a corporação ganha mais experiência. Ele destacou a evolução do serviço prestado pelos cães.
“Após o término da primeira equipe, praticamente a maioria das vítimas já tinham sido recuperadas. Quando a segunda equipe chegou, somente duas vítimas ainda precisavam ser encontradas. Mas, foi uma etapa igualmente difícil”, contou Michels.
Isso porque é preciso confiar na convicção dos cães quando uma área é liberada por eles.
“A segunda equipe teve o trabalho mais difícil porque quando o cão libera uma área, ou seja, mostra que não tem mais ninguém lá para ser resgatado, temos que acreditar no trabalho dele para liberar o uso da maquinaria pesada”, acrescenta o tenente-coronel Parizotto.
Serviço descentralizado
De acordo com o tenente-coronel Parizotto, Santa Catarina é um dos poucos Estados brasileiros que possui o serviço de cães de busca e resgate descentralizado. O trabalho dos cães é realizado em 11 municípios.
Os binômios, como são chamadas as duplas de bombeiro militar e cão de busca, são certificados para atuar em operações como a de Petrópolis.
No caso do município fluminense, cada equipe catarinense contou com dois cães que atuaram na tragédia de Brumadinho e cães mais jovens e inexperientes.
A corporação ressalta ainda que o apoio à tragédia no Rio de Janeiro não deixou Santa Catarina desguarnecida. “Enviamos duas equipes para lá, mas mantivemos as diversas regiões do Estado com o serviço de cães ativo”, reforçou Parizotto.
O coronel Marcos Aurélio Barcelos, comandante-geral do CBMSC, afirmou que a corporação já estava de prontidão para atender o Rio de Janeiro.
“Santa Catarina é referência na formação e capacitação de bombeiros. A cada desastre, somos lembrados pelo nossa experiência. Temos interesse em atuar em eventos desse tipo, pois é uma oportunidade de compartilharmos conhecimento e técnicas com outros Estados”, disse Barcelos.